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NOTÍCIAS DE UM SEQÜESTRO
Nada de recompensa

Fiquei pasmado ao ver hoje na TV o deputado Afanazio Jazadji, no programa da Sonia Abrão, afirmar que o governador de São Paulo se negou a pagar a recompensa pela denúncia que levou ao esclarecimento do caso Olivetto. Em quem podemos confiar? Se não fosse o guarda Bueno e a estudante de Medicina que ajudaram na solução do caso, a polícia ainda estaria batendo cabeça para encontrá-lo. Ainda bem que não moro mais em São Paulo. Com todos os problemas, o Rio ainda está melhor.

Gil Menegoli

 

Politicamente correto

Excelente artigo, posição politicamente correta.

Colbert Martins Filho

 

Polícia é figurante, e JT vai atrás

No dia 6 de fevereiro, me deparei com a frase "Exclusivo: como foi salva a vida de Olivetto", como manchete de primeira página do Jornal da Tarde. "Legal, deve trazer mais detalhes de como a estudante teve a presença de espírito de usar o estetoscópio para ouvir melhor", pensei. Mas, para minha surpresa, a matéria dizia que a vida de Olivetto fora salva – pasmem! – pelo delegado que interrogou Maurício Norambuana. Segundo o jornal, o delegado conseguiu "convencer" o líder dos seqüestradores a libertar o publicitário.

Como se sabe, o publicitário não foi libertado coisa nenhuma. Foi abandonado dentro de um cubículo, sem luz e sem ar. Se dependesse das investigações da polícia, Olivetto ainda estaria em poder do bando. Afinal, nem o guarda municipal de Serra Negra que, desconfiado, começou a investigar por conta própria a casa alugada pelo bando, nem o dono do imóvel, que achou estranho e denunciou, nem a moça que "descobriu" Olivetto no cativeiro e nem o próprio Olivetto, que se virou para conseguir abrir uma fresta para respirar, fazem parte da Polícia Militar ou Civil de São Paulo.

A polícia de São Paulo está desmoralizada e é evidente que faz de tudo para usar o "final feliz" do caso Olivetto – mesmo tendo participação de figurante na elucidação do caso – para ganhar prestígio, ainda mais num ano eleitoral em que a segurança pública deve ser o carro-chefe dos discursos políticos devido aos últimos acontecimentos. E é mais evidente ainda que, para isso, a polícia e o governo de São Paulo estão contanto com a colaboração do Jornal da Tarde e do Estadão – do mesmo grupo. Mas não precisa exagerar. O leitor não é tão burro quanto eles pensam e isso só prejudica a credibilidade do próprio jornal. Tentar vender a idéia de que a vida do publicitário foi salva pelo delegado no interrogatório é, no mínimo, cômico.

Fernando Alécio, repórter do Diário do Litoral (Itajaí,SC) e correspondente da Don Balón (Espanha)

 

JT, jornalismo interativo

Como é possível acreditar na idoneidade de um veículo de comunicação que apresenta três versões para um mesmo fato? Pelo que parece, está apostando em um novo conceito de jornalismo, o interativo, no qual o leitor escolhe a versão que melhor lhe convier.

O que se espera, no mínimo, é um jornalismo objetivo, direto e fiel à realidade dos fatos, e não esse pouco caso com o leitor, demonstrado pelo Jornal da Tarde. Eu realmente não entendo essa postura adotada pelo JT. Será que não conhecem a expressão "respeito ao leitor? Já estou ouvindo as palavras de ordem gritadas pela população enlouquecida em manifestações: "O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo e também os jornalecos e jornalões!" Sei que não tem rima, mas seria muito bom se a sociedade brasileira se desse conta da falta de ética da nossa imprensa e exigisse uma postura digna.

Também sei que não somos os argentinos que brigam, literalmente, por um país melhor e mais justo, é utopia achar que o povo brasileiro seria capaz de deixar suas grandes causas e afazeres – como assistir a Casa dos artistas, Big Brother e aos amistosos da Seleção Brasileira – para exigir uma imprensa melhor para o nosso país. Não, realmente, seria sonhar demais.

O fato é que, se não fosse este Observatório, não saberíamos nunca dos disparates cometidos pela imprensa, e continuaríamos à mercê dos jogos de interesse e da falta de bom senso. O grande problema é que o papel da imprensa não está bem definido nessa virada de século: uns acham que seria só informar, outros que é investigar e denunciar, mas ao certo ninguém sabe. Nem os próprios profissionais, que estão com a síndrome de Clark Kent: querem dar notícia e serem notícia.

Antes de seguir um manual de estilo de cada redação, seria bom criar um "Manual de Postura e Conduta Jornalística", porque manuais sobre ética só são lidos enquanto se está na universidade. Já que ela, a ética, está sendo deixada de lado, que sigam o "Manual de Como ser Jornalista em 10 passos", quem sabe assim haveria um jornalismo de qualidade e sem sensacionalismo no Brasil.

Ana Paula Canela

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