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CASO SONINHA
Questão filosófica básica
Também assino embaixo do artigo de Edilton Siqueira. Muitos hábitos ou práticas podem ter efeitos negativos (bebida, cigarro etc.). Mas existe o livre-arbítrio: um adulto formado não pode ser reprimido ou penalizado por algo que faz a si mesmo, enquanto esta prática ou suas conseqüências não afetarem seu próximo. Esta questão filosófica básica é esquecida pelos fundamentalistas de plantão, seja por ignorância ou má informação, seja por mau caráter mesmo. Neste segundo grupo incluo o Carlos Vereza, ex-ator e agora porta-voz da direita, que apresentou argumentos pífios contra a Soninha no programa de televisão do OI.
Luiz Eduardo Amaral, Rio de Janeiro
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A hipocrisia diante do álcool – Edilton Siqueira
Farrapo social
Sinto-me à vontade para falar da jornalista Soninha, pois já havia dito aqui mesmo nesse fórum que admiro os textos dela na Folha de S.Paulo e a maneira como ela escreve bem, de forma clara e sempre consciente.
Quem lê as colunas da Soninha às quintas-feiras no caderno de esportes da Folha sabe que os textos dela primam pela inteligência e o bom senso. Soninha entende mais de futebol do que muitos ilustres colunistas, e os seus artigos exploram e revelam um olhar destoante da visão masculina da nossa imprensa: o olhar de Soninha foge das idéias do senso comum, ela ilumina a crítica esportiva com uma luz feminina e humana.
Pois bem, vi a capa da revista Época e corri para ler a reportagem. Ou seja, fiz o que os editores da revista previram: "Vamos colocar a Soninha em destaque e três palavras gritando ‘Eu fumo maconha’. Vai vender igual água, as pessoas vão correr para as bancas." Ponto para os editores, souberam explorar a "notoriedade" da colunista da Folha, sabem que a nossa sociedade é um farrapo social preconceituoso e insuportavelmente imbecil. Os editores conhecem a escrotice que eles ajudam a alfabetizar, conhecem esse povo retardado que os lê achando que está adquirindo "cultura" e se mantendo "informado".
Pois é, a revista jogou, brincou, midializou o assunto e explorou de forma estúpida o material de uma pretensa reportagem séria.
Qual foi o papel da Soninha nisso tudo? Soninha errou ao achar que a colcha de retalhos que insistimos em chamar de "sociedade brasileira" estaria pronta para pensar de forma autônoma; o povo brasileiro é analfabeto e inculto, não sabe pensar fora dos padrões do senso comum: "Maconha é uma porta para as drogas mais pesadas e essa Soninha é uma maconheira". Todos pensam assim e não vêem mais necessidade de se aprofundar no assunto, de procurar dados para cotejar com suas idéias, formular novas questões, ouvir uma opinião contrária. Em suma, ninguém sabe pensar.
Soninha quis abrir um debate, mas o fórum é recheado de seres subdesenvolvidos intelectualmente. Esse fórum é o nosso querido Brasil. Soninha foi ao programa da Adriane Galisteu, quis expor suas idéias, explicar o porquê de sua postura pública, o porquê de sua declaração e o que queria propor como debate. A apresentadora Adriane Galisteu fingia ouvir. Quando Soninha acabou de falar, ela disse: "Sabe, Soninha, eu admiro seu trabalho, mas eu acho que você pisou na bola, qualquer droga é uma droga, você não deveria assumir seu erro." É isso aí. Soninha perde o emprego porque propôs um debate fora da mediocridade popular, e Adriane ganha rios de dinheiro mantendo e repisando os clichês que tanto fazem bem aos retardados amantes do senso comum.
Em tempo: qualquer pessoa bem-informada sabe que a maconha não é uma droga "desvirtuante", sabe que a erva maldita é uma droga 10 vezes menos prejudicial à saúde, que contém teores cancerígenos infinitamente menores do que o cigarro normal. Mas dizer isso e questionar o papel nefasto do tráfico não é legal.
Legal é dizer e gritar sempre a mesma coisa.
Parabéns, Soninha, você mostrou a mulher culta e inteligente que você é.
Leonardo, Rio de Janeiro
Reinado da hipocrisia
Parabéns ao professor Nei Diaz por "Aos leões com César e a mulher". A hipocrisia não deixará de reinar tão cedo, as bobagens repetidas incessantemente, os interesses subliminarmente defendidos. Pingo nos iis, só quando se manifesta a defesa de interesses. De que partido é o parlamentar, só quando é conveniente. Ainda bem que existem poucas vozes, mesmo que roucas pelas circunstâncias, refletindo sobre o mundo hipócrita e preocupadas em desmascará-lo. Há inúmeros assuntos mais importantes a se discutir em nosso país, tem razão Vereza: os citados por Nei Diaz, financiamento de milhões de dólares a multinacionais, doação (isso mesmo!) de operadoras de telecomunicações, Proer, sistema educacional falido – e defendido como exemplo –, o comportamento da imprensa e da mídia em geral (papel que tenta desempenhar o OI) e outros. Só não tem ele razão, enquanto ator das "exemplares" novelas globais, em atacar Soninha pelo tema que mais uma vez se levantou com sua entrevista.
Ou será que ele recusa papéis pelo exemplo que a personagem pode fornecer? Ou será que ele deixa de trabalhar na emissora que tão nocivos exemplos forneceu à sociedade brasileira? Parabéns e obrigado, professor Nei Diaz.
Sérgio Luiz do Prado
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Aos leões com César e a mulher – Nei Diaz, Caderno do Leitor
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