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ACUSAÇÃO DE PLÁGIO
Jornalismo de primeira
Ulisses, meu nome é Nelson Valêncio, e sou editor de uma revista de telecomunicações chamada Rede@Telecom. Acompanho os seus textos nas várias publicações para as quais você escreve, com exceção da Scientific American Brasil, que ainda não li. Posso dizer com certeza que você tem se pautado pela integridade e a inteligência, dois componentes básicos de um jornalismo de primeira categoria, coisa rara entre nós.
Nelson Valêncio
Confesso que fiquei confuso
Prezado Sr. Capozoli, não sei se ajo bem intrometendo-me nessa questão. A verdade é que estou bastante surpreso e confuso. Falo como seu admirador e como amigo de Daniel Sottomaior.
A reputação merecidamente tida por Vossa Senhoria, bem como o meu respeito por seu trabalho – ainda que discorde ocasionalmente em alguns pontos – não me permitem crer que o teor forte (muito forte) do texto seja apenas uma resposta hiperdimensionada de uma provocação menor. O uso da força da mídia para a apresentação da questão, bem como a invocação da intercessão judicial, indicam que se trata de uma questão maior e de correspondente gravidade.
E julgaria eu que o acusador denunciado seria mesmo um tratante pusilânime. Não fora este Daniel Sottomaior.
O meu conhecimento sobre Daniel e minha amizade não me permitem crer que ele pudesse ser o merecedor de críticas tão duras. Ele por vezes é incisivo, mas jamais tomei conhecimento de uma provocação gratuita por parte dele, mesmo quando instado a isso ou quando oportunidades se apresentaram diante dele com garantia total de impunidade. A título de anedota: Daniel participou de um programa na MTV – o Barraco MTV – em que um dos motes é justamente "botar a boca no trombone".
Ele se absteve disso, fez observações ponderadas, e mesmo diante de afirmações estapafúrdias foi até "tímido" na observação da apresentadora e na minha. Outra oportunidade foi no programa da TV Bandeirantes Márcia Goldschmidt, cuja característica é "botar a lenha na fogueira". Daniel não desceu o nível, não provocou, a despeito das "instruções" dos produtores – disso fui testemunha presente.
Mas há o texto "Sobre uma acusação de plágio". Um texto forte, como já disse, fortíssimo. Um texto escrito por alguém de cuja credibilidade não duvido contra alguém em cuja integridade tenho confiança total. Estou perplexo, confuso.
A única coisa que consigo imaginar é que tudo isso é fruto de um mal-entendido muito, muito, muito, muito grande. E lamento isso. (Algum estranho canto de sereia a semear a discórdia entre Odisseu e um valoroso argonauta diante do estreito de Cila e Caríbde da falta de pensamento crítico que grassa na imprensa?)
Ou isso ou os deuses olímpicos estão furiosos conosco.
Torço para que tal mal-entendido tão prejudicial logo se dissipe. Torço para que ambos possam desenvolver seus trabalhos, quem sabe até em conjunto, contra o inimigo em comum e bem mais importante: o analfabetismo científico de nossa sociedade através de ações positivas – seja na imprensa, seja em organizações civis. Teremos muito mais a ganhar com essa resolução. Atenciosamente (com cópia para Sottomaior, meu amigo, citado na mensagem, e Marinilda Carvalho, minha guia espiritual midiática),
Roberto Takata, mestre em Biologia
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