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CPI DAS ONGS
Ninguém se interessa. Por quê?
Não consigo entender a razão pela qual a imprensa brasileira simplesmente ignora a CPI das ONGs. O WWF deseja ardentemente nos ajudar para termos, no futuro, um país ecologicamente correto, miserável, mas correto. Atualmente, tudo causa impacto ambiental: estradas,portos, ferrovias, mineração etc... Aonde vamos chegar? Na seção Mural podemos ver o WWF se articulando para "ensinar" diversos profissionais de meio ambiente a utilizar a mídia com fins preservacionistas, sem contar outras iniciativas deste tipo para "ensinar" os promotores do meio ambiente a cumprir suas obrigações sob a ótica do politicamente correto. Preservar a qualquer custo. De tudo isto, imagino no futuro um país-floresta, habitado por um povo miserável e ainda explorado, pois absteve-se de crescer e de explorar seu território, guardando tudo para o Primeiro Mundo explorar. Ecologicamente correto, é claro.
Domingos Gonçalves
DIÁRIO CATARINENSE
Proteção ao anunciante
Florianópolis, conhecida como paraíso para férias, melhor lugar do Brasil para morar, é uma farsa. Pura maquilagem. O número de assaltos, assassinatos, estupros e outras violências é absurdamente mascarado. Ora pelos governos, estadual e municipal, ora pelas empresas, muitíssimo mancomunadas com a mídia. É o caso de uma notícia sobre um assalto ao supermercado Angeloni, a maior rede de supermercados de Santa Catarina.
Na notícia não consta o nome do supermercado. É o segundo assalto ao mesmo Angeloni neste ano. "A primeira vez eles abafaram, sabe como é...", diz uma caixa, logo depois do assalto, que teve um ferido com dois tiros, uma refém que saiu com leves lesões e centenas (não dezenas, como está escrito na matéria) de pessoas que viveram momentos de completo pavor. Desta vez, diante do segundo assalto em poucos meses, o Diário Catarinense, maior jornal local, deu a notícia, mas omitiu completamente o nome da rede. Curioso é que em brigas de bar, comuns na ilha e no continente, o mesmo jornal dá o nome do bar, o nome do dono do estabelecimento e endereço completo.
Seria ingenuidade pensar que é só um problema de critérios. É a ditadura empresarial, tão mais aveludada do que a militar, tão mais eficiente. A mídia dá para qualquer um, não tem desculpa. Primeiro dava para os militares, era um problema de vida ou morte. E agora dá para o empresariado, apenas porque é conveniente.
Cláudia Rodrigues, jornalista
JORNAL DO BRASIL
Adeus, meu bom jornal
Por mais de 40 anos (cumulativamente com minha adolescência familiar) tenho sido assinante do JB, jornal que sempre me foi querido e um dos mais importantes do país. Mesmo nos anos em que morei em São Paulo, continuei assinante. Permaneci fiel ao JB durante o seu esvaziamento, pois galhardamente ele "carregava a chama".
Seu grande diferencial sempre foi a "carioquice", qualidade intangível e de difícil caracterização, que nunca abalou sua inquestionável importância nacional. Outros jornais, reconheço, tinham melhor cobertura dos fatos – O Globo, por exemplo, sempre foi mais completo no relato dos acontecimentos, sobretudo na editoria de Cidade; a Gazeta Mercantil, na Economia; o Estadão e o Correio Braziliense, na Política e a Folha (para quem gosta deste self-important jornal), em Livros – mas o JB sempre teve os melhores colunistas, melhor análise dos fatos. O JB era seus colunistas. Eram eles os assuntos dos habituais telefonemas entre amigos e familiares ("leu a coluna de hoje do/da...?"), aquele renovado prazer diário de ver impressas as idéias que pensamos, com a leveza dos bons textos. Deliciosas crônicas cariocas, que retratavam o dia-a-dia de se viver no Rio e bem-sacadas observações de "pensar" o país. As cartas dos leitores do JB tinham igual diferencial, destacando-se das cartas dos demais jornais. Mesmo nos Quadrinhos, era o único jornal com 50% de desenhistas brasileiros.
Tudo isso se perdeu nos últimos tempos: seu novo dono é alguém ligado ao ex-presidente Collor, de lamentável memória; a redação foi invadida por hordas de "paulistas" (não é bairrismo: em contraposição aos "cariocas" de alma, provenientes de qualquer canto do mundo), a começar pelo seu [ex-]diretor ex-Veja, com toda a carga de empáfia característica daquele vaidoso semanário; o mesmo ocorreu com a revista Domingo; e, finalmente com os novos e "alienígenas" colunistas, abominavelmente presunçosos e – francamente – ilegíveis. As Cartas dos Leitores, antes sempre inteligentes, agora publica as mais medíocres, ou mesmo burras (como a do uso da base de lançamento, dia 10/set; parece algo do Globo).
Tornou-se, enfim, um jornal que não mais desperta nenhuma cumplicidade. A cobertura continua deficiente, as "novidades" intragáveis e os bons colunistas, solapados.
A bem da verdade, restam apenas a imprescindível Dora Kramer (que ganhou como "vizinha" uma detestável editoria de Página Dois, que é um escárnio à seriedade da colunista), o valente Alberto Dines (enxotado da página de Opinião, para o Caderno B), o mestre Armando Nogueira (freudianamente "esquecido" no anúncio do JB sobre seus colunistas) e a saborosa Danuza (que certamente, deve estar sendo igualmente esvaziada). Eram eles os únicos motivos que me prendiam ao jornal (bem posso lê-los online…).
A gota d’água, no entanto, foi o intrusivo questionário, mal-disfarçado de promoção "110 Anos do JB", que só falta perguntar o saldo da conta bancária dos assinantes.
Chega! Já decidi: quando minha assinatura expirar, não irei renová-la. Lamento (e, acreditem, realmente lamento mais do que vocês – que perderam apenas mais um assinante; mas eu, o Rio e o país perdemos um referencial).
A.C. Taborda e Silva Jr.

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