Edição de Marinilda Carvalho

Esta edição está repleta de cartas de leitores que contestam, acusam, reclamam e reivindicam. Um perfeito Observatório do Leitor.

No "departamento de humor", destaco a carta em que o missivista pede a privatização da Veja, pelo bem da revista, do governo e do Brasil. No "departamento do terror", o holofote cai sobre a mensagem "Bonde do tigrão" – um assunto que tomou de assalto as rodas de conversa dos cariocas.

Se o fato contado pelo leitor não for mais uma das muitas lendas urbanas do Rio, a mídia, o governo e a polícia precisam se movimentar urgentemente.

Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens, recebidas por e-mail ou fax, assinadas com pseudônimo. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.



JORNALISMO FITEIRO
Viva o gravador!

Acredito que a imprensa não deva se basear apenas nos minigravadores para ter matéria. Mas eu não acredito que "a mídia deveria ser um filtro rigoroso das denúncias mas converteu-se em mero reverberador de fofocas. Ganha qualquer parada política quem melhor manipula a repercussão de uma fita", como diz o autor do texto. Agora, uma pergunta: sabendo-se, antecipadamente, de um escândalo, como fazer sem o tão criticado "gravador"? Quem hoje, a não ser o repórter, tem a coragem de colocar, literalmente, a cara para bater, arriscando assim o emprego? Respeito profundamente o autor, mas discordo do pensamento de que o repórter tenha que ficar como um cordeiro sentado esperando as informações oficiais. Além do mais, jornalista que não tem matérias especiais tem que procurar outro emprego. Sou jornalista, acho vital o uso de gravadores. Um abraço e não parem com esse trabalho.

Rogério Panda, repórter do caderno Cidades de O Estado de S. Paulo



Viva a futrica!

Seu comentário é absurdamente isento de percepção política. E, pior, isento também de um mínimo de senso de história. Sua crítica é ao gravador e à possível ação futriqueira de um procurador. Enfim, mais uma vez – como tem feito a grande imprensa nacional – leva o sofá para o corpo de jurados.

De que é feito o bom jornalismo? De verdades, de provocações. Como diz Millôr, imprensa é oposição, o resto é armazém de secos e molhados. Ora, o que temos aqui? Um dos dinossauros deste país, alguém que esteve presente em todas as grandes ações contra o povo brasileiro, a começar da ditadura militar. Alguém que sempre se comportou como um coronelzão na política, alguém que participou, em definitivo, de todas armações que se conhecem no Brasil visando interesses particulares dos seus grupos. Esta mesma pessoa que, quando foi ministro das Comunicações no governo Sarney, distribuiu mais de 1 mil concessões de rádio e televisão para garantir a ampliação do mandato do seu chefe.

Pois bem, Antonio Carlos Magalhães fez junto aos procuradores aquilo que fez a vida inteira: futrica, intriga, fofoca, maledicência, dos amigos e inimigos. Porque este é o seu estilo. Porque é isto que ele entende de política.

Há certos momentos, permita lhe ensinar, em que o jornalismo deve ser grande. E ele é grande quando foge às regras – às regras de etiqueta, de compostura... Isto ocorre muitas vezes com as grandes pessoas. Tem momentos em que a pessoa pensa: se eu fizer isso quebro uma regra, mas é bom que seja assim. E foi o que Luiz Francisco fez. Se ele errou em gravar a entrevista desta coisa chamada ACM, que bom para o país, para a nação, para o Brasil. Que bom que o Brasil inteiro está conhecendo o que todo mundo da imprensa sabe, mas costuma calar. E cala porque ACM, como outros do poder, é uma grande fonte de informações. E fonte (você deve prezar esta regra) não se entrega de bandeja.

Mas agora é a hora de fritar ACM. Não porque há uma campanha contra ele. Mas porque ele é o que é. Se houver campanha contra ACM, que ótimo. Se não houver, paciência. O importante é que todo mundo fica conhecendo quem ele é.

Você critica o jornalismo que divulga fita. Critica o procurador que revela o teor das falas de ACM. Mas, as falas são verdadeiras? Claro que sim. Então, qual é o problema? O problema é que parte da imprensa defende ACM, e, portanto, o restolho de tudo que não presta em política no país. Você, pelo visto, citando regras profissionais e o que existe de pior na instituição do jornalismo, já se posicionou. E, infelizmente, do lado de lá. É pena.

Mas o que mais me envergonhou – eu que sou jornalista também – foi a citação do artigo medíocre, grosseiro, estúpido do colega Márcio Moreira Alves n’o Globo. Além de seguir sua linha de pensamento ele comete o pior: chama as procuradoras de prostitutas! Por que ele faz isto? Qual o motivo? Não consegui descobrir usando de bom senso. Imagino que foi sua ira diante do fato de ACM estar sendo "agredido" e precisava de quem o protegesse. E usando da baixaria, da lama que ele, eles, sabem usar.

Alberto Dines, é lamentável que seus 10, 20, 50 anos de imprensa sejam jogados na lama na tentativa de defender alguém como ACM.

Dioclécio Luz, jornalista



Alberto Dines responde:

Seu comentário peca pela base. E faz avultar a gratuidade das agressões. Em nenhum momento comentei os procedimentos do procurador Luiz Francisco. Ao contrário, fiz questão de reafirmar que não discutiria a legalidade da gravação ou o desempenho do MP. Muito menos o teor da conversa. O propósito do meu texto era discutir o fetiche da fita, o jornalismo preguiçoso que fica esperando uma gravação incapaz de buscar comprovações. Leia o comentário de Luis Nassif nesta edição. Leia a controvérsia nos jornais e revistas dos últimos dias em torno da diversidade de transcrições e verifique que em matéria de leviandade e prejulgamentos o ilustre observador ganha disparado deste que assina. A.D.



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