14/05/2003

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Edição de Marinilda Carvalho

Os leitores fizeram da reforma da Previdência o destaque desta edição. A maioria se queixa da cobertura da imprensa. É necessário que se reconheça: a mídia dedica mais tempo e páginas à brigalhada interna da bancada petista do que a informações que ajudem o leitorado a entender o tema.

Mas... estará o leitor realmente desinformado? Os jornais publicam catataus de matérias, artigos, esclarecimentos sobre a reforma.

Um fato curioso salta à vista: a maioria das queixas parte do funcionalismo público, isso não se pode negar. O leitor Marco Antonio do Nascimento Sales, por exemplo, diz que o PT mente e a mídia não desmente. Como servidor ele mesmo, deixa entretanto de lado detalhes cruciais sobre a previdência do funcionalismo público.

Por exemplo, ninguém – nem imprensa nem leitores, muito menos servidores – fala da contribuição, entre 70% e 80%, que instituições do Estado depositam em fundos previdenciários, cabendo ao servidor apenas 20%. Prática aceitável em empresas que obtêm lucros? E nas instituições não-produtivas, como justificar tal despesa do Tesouro?

Se alguém tem direito a reclamar nessa polêmica é o barnabé, servidor mal-organizado em sindicatos, mal representado na mídia.

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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.

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REFORMA DA PREVIDÊNCIA
Não mudar é fácil

Não tenho suficientes informações para opinar sobre o tamanho do déficit ou o tamanho do problema na área da nossa previdência. Para mim, o raciocínio é bem mais simples: como os demais países agem nessa área? Há alguma semelhança conosco, ou somos (de novo) os únicos com os passos certos? De qualquer maneira que se olhe, creio que isso daí (a brigalhada e o excesso de "desinformação") é um jeito de levar avante alguns acertos que se fazem necessários. Se no futuro próximo houver superávit na previdência, fazem-se ajustes e pronto! Bem fácil é não querer mudar nada.

Ademir João Peruzzolo

 

Vs. Senhorias nada sabem

Tenho estado deveras espantado com as colocações da imprensa sobre as reformas, principalmente a da Previdência, pois, não percebo a intenção de "informar", mas sim, o objetivo de simplesmente formar a opinião dos cidadãos, omitindo e, o que é pior, mentido sobre quais são os verdadeiros problemas da Previdência pública no Brasil.

Para início de conversa, cabe ressaltar que a "conta" orçamentária referente aos trabalhadores públicos é uma, a dos trabalhadores das empresas privadas é outra. Ou seja, no caso do trabalhador público, quem paga é o Tesouro Nacional; a do trabalhador privado quem paga é o Ministério da Previdência, por intermédio de seu INSS.

Em segundo lugar, os trabalhadores públicos do regime próprio de previdência contribuem com 11% sobre o total bruto de seus vencimentos. O que significa dizer que, se um servidor ganha R$ 5 mil recolhe mensalmente cerca de R$ 550. Quanto maior o salário, maior é a contribuição!

No caso dos trabalhadores privados, aqueles do regime geral de previdência, os valores de contribuição são diferenciados em percentuais, chegando até os 11% também, mas, limitados até o teto de R$ 1.561,56. O que isso quer dizer? Um trabalhador que ganhe o mesmo salário do servidor público acima exemplificado, ou seja, R$ 5 mil, só descontará para a previdência o valor fixo de R$ 171,77, que corresponde aos 11% do teto.

Tal fato pode demonstrar que o servidor público sempre pagou "caro" para ter sua aposentadoria integral, sendo este o único benefício que ele tem quando passa à inatividade. Não é como o trabalhador privado, não tem direito a FGTS e nem aumentos representativos de sua respectiva categoria, pois o servidor público vive nas mãos dos governantes, que dão os reajustes que querem, não respeitando nem mesmo os índices inflacionários, como foi o caso agora do governo Lula, que deu 1,0% ao funcionalismo (que aumento, não é? Da para fazer muita coisa, tal como comprar "duas balas juquinha" no trem da Central do Brasil!).

Isso é apenas uma pequeníssima argumentação sobre as mentiras que o PT vem propagando. A reforma previdenciária já ocorreu em 1998, com a Emenda Constitucional nº 20, a qual vem sendo desrespeitada pelo governo federal, mas cumprida na íntegra pelo servidor. O que o governo Lula quer é somente "seqüestrar poupança", como o Collor fez, só que de maneira mais sutil, porém, não menos perniciosa.

Marco Antonio do Nascimento Sales

 

Nova ditadura

A nova ditadura implantada pelo PT sobre seus próprios integrantes traz preocupação pelo que possa vir a acontecer. A expulsão do partido é uma das soluções para os que têm opiniões dissonantes. O que parece ter sido esquecido após a eleição do presidente Lula é que os problemas citados pelos dissidentes são os mesmos apontados há tempos pelos que hoje os condenam, como as reformas da Previdência e tributária.

E essa ditadura, que já ultrapassou o campo político, está passando para o campo ideológico, o que é mais grave. Ao mesmo tempo que um parlamentar é impedido de votar no que acredita ser correto, e passa a ser conivente com os ideais dos chefes do partido, está ao mesmo tempo traindo os milhares de eleitores que depositaram nele sua esperança.

(...) A imprensa, que tem o dever de informar a população, mais uma vez não está cumprindo com sua obrigação, prejudicando o andamento democrático da nação. Parece que a simpatia de alguns meios da mídia pelo PT não deixa que esses "profissionais" exerçam sua função corretamente. E como ficam os eleitores numa hora dessas? Ficam sem saber de nada, ou sabem apenas superficialmente, do que anda acontecendo. Como no caso das reformas. A bursite do presidente, o pé quebrado do ministro e as peladas na Granja do Torto merecem mais espaço nas manchetes.

E o Fome Zero, como anda? Não sei. Acompanho diariamente as notícias. (...) E o máximo que pude encontrar foi a polêmica sobre o cheque da Gisele Bündchen ou a coleira doada pela emergente Vera Loyola. Se alguém souber de alguma coisa, por favor, me fale. Enquanto isso vou continuar a minha guerra diária por alguma informação.

Matheus Lombardi

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