JORNALISMO FITEIRO
Jornalismo de desconversa I

Que mulher digna a procuradora Ana Lúcia Amaral! Que lucidez! Enquanto isso, a Veja escancara em sua capa desta semana, numa homenagem, por certo, ao Dia Internacional da Mulher, uma manchete alardeando o homem dos nossos sonhos: rico e sarado. Que história é esta de colocar assim o nome das mulheres sem nos consultar primeiro? Exijo respeito. Meus paradigmas são outros, minhas prioridades não dispensam o prazer, mas incluem dignidade e integridade, substantivos nem sempre atrelados a quem tem muito dinheiro e a quem prefira academias a livrarias. Há um tempo, era divertido ler (apenas) o outdoor semanal da Veja. A revista não da(va) para abrir, mas eram criativos os outdoors. Agora, nem isto. Que nojo.

Mírian Macedo, São Paulo



Jornalismo de desconversa II

A leitura do texto da procuradora Ana Lúcia Amaral me deixou emocionado. Está à altura da qualidade e da coragem do O.I..

Nelson Sakae, Curitiba



Jornalismo de desconversa III

Ana Lúcia Amaral, como sempre, fez a restauração de um fato com perfeição. No Brasil, espera-se que quem procura agir pelo dever seja incorpóreo, sem desejos, santo. Como um suave anjo vingador, sem a fúria de Cristo ao expulsar os mercadores do templo. Alguém que, além de apontar o crime, dignifique a virtude, para que tenhamos a certeza da verdade. Esperamos que alguém possa nos apontar o que é certo, ético, uma vez que não queremos ter o trabalho de pensar, mas que não seja humano, pois assim poderemos nos desculpar de sermos tão pouco éticos, alegando nossa "humanidade".

O "pecado" de Luiz Francisco foi, portanto, ser humano e mostrar-se como humano: alguém que sente raiva e medo. Tristes de nós brasileiros que procuramos heróis, não para copiar-lhes a ação baseada na verdade, mas para nos desculparmos por nossa mediocridade. Luiz Francisco pode ter certeza de que muitos brasileiros o compreendem e admiram. Em seu lugar, eu também gravaria aquela conversa e a traria a público.

Vera Silva



E a urna eletrônica?

O engenheiro Brunazo, do Fórum do Voto Seguro <www.votoseguro.org> afirma há muito tempo que a votação eletrônica brasileira é extremamente vulnerável a fraudes diversas, sendo uma delas exatamente a que ocorreu, supostamente, no painel do Senado (vinculação do voto ao eleitor). No caso da urna eletrônica, ela se daria por uma alteração do programa original e é possível porque o terminal que identifica o eleitor e libera o sistema para o voto está conectado à urna. Ainda de acordo com o engenheiro, a validação do programa ficou restrita, por motivos de segurança, a um órgão do Executivo (que pode ser considerado, eventualmente, parte interessada), vedado o acesso público ou de representantes dos partidos.

A questão é: se aconteceu no Senado, porque não no TSE? Ou, no mínimo, por que correr o risco?

Murilo Pinto



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Jornalismo de desconversa – Ana Lúcia Amaral



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