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Edição de Marinilda Carvalho
Os leitores estavam com as baterias afinadas para esta edição. Ekner Muritiba pergunta: depois de todo aquele silêncio, para que tanto alarde no pós-seqüestro de Washington Olivetto? E o valor do resgate exigido? Fernando Alécio, outro missivista, diz que tentar vender a idéia de que o publicitário foi salvo pela polícia, como vêm insistindo dois jornais de São Paulo, é, no mínimo, cômico. Ano de eleição...
Para o leitor Marcelo Marcengo não tem graça nenhuma, entretanto, o papel da mídia venezuelana e internacional na crise em torno do presidente Hugo Chávez, que não conseguiu governar um minuto em sossego. Os gaúchos conhecem bem a técnica, como lembra o leitor Guilherme Schneider. Ano de reflexão...
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NOTÍCIAS DE UM SEQÜESTRO
Depois do silêncio, o alarde
Passei muitos dias assistindo ao silêncio inescrutável do caso Olivetto. Tanto silêncio que perturbou alguns e fraquejou a memória de outros. Quase esqueceram o cara definitivamente no cativeiro. Interessante o fato de se ter toda uma preocupação de silenciar diante do seqüestro de uma pessoa conhecida internacionalmente por seu talento e competência.
Agora, alguém pode me explicar para que tanto alarde para contar o histórico do seqüestro? Ate ontem ninguém podia falar do caso, e agora, do dia para a noite, ou do cativeiro para os microfones e câmeras cerradas, o próprio seqüestrado se expõe de tal forma, parecendo uma estrela de filme americano. Não entendi nada.
Sim, gostaria de saber por que o seqüestrado vai à imprensa dar coletiva logo após cinqüenta e tantos dias num cativeiro. Sacadas de sobrevivência com o manual do MacGyver e tudo mais... Coisas de gênio!
A resposta? Um amigo me cochichou hoje no corredor-feeling, o homem é um gênio! E somente os gênios têm a chamada licença poética, da palavra ou de qualquer outra coisa. Nessa hora falou mais alto o interesse próprio ou foi um mero gesto de agradecimento? E notícia? Acho que foi seqüestrada. E o valor do resgate? Não sei. Acho que a notícia em nosso país já pagou com a vida. O que rola por aí são cadáveres arrastados para os meios de comunicação, como se a gente fosse cego. Uma pequena novelinha pós-Idade Média. E a pergunta que insiste em não calar – será que a imprensa foi seqüestrada desta vez? Reinventou-se o conceito. Dá-lhe, Olivetto.
Ekner Muritiba, jornalista
Tudo explicadinho
Não se trata apenas de estancar informações sobre seqüestro. Hoje a mídia tem informado com detalhamento didático, principalmente no tocante ao modus operandi, como no caso do empresário de Salto, que "louvou" a organização da quadrilha no recebimento do resgate (que parece ser a parte mais critica da operação).
Laude Carvalho
Amigos silenciam
Nem todas as pessoas (felizmente) pensam como a maioria. Fico com a inteligência e a lucidez de Armando Nogueira, um dos maiores jornalistas do Brasil. Em sua coluna (Jornal do Brasil, 6/2/02), Armando escreve sobre o amigo Olivetto: "Contive o ímpeto de execrar, nesta coluna, o seqüestro que o vitimara. Não seria bom pro desfecho do drama que se tocasse no assunto em público". Armando, como qualquer cidadão, não gostaria da divulgação do caso. Ele entendeu, muito mais do que ninguém, a situação de seu grande amigo e silenciou. Assim como seu outro grande amigo, Juca Kfouri. Seria por pedido da família ou por consciência de estar prejudicando "o desfecho do drama"?
Luiz Antonio Silveira
Pipoqueiros no incêndio
Como sempre, parabéns ao Dines pela serenidade e racionalidade sobre como deve se comportar a mídia em caso de seqüestro. Concordo inteiramente que uma divulgação "civilizada" ajudaria para que toda sociedade ficasse antenada e, automaticamente, se posicionasse ao lado do "mocinho". Até aí, beleza. O que faz toda essa arquitetura de pensamento ir por água abaixo é a "civilidade" da mídia. Como fazê-la se conter dentro das calças e não transformar o seqüestro num show? Hoje, não só seqüestro (vide Sílvio Santos), como até enterro (vide aquele cantor caipira-country), vira espetáculo.
A mídia hoje (não só a eletrônica, mas também a impressa – jornalões e jornaizinhos, revistonas e revistinhas) virou uma versão do pipoqueiro em lugar de incêndio. São os primeiros a chegar para faturar. Uma vergonha, uma indignidade. Neste aspecto, tenho a convicção de que o pedido para que a imprensa não colocasse a boca no trombone (caso Olivetto) partiu do medo do espetáculo, do show inútil. A imprensa, infelizmente, tem dado mostras detestáveis de um comercialismo barato, vulgar, pé-de-chinelo. Aquele lance de entrevista coletiva com o fujão que se mandou de helicóptero do presídio foi de arrasar.
Se meu filho hoje dissesse que queria ser jornalista eu lhe mostraria esses exemplos de distorção profissional. Se vocês próprios, jornalistas de renome, não tomarem pé na situação e fizerem uma auto-assepsia (sou publicitário e fizemos isso com a publicidade desonesta pela nossa própria auto-regulamentação, no Conar), tchau e bênção. E, pelo amor de Deus, que vocês façam isso sem aquele papo boboca e simplista de que isso é "censura". Censurem mesmo esses garotinhos que não vêem limite em nada, deveriam saber o que é se tivessem o bafo na nuca dos milicos nos 25 anos de redentora.
Nelson Machado
Ajuda da sociedade
Parabéns pelo artigo. Concordo que não é escondendo os fatos da sociedade que a violência diminuirá; ao contrário, as pressões dessa sociedade, exigindo trabalho e ações da polícia e das autoridades competentes, é que podem ajudar a coibir a criminalidade.
Marinete Veloso
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