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DIPLOMA EM XEQUE
Realidade bem cruel

A decisão da juíza Carla Abrantkoski Rister, em primeira instancia, que veta a obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista, mexeu com o cotidiano dos alunos das universidades particulares. Primeiro porque dá a impressão de que todo o esforço feito para pagar a mensalidade do curso escolhido foi em vão. Mas o que realmente incomoda é o preconceito de alguns profissionais em relação aos estudantes. Como exemplo pode-se citar trecho do texto de Alberto Dines que discute a validade do diploma:

"Greve nas universidade públicas - em geral as melhores -, tudo bem. Protesto contra o ensino deficiente nas escolas privadas, nem pensar. O investimento que fazem é para obter o canudo da forma mais rápida e com o menor esforço."

Caro Sr. Dines, a maioria dos alunos de universidades particulares protesta contra as péssimas condições de ensino. Antes de escrever tamanha barbaridade, você deveria ao menos ouvir o outro lado, algo que é ensinado na faculdade de Jornalismo. Os alunos não fazem greve nas escolas privadas porque a mensalidade paga é extremamente cara, e na concepção deles todo o dinheiro investido deve ser aproveitado. Como consumidores, os estudantes exigem melhores condições de ensino.

Neste semestre os alunos conseguiram pequenas vitórias, como a instalação de softwares utilizados nos laboratórios de informática e a compra de mais equipamentos para a área de Telejornalismo. As exigências não param por aí, mensalmente é discutido o desempenho dos professores.

A maioria dos alunos da universidade particular não está lá porque quer tirar seu canudo com mais facilidade, posso lhe afirmar que estes estudantes são minoria. Muitos tiveram o ensino privado como única alternativa porque as vagas da universidade pública são ocupadas por estudantes recém-saídos das escolas particulares. Isso não é mito, é uma realidade bem cruel!

Em vez de crucificar estes alunos, dando-lhes grande parcela da culpa pela mediocridade do jornalismo, o senhor deveria olhar todos os lados da questão. Isso começa com a falta de investimento na universidade gratuita, passa pela mercantilização do ensino e por último chega ao egoísmo de alguns profissionais. Estes não abrem mão de sua estabilidade, apóiam um sindicato que não permite ao aluno estagiar na profissão que escolheu, transformando-os em reféns de empresas que apenas querem explorá-lo.

Katiuscia Camila Dias, estudante de Jornalismo da Umesp

De médico e de louco...

Estive lendo a mensagem do Fabrício Francis e lhe dou os meus parabéns. Ele descreve, perfeitamente, o que penso sobre o assunto. Dou-lhe o maior apoio sobre a liberação da profissão da juíza. Afinal de contas, qualquer um que tenha lábia pode ser um advogado(a). Então, para que estudar por cinco anos em uma faculdade de Direito? Para que investir tempo, dinheiro e parte da sua vida para se estabelecer em uma profissão?

De duas uma. Ou reconhecem que o jornalismo requer sim habilidades específicas (como as habilidades do curso de Engenharia), ou liberam todas as outras. Afinal, de médico e louco, todo mundo tem um pouco.

Alcino Júnior, Minas Gerais

Prepotência e leviandade

Contra ius fasque. Contra todo o direito. Mais uma vez sobem as cortinas, e apresenta-se à platéia a prepotência do Poder Judiciário, avançando muito além de sua própria alçada, decidindo a vida e o destino de milhares. Não bastassem as dificuldades corriqueiras enfrentadas hoje em dia por qualquer profissional, levanta-se mais essa barreira. Na leviana leitura da Constituição Federal, realizada de maneira parcial e sem raciocínio (característica mister dos advogados e juristas brasileiros), estabeleceu a tutela referida.

Bem, para evitar incorrer no mesmo erro, analisemos este trecho da decisão da juíza Carla Abrantkoski Rister, da 16ª Vara Cível da Justiça Federal em São Paulo: "Outrossim, verifica-se também o problema de locais de escassa população, em que inexistem os profissionais com diploma, em que a atividade jornalística restaria comprometida, em detrimento do público, que tem o direito à informação (artigo 5º, inciso XIV, da C.F.)."

O citado inciso versa acerca da liberdade de expressão, logo pergunto: posso defender-me perante esse mesmo "egrégio" tribunal sem a presença de um advogado? Não? E isso não viola minha liberdade de atividade intelectual e de comunicação? Ah, entendo, os advogados cursam a mesma faculdade que a juíza, então seu monopólio deve ser mantido, ok.

Faço minhas as palavras do futuro colega Ângelo de Souza, concordando constituir verdadeira piada alguém de uma profissão que se orgulha em proferir palavras em uma língua morta, outras pedantes e de significado vazio e ainda neologismos, que nem mesmo nos mais renomados compêndios da língua poderiam ser encontrados. E mais, a obrigação de trajar indumentárias não condizentes com o clima do país, e tornar inacessível ao público o que dele deveria ser. Que são os tribunais? Casas da justiça, pertencentes ao povo, ou castelos e fortalezas de soberanos gordos e abastados, sentados o dia inteiro em uma cadeira para engrandecer seu ego?

Ainda que manifeste repúdio pelo poder jurídico brasileiro, não considero inútil sua existência, entrementes, parece-me que a recíproca não é verdadeira.

Carlos Matos, estudante de Jornalismo


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