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LEITURAS DE VEJA
Parcialidade vergonhosa

Fiquei furiosa com a reportagem de capa da última Veja [7/11]. O problema do (baixo) letramento no Brasil é um tema importante e atual. Entretanto, ao discorrer sobre a figura do professor Pasquale e sobre as críticas que ele tem recebido, o jornalista é de uma parcialidade vergonhosa. Em um parágrafo, o Sr. João Gabriel de Lima reduziu a Lingüística a uma "certa corrente relativista, fruto de um raciocínio torto, baseado num esquerdismo de meia-pataca". Transformou um ponto de vista sério e fundamentado em "conversa mole". Nada mais ignorante do que descartar a opinião alheia antes mesmo de entender o que ela defende. Sugiro que da próxima vez em que a revista se propuser a tratar de questões delicadas como o papel da gramática na escola, ou a importância de se dominar a norma culta, tenha ao menos o trabalho de ouvir o que os "relativistas" têm a dizer. Seria para o leitor um exercício excelente ter a oportunidade de formar sua opinião em vez de recebê-la enlatada e rotulada (de maneira preconceituosa, diga-se de passagem) como ocorre na matéria citada.

Cristina Araújo Nogueira do Vale, estudante de Letras

 

Caso Marka
Em 17 de outubro enviei carta ao Diretor de Redação da revista Veja, não publicada nem respondida, sobre acusações feitas pela Veja à minha pessoa, relacionadas ao "caso Marka". Um dos aspectos tratados dizia respeito à afirmação da revista, em suas edições de 23/5/01 e 10/10/01, de que três telefones celulares (a revista informou os seus números) teriam sido usados na troca de informações confidenciais entre o Banco Central e bancos "clientes". Um celular ficaria com o Sr. Francisco Lopes, outro com o Sr. Luís Augusto Bragança e o terceiro comigo.

Na minha carta-resposta, afirmei que nunca usei nem tinha conhecimento dos três celulares. Enganei-me! Verificando minhas anotações passadas, encontrei um dos números como sendo do celular do Luís Augusto Bragança. Como ele já não o usava há algum tempo, estava riscado e dele não me lembrava mais. Para os dois outros celulares, vale a minha afirmação passada de que os desconhecia.

Aliás, sobre este assunto, temos um fato novo extremamente importante: a Procuradoria Federal, provavelmente incitada pela matéria da revista Veja, solicitou um laudo dos peritos policiais para verificar a circularização de informações entre os três telefones celulares mencionados. O resultado da perícia, produzida pelo Instituto Nacional de Criminalística, foi que "não houve ligações entre estas linhas no período referente aos extratos enviados".

Acho que diante deste fato, a ética profissional não dá outra opção à Veja senão a de registrar a informação com destaque e a de pedir desculpas aos ofendidos e a seus leitores pela incorreção de sua matéria.

Cabe ressaltar que um outro fato extremamente interessante, também relacionado ao "caso Marka", ocorreu recentemente. Todos recordam-se de um suposto "banqueiro estrangeiro" que teria contado à Veja toda a estória por trás do apoio oferecido pelo Banco Central. Este banqueiro nunca foi identificado, nem sua história confirmada por quem quer que seja. Pois bem: na edição de 29/10/01, a revista Época, em sua seção
"Portal", assinada por Expedito Filho (que era editor-especial da Veja em abril de 1999 e assinou matéria a respeito), nos dá conta do seguinte: "Desapareceu um executivo internacional que denunciou o esquema Marka-FonteCindam. Em Nova York ele tinha escritório em uma das torres gêmeas do WTC..."

É incrível! Cria-se um personagem misterioso que conta uma história mirabolante. Esta história fermenta uma CPI no Senado, dá origem a processos no Justiça Federal e, de quebra, destrói algumas reputações. De repente, o personagem some, enterrado nos escombros do World Trade Center. E como ficamos nós?

Rubem de Freitas Novaes


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