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DIPLOMA EM XEQUE
Direito ao trabalho

É incrível a quantidade de textos de professores de escolas de Jornalismo sobre o tema no OI. Por que não há um peso do outro da lado da balança? Dá até para assustar tamanha defesa do canudo por parte dos professores.

O fim da exigência do canudo é quase desnecessário, pois a imensa maioria que está entrando no mercado, à procura de emprego, já é formada em Jornalismo. É bem pequeno o número de profissionais não-formados atrás de emprego hoje. Não porque há a exigência, mas porque a seleção está sendo feita naturalmente.

Alguém por acaso sabe que, com salário de jornalista, não dá para pagar um curso de Jornalismo? O problema não está em não deixar gente competente atuar no mercado porque não tem o canudo. Há muitos jornalistas não diplomados, e são melhores que os diplomados. E há o contrário. O que há de errado nisso? Ninguém é igual.

O problema da exigência está em ela impedir o cidadão de ter acesso ao direito de trabalhar. (Sim, há os interesses corporativos, mas não são legítimos.)

O que penso é: se os professores de escolas de Jornalismo - por que eles não estão no mercado? - e alguns jornalistas não entendem sobre liberdade, não só de expressão, mas principalmente do direito ao trabalho, o que dizer dos veículos e das escolas em que atuam? Será daí o fato de os jornais brasileiros serem escritos para leitores ricos? Onde estão a função e a responsabilidade social da comunicação social? Que imprensa é essa, hoje?

Há muitos jornalistas que não estão na escola em busca do canudo porque não têm dinheiro suficiente para pagar as mensalidades das faculdades particulares de Jornalismo. E há bons jornalistas sem diploma obrigados a pagar escolas duvidosas, onde são melhores que os professores, somente para ter acesso ao canudo.

A discussão em torno do canudo só tem razão de ser quando é amparada na liberdade de expressão e no direito ao trabalho. No mais, é pura enrolação, pois a realidade do mercado é bem diferente do que muitos estão expondo. Por acaso alguém acha que repórter tem liberdade de expressão nos jornalões de hoje? Nem editor tem. A verdade é que liberdade de expressão só existe para os donos dos jornais. Talvez o fim da exigência possa contribuir para acabar com isso.

Francisco Siqueira, jornalista sem canudo

 

Alguns têm

Sou jornalista há 25 anos: repórter, redatora, redatora-chefe, chefe de reportagem. Jamais fiz curso de Jornalismo - graduei-me em Ciências Sociais/USP, além de uma extensão em Semiologia da Comunicação na ex-École Practique de Hautes Études, em Paris. Não, não estou mandando currículo. Mas trabalhava na Abril durante o dia e estudava Ciências Sociais à noite. Aprendi lide, fechamento, paginação, chamada de capa, saber o que é e o que não é matéria, título e all that jazz no dia-a-dia das redações. Treinei repórteres recém-formados à exaustão.

Mas... não tenho registro. E isso é sempre um problema, quando sou contratada. Problema sério, porque freqüentemente me impede de exercer o único ofício de que sou capaz para sobreviver. Todo mundo sabe - e aí reside uma enorme hipocrisia - que só sobrevive no jornalismo quem é capaz de pensar, organizar o pensamento em centímetros ou caracteres, torná-lo fácil de ler e, sobretudo, capaz de captar a notícia. Além disso, é preciso cultura geral, línguas e rapidez de raciocínio. Os grandes jornalistas têm tudo isso. Diploma de jornalista, alguns têm...

Ana Jover

 

O essencial foi esquecido

Tudo bem que os cursos de Jornalismo, mesmo das faculdades particulares, não têm condições de formar profissionais prontos e completos para o mercado e que as faculdades deveriam reformular suas grades curriculares, não para atender ao mercado, mas para visar uma formação humanística e cultural do futuro jornalista. Entretanto, simplesmente abolir a obrigatoriedade do diploma é um exagero e um absurdo.

O jornalista não precisa de 4 anos pra aprender a escrever, ele consegue isso com alguns meses em uma redação de qualquer tipo de mídia. Só que o jornalismo não é uma técnica braçal e repetitiva, onde se aplica o lead e pronto. Além disso, a função do curso superior não é essa. Aprendemos teoria da comunicação para entendermos para que estamos escrevendo, teoria da opinião pública para sabermos que somos formadores de opinião e capazes de manipular e quais as conseqüências disso, e principalmente estudamos não só a legislação como também a ética relacionada ao exercício da profissão de comunicador social com habilitação em jornalismo.

O que quer a juíza? Para garantir a liberdade de expressão ela deveria lutar pela democratização dos meios de comunicação, e não pelo enfraquecimento dos produtores da notícia enquanto classe profissional. Ela deveria garantir que todos pudessem alcançar o terceiro grau e com isso desenvolver uma leitura crítica da mídia e um posicionamento cidadão, e não reduzir os jornalistas a meros anotadores. Será que ela não percebe que a imprensa livre e de qualidade é uma das bases de toda sociedade democrática?

Luciana d'Anunciação, jornalista formada pela UFMG e professora das Faculdades Integradas de Caratinga/MG

 

Vamos derrubar

Como já dizia um velho amigo: cabeça de juiz é igual a bumbum de bebê. Quando você menos espera... Aqui em Mato Grosso, a classe jornalística se revoltou com a notícia. É um grande retrocesso, tanto para a categoria como para a cultura do país. Certamente quem precisa estudar um pouco mais é a juíza. Um abraço e vamos derrubar essa "liminarzinha".

Leonardo Paolo Venzo


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