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Edição de Marinilda Carvalho

A pior notícia dos últimos tempos para a educação talvez seja a de que os estudantes brasileiros deram vexame em leitura: não só não sabem ler, como não interpretam o que lêem.

E ainda tem gente que se preocupa com diploma de jornalismo.

Temos de nos preocupar é com os analfabetos funcionais que estamos amamentando desde o berço. Brasileiros burrinhos desde criancinha.

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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.

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TV GLOBO E CLT
Pela intimidação social

Estava assistindo ao Bom Dia Brasil na Rede Globo e fiquei pasma. O repórter Fábio William foi lá no Congresso Nacional fazer reportagem sobre o problema do painel de votações que pifou e, no meio, falou que "a greve já acabou, mas os professores fizeram um protesto, só para... marcar presença". Enquanto ele falava a câmera mostrava um grupo de professores gritando alguma coisa e levantando os braços em gestos de protesto. Ao falar dos professores, Fábio William quis fazer deste fato o ponto bem-humorado de sua reportagem, por isso, quando falou "só para... marcar presença" diminuiu o ritmo da fala e emprestou o tom pejorativo que ele queria, tornando o protesto dos professores um fato pitoresco, idiota, deslocado: eles estavam lá só para... marcar presença.

O mesmo jornal gastou boa parte de seu tempo com a discussão sobre a reforma das leis trabalhistas que flexibilizarão os direitos atualmente garantidos na CLT. Renato Machado, a poita do Bom Dia Brasil, não se continha. Ele queria porque queria mostrar o quanto ele é a favor da flexibilização. Por quê? Talvez nem ele saiba por quê.

A reforma da legislação trabalhista obrigaria o trabalhador a manter um contato mais próximo com seu sindicato, coisa que hoje não existe. Para muitos trabalhadores o seu sindicato não serve para nada. No entanto, havendo a reforma, o trabalhador deverá se organizar para deixar claro ao seu sindicato aquilo que ele poderá negociar e aquilo do qual ele não pode abrir mão. Com a reaproximação entre trabalhadores e sindicatos, estes estarão mais fortalecidos e legitimados para as negociações.

Sem dúvida, para o empregado seria muito melhor tratar de seus interesses com o sindicato do que com o patrão, de quem ele tem medo. O sindicato não tem medo de perder o emprego e pode fincar pé com força quando o patrão estiver muito ganancioso.

Tudo isso funcionaria muito bem, não fosse a nossa cultura avessa ás manifestações organizadas e às reivindicações de classe. A nossa moral racionalista é extremamente repressora e não permite manifestações. Aqui no Brasil, a moral burguesa conseguiu inculcar a idéia de que quem protesta é "cricri" e não tem mais o que fazer.

Para que a flexibilização seja mesmo boa para os trabalhadores é fundamental que eles possam se organizar enquanto grupo e se fazer ouvir.

Enquanto estivermos inseridos numa ideologia televisionada segundo a qual aqueles que se organizam para se manifestar em grupo o fazem só para marcar presença, não estaremos maduros o suficiente para entregarmos esse poder aos sindicatos.

A Rede Globo, é certo, valoriza o indivíduo que fica em casa assistindo Vale a Pena Ver de Novo, pois, levantar a voz para dizer aos nossos representantes o que queremos é um ato inócuo, os representantes já sabem o que o povo quer. Quando votamos nós já colocamos no voto tudo o que queremos então, agora, ficamos em casa, comportados. O bom cidadão é aquele que vota consciente e depois fica em casa dócil e passivo vendo TV.

Essas manifestações jornalísticas ridicularizando os movimentos sociais funcionam bem. As pessoas passam a não acreditar que são elas os agentes e autores das transformações na vida social e nas suas instituições.

É isso aí, Rede Globo continue assim! É exatamente com essas colocações sub-reptícias, jogadas durante a programação, que vocês conseguirão o que querem: a intimidação social.

Lucíola Fabrete Lopes Nerilo, professora, mestre


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