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SUPERMERCADOS DO ENSINO
Parcos frutos do idealismo
Sou um antigo (e infeliz) professor universitário aposentado pelo INSS. Lecionei por longos anos nos cursos de Direito e Comunicação Social, nas universidades Estácio de Sá, Facha, Veiga de Almeida e Uerj (concursado para uma vaga, no Instituto de Psicologia, e aprovado por uma banca de mestres e doutores). Meu idealismo e meu patriotismo sempre me levaram a questionar a educação. Recebia alunos no básico e, como também tinha disciplinas nos últimos períodos, percebia como chegavam e como saíam da universidade.
Consegui fazer-me estimar, pelo apoio incessante que dava aos meus alunos, e pelo meu pensamento liberal progressista. Acho que o ensino no Brasil até os anos 50 era sério e dava excelente formação. Infelizmente, mesmo com a vantagem de ver o mercado de trabalho alargado, como professor, a partir da multiplicação dos "supermercados" de ensino, particulares, acompanhei a decadência do ensino, palmo a palmo, decepcionado com o sistema que se instalou a partir de 1964.
Fiz cursos, acumulei títulos, para melhorar a remuneração das minhas horas-aula. Aposentei-me em 1989, em virtude dos boatos de que o governo pretendia mudar a legislação, e porque as universidades estavam demitindo professores. Como já tinha mais de 50 anos, tive receio de não obter novos empregos, devido à minha idade. Hoje, como sou advogado, consigo ganhar mais alguns caraminguás, porque minha aposentaria é miserável: não chega a R$ 500. É nisto que dá, neste país, ser idealista e querer ser professor. Aliás, o presidente já definiu: quem não pode ser cientista tem que ser mesmo professor!
Cid Kling
Tetas mundialmente famosas
É realmente incrível que este país, cujas qualidades são invejadas em todo o mundo – creio não ser necessário citá-las –, há alguns anos transformou-se num verdadeiro paraíso da corrupção, onde todos são dignos e honestos até que consigam, por seu caráter honrado, encontrar uma brecha para mamar nas nossas já mundialmente famosas tetas. Sim, mundialmente, ainda mais agora quando conseguimos a façanha de ficar em último lugar numa competição do ensino público, tendo disputado com diversos países. O que podemos esperar dos "futuros líderes do país", entre os quais me encaixo, dada minha parca idade?
Acabo de prestar o vestibular da Fuvest-SP para tentar ingressar numa universidade para que possa me encaixar num mercado de trabalho que hoje tem exigido nível universitário. Estudei toda a vida em escolas públicas de SP e me deparei com questões que realmente me surpreenderam. Sim, pois infelizmente não tive aulas de Química, Física, Matemática, entre outras disciplinas, durante o ensino médio, suposta preparação para o nível universitário.
Senhores, impossível entrar numa faculdade pública – apenas por questões financeiras, diga-se de passagem – sem que se faça um cursinho, devendo pagar em torno de R$ 350/mês. Por este valor, creio já ser melhor pagar uma faculdade, posto sua proximidade com o valor de algumas instituições educacionais. Bem, já que devo pagar, coloco, para este momento, duas questões: como pagarei as mensalidades se não consigo um emprego para pagar meu curso superior? Como ainda não possuo um diploma – em qualquer área, basta que tenha um – ninguém me emprega! Segunda questão: após a leitura deste artigo, como confiar em instituições que oferecem dinheiro a professores influentes para se valerem desta influência?
Felizmente, ainda existem profissionais preocupados com a moral e os bons costumes, coisa rara no país.
Paulo Marcelo Ferreira dos Santos
Não vamos desanimar
Lamentavelmente, a educação superior neste país está nesta situação. Existem outras universidades no Sudeste que pertencem a bicheiros, gente desta laia do dono da Estácio. É aí que se enquadra uma avaliação da política do MEC. É por isto que fazemos greve nas federais, visando evitar a derrocada final da educação superior no país, que queremos seja democrática e de qualidade para compensar as assimetrias sociais deste país, em se tratando sobretudo do futuro para as novas gerações. Não vamos desanimar.
Bota a boca no mundo e vamos lutar.
Antonio Jorge de Siqueira
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