14/05/2003 2/8

Envie para um amigo  Procure no arquivo

REFORMA DA PREVIDÊNCIA
Cansada de argumentar

Prezado professor Muniz Sodré, é tão conveniente ler algo de esclarecedor sobre a complexa questão da previdência... sinto-me muitas vezes cansada de tentar argumentar contra a reforma, pois sou funcionária pública, e a acusação de corporativismo é muito forte. Nem sei como agradecer, imprimi seu texto e vou distribuí-lo aonde quer que eu vá, além de estudá-lo com maior atenção ainda.

Wilma Pessôa

 

Muito mal pagos

O artigo resume muito bem a forma como vem sendo abordada a questão da previdência e, sobre essa abordagem, o que choca é ver jornalistas de prestígio (?) como Paulo Henrique Amorim, Beting, Boris Casoy, Dora Kramer, Leitão e outros comprarem no bruto a questão da forma como ela tem sido vendida pelos governos, começando pelo Collor, que caçou "marajás" de dois salários mínimos mensais, cabos eleitorais da politicalha alagoana, e no último dia da sua gestão de governador assinou a contratação de 4.500 funcionários, passando pelo FHC, que vivia confraternizando com a Fenaseg (relação óbvia!) e, agora, o PT, todos portadores da prepotência da ignorância.

Durante vários episódios marcantes e recentes da política internacional, como a crise da Argentina, a "guerra" Israel x OLP, a guerra USA x Iraque, foi possível observar como muitos comentaristas políticos repetem sem a menor crítica e sem qualquer conhecimento da história aquilo que é passado pelas agências internacionais ou publicado em jornais de outros países.

Simplesmente "cortam e colam", não têm base cultural, conhecimento histórico remoto nem leitura sobre a história recente (em décadas), que evoluiu para os fatos em pauta, repetindo todos os mesmos chavões. Se isso é feito pelos jornalistas veteranos, respeitados pelo público em função de sua própria ignorância e porque estão permanentemente visíveis numa mídia pobre, que estará acontecendo com os mais jovens? Devem estar iguais ao PT, achando que o mundo começou quando eles fizeram a primeira barba.

Estamos muito mal pagos, de jornalistas e de governos.

Silvia Levy, Rio de Janeiro

 

Conta impossível

É impressionante a passividade da imprensa brasileira ante a forma superficial com que vem sendo tratada a reforma previdenciária. Discute-se "o sexo dos anjos", quando é público e notório que é impossível obter o controle da previdência social sem que seja corajosamente atacado o verdadeiro problema do sistema, qual seja, os altíssimos valores de aposentadoria pagos a alguns poucos "marajás", o que inviabiliza a saúde financeira do programa. Em vez de ficar buscando fórmulas mirabolantes para que seja conseguido o aumento da arrecadação previdenciária, para obter o equilíbrio entre o aporte e a saída de dinheiro do sistema, chegando ao cúmulo de pensar na possibilidade de taxação dos aposentados, os tecnocratas de plantão deveriam ter a coragem de atacar a verdadeira causa do desequilíbrio das contas da previdência, a partir do reconhecimento de que é impossível continuar convivendo com a esdrúxula situação em que 20% do dinheiro arrecadado são utilizados para pagar 80% das aposentadorias, enquanto 80% do total da arrecadação são gastos no reembolso das aposentadorias de apenas 20% dos pensionistas.

Buscar qualquer solução sem encarar de frente essa realidade é, mais uma vez, fazer com que a corda arrebente do lado mais fraco.

Júlio Ferreira, Recife

Leia também

A metonímia enganadora – Muniz Sodré

Mande-nos seu comentário


Observatório | Índice da edição | Busca
Objetivos | Purposes | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe