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JORNALISMO FITEIRO
Controle do MP
Gostaria de parabenizá-lo pela coragem em que enfrenta os "gigantes" da imprensa brasileira. Cada um faz aquilo que conhece e para o que se preparou, por isso, como advogado, não tenho como comentar o funcionamento interno da imprensa. Na minha área de atuação, posso analisar o funcionamento da Procuradoria Federal. Aonde irá parar o poder destes senhores, quais são os instrumentos de controle para suas atuações, como defini-las? O que não pode existir é o poder absoluto e concordo que deveria haver punições para abusos de poder e autoridade. Acredito na possibilidade de haver controle no funcionamento dessa instituição tão importante e na imposição de limites aos senhores procuradores com uma corregedoria forte e independente, formada por integrantes do Poder Judiciário, juízes, advogados, procuradores, também concursados para tal atividade e ligados ao Ministério da Justiça.
Os interesses pessoais nas questões públicas atrasam o Brasil e comprometem as chances do nosso país, quem sabe um dia, se tornar uma verdadeira nação justa e igualitária.
Marcio Moretti
Pecado antigo
Além de não ser pecado novo, não são apenas as fitas que entorpecem o jornalismo nacional. Esta tendência começou com grande impacto nacional, e criticada por este O.I., pelo abuso de câmeras escondidas da Rede Globo. Tornou-se normal levar câmeras para invadir a privacidade de cidadãos que, sem direito de defesa, tornavam-se no dia seguinte inimigo público nº 1 no Jornal Nacional. Nada se investigava sobre quem os contratava. Até hoje as fitas do famigerado Sr. X da Folha de S. Paulo não mostraram a que vieram, apenas que existia compra de votos, mas a reportagem não teve a necessária seqüência. Faltou divulgar algo que César Maia repetia na ocasião: se alguém vendeu votos, tinha quem comprasse. Não sabemos até hoje quem comprou os votos, nem foi detalhada a omissão do Congresso sobre a investigação dos fatos relatados por uma CPI da compra de votos.
É divulgado como jornalismo investigativo ter acesso a gravação de voz, fotocópias de documentos, imagens, sem efetiva investigação que os acompanhe para mostrar em que contexto se encontram as informações, qual é a sua real importância, basta empregar a tecnologia para substituir a verdade sobre os fatos, como é mais recente exemplo o constrangedor caso das fitas da IstoÉ.
Mas a IstoÉ, apesar de ter dado início ao barulho sobre as conversas dos procuradores com ACM, não fez o devido dever de casa investigativo. Não precisavam de fitas, mas verificar que reunião tinha ocorrido. Se foi encontro formal, de um senador com três procuradores, os três têm o que no jargão jurídico é denominado "fé de ofício" quanto a provas por eles coletadas. Se o procurador, no exercício de sua função, constatou determinado evento, seu depoimento terá valor como prova sem a necessidade de uma fita cassete.
Que este constrangimento pré-tecnológico/pseudo-investigativo seja gravado por todos que já dedicaram reportagem de capa, primeira página, a uma gravação exclusiva, aqueles que já ocuparam comerciais de diversos programas de televisão informando que teriam imagens sensacionais. Gravado e reproduzido.
Sérgio Coutinho
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