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DIPLOMA EM XEQUE
Com medo da própria sombra

Tenho observado atentamente que jornalistas que passaram pela escola de Comunicação social, ao perceberem que seus textos jornalísticos não são diferentes – e muitas vezes piores do que os de seus colegas que não freqüentaram a faculdade de Jornalismo – se desesperam, gritam, fazem longas reuniões, choram mágoas e tecem manifestos, até contra juízes. Fazem textos chorosos, criam barreiras sindicais, fecham as portas aos colegas e até deixam de cumprimentá-los. Ora, o que diria, meus caros formados, se Machado de Assis aqui estivesse? Logo ele, que tanto escreveu na imprensa. Seria ele formado em Jornalismo? Imagine, caro leitor, se Lima Barreto estivesse entre nós – certamente já teria debulhado inúmeros artigos aos Bruzandangas.

Dizer que sem diploma o jornalista não saberá usar a ética profissional, como já li em textos de professores universitários, exaltados, é o mesmo que chamar de incompetentes todos aqueles profissionais que já exerceram a função antes de as faculdades de Comunicação Social existirem no Brasil. Se é tão importante a formação jornalística, por que os profissionais formados não fazem reuniões também para discutir a abertura de mais faculdades? A resposta é simples: porque existe o medo da concorrência. Quando sabemos que o outro é menos competente que nós, não nos preocupamos. O que martela é concorrência leal – o mercado está aberto aos bons profissionais. O sindicato dos jornalistas profissionais – aliás esse título maldoso sugere existir o sindicato dos jornalistas amadores – não está aberto a discussões, só a críticas, vindas de mágoas e de medos da própria sombra.

Salete Delourdes, jornalista

 

Exigência sem sentido

Ótimo artigo! Concordo plenamente com suas posições quanto ao jornalismo. Que poderiam (e deveriam), aliás, ser estendidas a todas as profissões derivadas das chamadas ciências humanas, não tendo também o menor sentido a exigência de diplomas específicos para advogados, psicólogos, pedagogos e demais profissionais da escrita e da fala, que, tal como os psicanalistas, autorizam-se, na verdade, por si mesmos, a competência não sendo exatamente a virtude requerida para o sucesso de suas operações. Que a obrigação de portar canudos (uma espécie de porte de armas) pelo menos incida apenas sobre os que trabalhem forças (uma vez que o Estado, sem dúvida, não abrirá mão de seu controle), não sobre os que simplesmente exerçam poderes!

Clauze Ronalde de Abreu, Rio de Janeiro

 

Afronta à ética

Considero realmente ridícula a limitar que extingue a exigência do diploma de Jornalismo. O jornalismo é uma profissão, e não uma atividade de fácil aplicação. Deve ser encarada com responsabilidade e respeito. Fiquei realmente indignado com Boris Casoy, que reforçou a opinião de que o diploma não deve ser obrigatório. O estudante de Jornalismo é movido por um ideal, e não por dinheiro; afinal, todos sabemos que não é uma profissão bem-remunerada. Esta liminar é uma afronta à ética, e um desrespeito aos que sentem isso na pele.

Robson Gisoldi, 3º de Jornalismo, Imes

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O caminho de mestre Abramo

É cada vez mais difícil definir o papel do jornal nesta geléia geral tropical. A imprensa brasileira defende interesses que passam ao largo dos reais interesses da população. Jornalões, jornais regionais, cadeias de rádios e televisão, revistas semanais, enfim, todos obedecem sem pudor à voz do dono. Tem gente que tem até saudades da ditadura militar e dos tempos da imprensa alternativa, quando os debates sobre os rumos do país eram acalorados, reuniam intelectuais, jornalistas, artistas e professores. O debate sobre a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista nestes "tristes trópicos" é algo absurdo, trágico, se não fosse cômico, diante de tanto descaramento, da falta de ética que permeia não só a imprensa, mas também muitas de nossas instituições.

O diploma deve ser obrigatório. O importante é discutir a grade curricular dos nossos cursos de Jornalismo, bem como o papel das nossas universidades, eliminando, se preciso for, aquelas que só pensam em lucro, as chamadas caça-níqueis. Gastam-se espaços desproporcionais com a questão envolvendo a radialista Soninha e o uso da maconha. Questão, aliás, antiga. Já discutida pelo próprio FHC, quando da sua fracassada campanha à Prefeitura de São Paulo, de forma leviana. Mas levantada seriamente por José Carlos Maciel, em muitos de seus livros, ou pelo deputado Fernando Gabeira.

Por tudo isso, a crise assola a imprensa brasileira como um todo. Crise de credibilidade, de identidade. O livro do mestre Cláudio Abramo A regra do jogo aponta caminhos preciosos. É preciso reavaliar o papel da imprensa no país.

José Anderson Sandes, jornalista, Fortaleza


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