FOLHA
Um título "duca"

A própria ombudsman da Folha anotou esta em sua crítica diária, no dia 9 de março. Sem dúvida, trata-se de um título "duca". Acredite se quiser

Título na edição nacional de Cotidiano (pág. C-4): "Descascar alho é atividade comum em MG".

Guilherme Meirelles



Com Collor ou não?

1) No caderno especial "Tudo sobre a Folha", do dia 18/2/01, na pág. 6, Mario Sergio Conti escreve: "Seja como candidato, seja como presidente, Fernando Collor de Mello sempre considerou a Folha um jornal inimigo."

2) Hoje (3/3/01) Luis Nassif escreveu, em sua coluna no caderno Folha Dinheiro: "De maneira geral a grande imprensa utilizou o mesmo procedimento (embarcar na candidatura de Collor), com exceção da Folha, que desde o início foi crítica da candidatura alagoana."

Considerando que Octávio Frias de Oliveira falou em entrevista à sua excelente coleção "Histórias do Poder" que a Folha via com simpatia a candidatura de Fernando Collor de Mello, quando questionado se a Folha se posicionou a favor de Collor, é uma grande contradição os jornalistas da casa não assumirem esta posição. Seria uma jogada de marketing para nos fazer crer que o jornal foi contra Collor "desde o início" (uma falácia)?

Jonas Medeiros



GLOBO NO CARNAVAL
Mazurca do mouro doido

A primeira escola de samba a entrar na passarela no Rio, este ano, veio com um tema "histórico", em que um mouro saía de Granada, na Espanha, na ocasião da expulsão dos mouros e judeus, ia a caminho de Meca, na Arábia, naufragou, foi salvo por um judeu (capitão, mercador?) e veio parar nos Palmares de Zumbi, alguns séculos depois. O locutor da TV Globo, em toda a sua sapiência, confirmava que se tratava de um fato histórico, com um pouco de fantasia, mas histórico.

Ora, até quando vamos ter de ouvir insanidades desse tipo num veículo de massa que – tudo bem – está no Terceiro Mundo, mas faz questão de nos arrastar para o quinto? Outra coisa: na homenagem ao Sr. Abravanel, na Avenida do Samba, homenageava-se, à maneira da burrice nacional, as "origens" gregas daquele senhor.

Será que alguém não se deu ao trabalho de pesquisar que de grego esse senhor não tem nada e que seus antepassados podem ter vivido na Grécia, mas seus costumes, usos e língua remetiam à época em que, esses sim, foram expulsos de Granada, na Espanha? O fato, até recentemente, de alguém nascer na Grécia não queria dizer que esse alguém fosse grego: poderia pertencer à miríade de povos que viviam sob o domínio dos otomanos – aqueles do sofá – até o começo do século passado. Eu sei que é duro exigir esses detalhes de pessoas "mediáticas" (desculpem o galicismo), mas agüentar tanta ignorância quando se trata de fatos históricos... Mesmo no carnaval fariam o nosso Stanislaw voltar a esse rincão perdido da civilização, só para azucrinar ainda mais.

Marcelo Kahns



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