VEJA
Privatização já!

Recebi a seguinte corrente:

"Diante do sucesso inquestionável do programa de privatizações do governo FHC – hoje, qualquer brasileiro pode ter telefone celular –, chegou a hora de dar um passo além. Urge que se entregue à iniciativa privada uma instituição que só tem atrapalhado e colocado por terra todo o esforço do governo do Brasil em busca de credibilidade. É o calcanhar de Aquiles do programa de privatizações e, por extensão, do governo do presidente Fernando Henrique. Estamos falando da revista Veja.

É preciso privatizá-la, antes que ela leve o governo à bancarrota. Por isso criamos o MNPPV, ou seja, o Movimento Nacional pela Privatização de Veja. Num mundo globalizado e de mercado livre, é inadmissível que o governo brasileiro mantenha uma revista, com alguns dos jornalistas mais bem pagos do país, apenas para lhe tecer loas e atacar ferozmente seus adversários. Para isso já o existe a Radiobrás, a Voz do Brasil, o Congresso Nacional e o Diário Oficial.

Neste governo, Veja se enquadra com perfeição no conceito de duplicidade de funções. É uma espécie de Diário Oficial em papel couchê, colorido e mais bem-acabado. Não há razão para sua existência como instituição oficial. Privatizada, Veja e, por extensão, o governo FHC só teriam a ganhar. Veja teria, pelo menos, um pouco de credibilidade quando fizesse matérias contra Itamar Franco, o PT, o MST ou qualquer outro imbecil que se oponha a FHC.

Hoje, como revista oficial, Veja não é levada a sério, é ridicularizada e motivo de chacotas. Portanto, para o bem de Veja e do governo que sustenta, ou vice-versa, privatização já. Se você concorda que Veja deva ser privatizada, retransmita essa mensagem. O Brasil agradece."

Pela transcrição,

M. Trisch



Dieta x rebelião

Chamou-me a atenção a capa da revista Veja número 1.689, que apresentava uma reportagem sobre dieta, como se não tivesse acontecido nada de importante no país que merecesse mais destaque do que a mencionada reportagem sobre "como emagrecer".

A edição data de 28 de fevereiro de 2001, portanto, a primeira da revista após as rebeliões nos presídios de São Paulo, fato que tomou conta das manchetes da imprensa não só do Brasil, como também do exterior. Na revista havia uma reportagem sobre as rebeliões, porém, nenhuma chamada na capa. O fato de o governo do estado de São Paulo, administrador dos presídios, ser governado pelo PSDB, o partido do governo federal, cujos inimigos são costumeiramente atacados pela revista, com certeza não deve ter nada a ver com a decisão do editor da revista em não colocar nada sobre as rebeliões na capa da Veja.

De qualquer forma, fica a pergunta no ar: se, por exemplo, as rebeliões do dia 18 de fevereiro tivessem acontecido nos presídios do Rio Grande do Sul, estado governado pelo PT, será que a capa da edição de Veja também teria sido tomada integralmente pela reportagem sobre dieta, sem nenhuma chamada para o assunto?

Fernando Alécio



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