14/05/2003 8/8

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TV CULTURA
Pra viagem sobra verba

É vergonhoso ver como um governo do Sr. Alckmin pode ser irresponsável, deixando a TV Cultura ir à falência, enquanto gasta milhões em verdadeiros trens da alegria, viagens dadas às escolas por conta do governo do estado, que logicamente são feitas por apenas uma única agência de turismo. Viagens que são na maioria para fora do estado, trazendo mais desemprego aos paulistas. Os jornalistas nada investigam, com imprensa ordinária não se faz uma grande nação.

Em 2002, várias escolas foram premiadas com viagens a vários estados brasileiros (Santa Catarina, Bahia, Amazonas e outros); estas viagens foram dadas a professores e alunos das escolas que receberam a Faixa Azul, e também a escolas que venceram um concurso. No total, mais de 1.500 pessoas ficaram em hotéis cinco estrelas durante três dias, imagine o custo disso. Concordo que as escolas tenham prêmios por seu desempenho, considero a premiação um estímulo importante, mas há excelentes meios de se fazer isso sem desperdiçar dinheiro.

Tive informações de que apenas uma agência de turismo se enquadra nas exigências governamentais para as viagens. Se alguém se interessar em investigar isso, eu ficaria muito contente. Muita estranheza me causa o fato de essas viagens serem para fora do estado, quando há tanta falta de empregos em São Paulo.

Agora venho a saber que uma instituição como a TV Cultura está à beira da falência por falta de ajuda do governo. Isso me causa revolta. Posso dizer meu nome pois não sou professor ou funcionário público, que poderia ser alvo de represálias deste governo pseudo-democrata.

Wagner Couto Benedetti

 

POLÊMICA ANTIGA
Brasília desdenhada

Foi publicado no caderno A2 da Folha de S.Paulo dE 21 de abril, aniversário de Brasília, artigo que deveria ser estudado nas escolas de Comunicação do país. O jornalista Fernando Rodrigues comete sucessivos erros primários, para um jornalista profissional que trabalha em veículo de expressão nacional. Assim começa o artigo:

"É a capital federal. Na realidade, trata-se do interior de Goiás. A sucursal da Folha fica no centro. Há um shopping center em frente. É uma experiência almoçar lá. A barra da calça volta com carrapichos e o sapato sujo de terra. ‘Foi pescar?’, perguntam-me. ‘Não, fui ao shopping comer’, respondo. Brasília ainda tem uma infinidade de terrenos vagos na sua área central. Descampados com grama rala e terra à vista. Há poucas calçadas. A opção é andar no asfalto e correr o risco de ser atropelado."

É notório e evidente o desconhecimento básico do jornalista de uma cidade como Brasília. Todo o artigo é permeado por esse tipo de opinião, de quem não conhece ou que detesta a cidade. Seus argumentos são de uma profunda falta de profundidade. Parece que o profissional sentou em sua cadeira e começou a passar suas impressões sem responsabilidade nem ética. O que ele sabe sobre o plano urbanístico de Brasília? Suas conseqüências sociais, culturais e econômicas? Ele sabe que Brasília é tombada pela Unesco como patrimônio histórico-cultural da humanidade? E que por isso não são permitidas quaisquer alterações em seu traçado? E que os espaços abertos fazem parte do plano arquitetônico e urbanístico de Oscar Niemeyer e Lucio Costa, para que sempre se aviste o belo horizonte do Planalto Central?

Fica difícil entender o porquê dos comentários sobre os carrapichos e a questão do trânsito, visto que em Brasília, por exemplo, respeita-se rigorosamente a faixa de pedestre. É dispensável o comentário do jornalista de que, na cidade, é melhor andar no meio da rua. Em Brasília, diferentemente de outras cidades, o tráfego é extremamente veloz, o que impossibilita andar no meio da rua. Nas outras capitais, ao contrário, como não há espaço nas calçadas por causa dos camelôs, o sujeito é obrigado a andar no meio da rua.

Fernando Rodrigues afirma: "Não há identidade histórica com o local". Como não há? Não se pode ignorar o encontro de culturas de todo o país e do mundo (as embaixadas estão lá) existente em Brasília e o efeito deste hibridismo cultural, que por si só remodela e redimensiona o próprio espaço urbano. Então, umas dicas ao jornalista: ande mais, saia mais, leia mais sobre a cidade, converse mais com os brasilienses que são muitos, bote mais carrapichos em seus sapatos, suje os pés de terra e lama, não se plante dentro de uma sala minúscula de redação, pois, a prática jornalística não merece isso!

"Brasília está incompleta, talvez porque há poucos habitantes originais da terra. Só 43,94% dos candangos nasceram aqui. O resto veio de fora (27,87% do Nordeste; 1,47% da Região Sul). Muita gente está sempre chegando ou saindo." Outra demonstração de desconhecimento sobre Brasília: a cidade não tem centro e nem a população é candanga. Candangos são os pioneiros, os que vieram de outras regiões para construir a cidade. Quem nasce em Brasília é brasiliense. O artigo continua com uma série de erros crassos para um profissional da Folha. Talvez justificados pela pressa.

Qual é o trajeto de Fernando Rodrigues em Brasília? Limita-se a andar da sucursal para o Congresso e vice-versa? O jornalista não deveria se arriscar a escrever sem um mínimo de conhecimento. Brasília tem muitos defeitos, mas passam longe da superficialidade que demonstrou em seu artigo.

Gustavo Lucas e Marcos Fabrício L. Silva

 

FOTÓGRAFO ILUSTRE
Homenagem a João Quirino

A Prefeitura do Recife conta em seu quadro de colaboradores com um dos mais antigos fotógrafos ainda em atividade. Tendo começado a exercer suas funções em dezembro de 1953, no governo de Pelópidas da Silveira, o Sr. João Quirino do Nascimento está completando 50 anos de bons serviços prestados à municipalidade, tempo durante o qual fez o registro fotográfico do cotidiano dos últimos 16 prefeitos que administraram o Recife, tornando-se depositário do respeito e estima de todos eles. Invoco a atenção da imprensa e das autoridades pernambucanas para que não passe despercebido um fato de tamanho significado, não só pelas homenagens que um profissional exemplar faz por merecer, como também, e principalmente, para que não se deixe perder o inestimável acervo de conhecimentos retidos pela prodigiosa memória de seu Quirino, sejam fatos e "causos" que tenha presenciado, ou mesmo sua privilegiada visão quanto ao desenvolvimento tecnológico e estético da arte fotográfica, na segunda metade do século 20.

Júlio Ferreira, Recife

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