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GREVE NAS UNIVERSIDADES
Ensino é terreno arrasado
Há outro aspecto a se comentar no comportamento da imprensa em geral no que se refere ao movimento grevista nas universidades, que vai muito além de faixas salariais e dos vencimentos dos professores, que transcende até mesmo a abrangência da greve (servidores federais no nível superior). Por incrível que pareça, o sistema educacional no Brasil jamais conheceu abandono tão drástico antes da Era Paulo Renato. Há uma nova lei, datada de 1996 (Nova LDB, Lei 9.495/96), que hoje se constitui no maior bastião do lema "educação é meu negócio". Basta ver o número de entidades privadas de ensino em todos os níveis. Além disso, a lei promoveu mudanças que ainda não vigoram na prática, o que não sei dizer se é positivo ou negativo. Há alguns aspectos na nova legislação que traduzem avanços? Pode ser. Mas jamais serão enquanto o fundamental, a qualidade do emprego dos professores, não for devidamente estimulada e valorizada.
Mais que ir aos "campi" das universidades, a imprensa deveria enviar repórteres a escolas de Ensino Fundamental e Médio para constatar o terreno arrasado, o deserto de idéias, a agonizante realidade de escolas, professores e alunos. Ou ao menos pedir aos seus colunistas e editorialistas que lessem o texto da LDB.
E tem gente por aí afirmando que os "avanços na educação" são pontos favoráveis da administração FHC. Como? Onde? O provão? O Enem? O aumento das matrículas? Ah, são sim medidas louváveis, mas não podem ter como objetivo apenas existirem... Mais alunos na escola, correndo o risco de até mesmo serem "deseducados" pela completa falta de estrutura do sistema educacional brasileiro – público, o que é mais grave, mas também no privado - em todos os níveis. E qual o aspecto positivo prático, quem ousa apontar um mínimo resultado concreto de tais medidas?
Cada criança na escola é indubitavelmente necessário e positivo. Mas qual o significado da palavra "escola"? A greve nas universidades, na verdade, é nada além de mero detalhe para o absoluto abandono do ensino público brasileiro nos últimos anos.
E "nós que aqui estamos por vós esperamos"...
Sérgio Luiz do Prado, São Bernardo do Campo, SP
Londrina parou também
Gostaria de acrescentar ao artigo de Muniz Sodré um comentário a respeito de outras universidades. A Universidade Estadual de Londrina está em greve já há 50 dias, juntamente com as outras universidades estaduais do Paraná. Nestes 50 dias de paralisação não li sequer uma nota a respeito em jornais e revistas de circulação nacional, nem assisti a nenhuma reportagem sobre o assunto. A UEL é uma das maiores universidades do país e sua paralisação interessa a todos que estão preocupados com o ensino brasileiro. Concordo com Sodré, a imprensa não dá a devida atenção às universidades públicas do país, e quando trata do assunto não esclarece o que realmente está acontecendo: tanto as universidades federais quanto as estaduais estão sendo sucateadas.
Paulo Beer
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