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MÍDIA & ELEIÇÕES
Sob o domínio do marketing

Será bem interessante acompanhar os políticos e sua relação com a mídia. Ainda é cedo, a campanha oficialmente nem começou, mas já podemos perceber algumas coisinhas. Roseana Sarney em suas propagandas aparece com voz macia, falando em direitos das mulheres (com certeza ela defenderá as mulheres, mas será da classe dela ou ela terá coragem de, entre outras coisas, legalizar o aborto?) e até dos gays. Quem olha não conhece o Maranhão, estado que Roseana governa. Com aprovação popular de 88%, graças em parte às poucas criticas que ela recebe da mídia local, governada por coronéis (como a própria Roseana, uma espécie de "coronel-de-saias"), Roseana está nas nuvens, até porque o Maranhão tem níveis sociais que deixariam a Etiópia com vergonha.

Outro é o Lula. Graças aos conselhos de seu novo marqueteiro (que também foi de Maluf), poderá aparecer sorridente para as câmeras e cor-de-rosa, como o novo PT de hoje.

Realmente, mais uma vez parece que as futuras eleições serão dominadas pelo marketing, em que os políticos serão vendidos como sabonete para uma população despolitizada. O PSDB que se cuide, porque se o governo FHC não melhorar vai ter que se contentar em ser vice do PFL, e aí não há marketing que resolva.

Carlos Alcântara, geógrafo

 

GLOBO vs. SBT
Que sucumbam as duas

Sabe o que mais? Que se danem as duas empresas alienígenas. Tanto a Rede Globo quanto o SBT abusam do grave desserviço de afastar nossas multidões das suas verdadeiras realidades brasileiras.

A primeira, entulhada de yuppies, mauricinhos, patricinhas e emergentes, insiste em incutir decepção e frustração à massa, seja "exigindo" falsos padrões éticos e políticos ainda raramente predominantes nas sociedades menos bárbaras e mais ricas de ouro, urânio e poder, seja apenas divulgando, com exclusivo interesse na elevação de suas receitas, as nossas mais graves mazelas sociais e políticas e ocultando, deliberadamente, nossas virtudes e sucessos. A segunda, pouco desenvolve. Vive da importação de produtos e modelos ultrapassados ou próprios de outros grupamentos sociais.

Que ambas se esfalfem à exaustão, de preferência sucumbindo aos verdadeiros interesses e necessidades do Brasil.

Sergio S. Lopes

 

FOLHA DE S.PAULO
Horóscopo dos mortos

Deonísio, fiquei sabendo que você me citou e me fez uma pergunta em seu artigo que está no ar à pagina <www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/al300520011.htm>. Não tem cabimento fazer horóscopo para os mortos, claro, embora seja muitíssimo interessante desvendar a maneira como algumas pessoas seguem sua trajetória simbólica nesta vida.

Bárbara Abramo

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Pauladas no glorioso maestro – Deonísio da Silva

 

Senador investigativo

O senador Roberto Requião e a Folha de S.Paulo publicaram na edição desta terça-feira, pela pena do jornalista Fernando Rodrigues, reportagem tecnicamente incorreta sobre o que seria um "Caixa 2" na eleição do ano passado para a Prefeitura de Curitiba.

O material sobre o qual o repórter fundamentou duas páginas e 10 dias de investigação é fotocopiado. Ele admite isso. Ora, sabemos que recursos de editoração eletrônica domésticos permitem que sejam forjados "originais" quase autênticos, quando não fotocópias de legitimidade bastante duvidosa.

O fornecedor dos originais também não é revelado na reportagem, embora o repórter cite que pode a qualquer momento ter acesso a ambos. Por que então não os mostrou?

No dia 22 de outubro, o senador Roberto Requião revelou em entrevista à Rádio Paiquerê, de Londrina, que entregaria à imprensa denúncias que levariam ao impeachment do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi. O fez pelas mãos de Fernando Rodrigues, que acredita ser autor de uma grande reportagem de investigação quando, sabemos, foi manipulado pelo senador em seu modus operandi mais corriqueiro - qual seja, o de disseminar violentamente grosserias (chamou sua mulher de "burra" no episódio dos US$ 216 mil dólares, lembrados?) e denúncias infundadas.

Logo Requião, que há duas semanas (fato registrado pela TV Paranaense, emissora da Rede Globo no Paraná) truculentamente interveio em um acidente de trânsito para impedir que o sobrinho fosse detido por dirigir alcoolizado e ter provocado a morte de duas jovens na colisão.

A ampla e aparentemente densa reportagem do repórter Fernando Rodrigues torna-se quase volátil, etérea, quando submetida à atenção de quem se ocupa do jornalismo como fim, não meio. Uma pena. Obrigado.

Fernando Mendonça, jornalista em Curitiba


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