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DIPLOMA EM XEQUE
Pela parceria escola-sindicato
Os sindicatos de jornalistas atribuem às faculdades de Comunicação a culpa por a profissão estar recebendo ataques como o que tenta extinguir a obrigatoriedade do diploma. Isso é verdadeiro, porque as faculdades de Jornalismo estão mais preocupadas em colocar os estudantes no mercado do que em formar profissionais completos, com conhecimentos de prática e de teoria. Mas os sindicatos também devem ser responsabilizados pela desconfiança com que a sociedade vê a atividade jornalística. O conteúdo de cada veículo de comunicação não passa simplesmente o trabalho bem apurado de seus jornalistas, mas notícias interpretadas segundo a visão de mundo do dono do veículo ou de quem o controla.
A conscientização de que o trabalho jornalístico está acima dos interesses do patrão, que lhe paga o salário, ainda escapa da compreensão de muitos jornalistas. E os sindicatos pouco têm feito para diminuir essa distorção. Os sindicatos têm combatido idéias que poderiam ajudar a elevar a formação do jornalista, como o provão para os formandos de cursos de Comunicação. Acham os sindicatos que o próprio mercado de trabalho saberá distinguir os melhores profissionais. Além disso, continuam a impedir o estágio, como se esse fosse o motivo para o crescente desemprego no mercado de comunicação. Várias outras profissões enfrentam retração no emprego e nem por isso suas entidades de classe fazem campanha para acabar com a única oportunidade que os estudantes têm de pôr o pé no mercado de trabalho. Afinal, o estagiário de hoje será o jornalista profissional de amanhã. Sindicalizado, esperamos.
Mas melhor seria se as faculdades de Comunicação, em vez de empurrarem seus estudantes para um aprendizado torto nas redações, estruturassem seus jornais- laboratório. Com o monitoramento de seus professores, os estudantes começariam a produzir conteúdo jornalístico de acordo com os verdadeiros preceitos da profissão, longe da pressão econômica do mercado. Algumas faculdades, como a Cásper Líbero, de São Paulo, dispõem de veículos de comunicação, mas não os destinam aos alunos entre outras coisas porque o trabalho dos estudantes ainda é ilegal. Isso impede que os estudantes aprendam de verdade, simultaneamente, a teoria e a prática, mostrando à sociedade e ao mercado que é possível produzir conteúdo jornalístico interessante e responsável.
Se sindicatos e faculdades de Comunicação passarem a se entender, será possível fortalecer a profissão de jornalista ante a pressão do mercado. Teremos profissionais bem formados, conscientes da importância e da responsabilidade do jornalismo, sindicalizados, unidos, defendendo os interesses da sociedade, e não escrevendo pautas segundo a cabeça do patrão.
José Nilton Calazans, estudante de Jornalismo, SP
Romantismo de redação
Caros senhores jornalistas (diplomados ou não) do Observatório da Imprensa: gostaria de lembrar que as "habilidades" listadas pela venerável juíza Carla Abrantkoski Rister tampouco são adquiridas no exercício da profissão de jornalista. Na verdade, qualquer um que tenha freqüentado uma redação sabe que o dia-a-dia do jornalismo não fornece a "formação cultural sólida e diversificada" que tanto se apregoa como indispensável à prática jornalística. Esse tipo de formação não se adquire por osmose, seja dormindo sobre um livro teórico ou atacando vertiginosamente um teclado de computador.
Tais qualidades dependem muito mais do que poderíamos chamar "uma opção intelectual" dos indivíduos, que adotam como projeto de vida aperfeiçoar progressivamente sua capacidade de reflexão. A briga é antiga e tem a ver com o estabelecimento de critérios adequados para se distinguir um bom profissional de um não tão bom. Desde que entrei para o curso de Jornalismo que ouço o argumento simplista de que o jornalismo se aprende fazendo. Isso é romantismo de redação. E a discussão sobre o diploma não vai avançar enquanto argumentos como esse estiverem operando no subsolo da argumentação.
O fato é que não temos critérios claros para definir um bom profissional de jornalismo, muito porque não conseguimos ainda pensar o jornalismo com um instrumental teórico consistente. Nas universidade ficamos discutindo se a comunicação é ou não uma ciência e, via de regra, os melhores alunos já entram prontos nas salas de aulas. Para se formarem, precisam desenvolver apenas uma quantidade monstruosa de paciência para chegar até o final do curso.
Por isso, exorto-os a discutirem o problema honestamente, isto é, coloquem em jogo seus preconceitos mais arraigados sobre o assunto. Como bem disse o senhor Alberto Dines, sob o guarda-chuva do problema do diploma esconde-se uma oportunidade rara de discutir o jornalismo como um todo. Isso se os jornalistas conseguirem ser mais profundos do que uma notícia de 30 linhas.
Daniel Christino, jornalista e mestre em Filosofia
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