15/07/2003 2/9

Envie para um amigo  Procure no arquivo

VIOLÊNCIA NO RIO
Vítima de estereótipos

Li com interesse a matéria de Vitor de Brites a respeito da violência do Rio. Concordo plenamente com a assertiva de que o Rio de Janeiro não é a mais violenta cidade do Brasil. Somente acho que esta fama se deve não aos cariocas, mas sim à imprensa de outros estados do país, principalmente a paulista. Posso constatar isso porque, sendo carioca, vivo há quase quatro anos em São Paulo, e durante todo esse tempo pude testemunhar o exagerado espaço que a imprensa da capital dedica à violência do Rio, dando-lhe inclusive mais destaque do que a casos locais. Isso tem levado a estereótipos terríveis, por conta de informações tendenciosas.

João Pereira Mendes

 

Uma boa pauta

Gostaria de parabenizá-lo pelo texto "O Rio não é esta bandidagem toda". Foi a primeira vez que encontrei um artigo que esclarecesse meu pensamento sobre esta questão. Como nenhum jornal ou revista inexplicavelmente aborda o assunto, tratei de disseminar o texto entre meus amigos. Muito obrigado. Tenho apenas um comentário: sou engenheiro e carioca, vez por outra ando de táxi para atender compromissos e costumo conversar com os taxistas. Coincidência ou não, já cruzei com dois ex-seguranças particulares de empresários dispensados recentemente. Segundo eles, devido ao baixo índice de seqüestros na cidade, o grupo foi reduzido ou dispensado. Não vou correr o risco de ser leviano, pois não tenho provas consistentes, mas acredito que este seja um dado interessante que, se confirmado, e não fruto de coincidência, daria uma boa matéria.

Antonio Lameira

 

Paranóia necessária

Dizer que não se deve ser paranóico numa cidade como o Rio é utopia. Moro na Europa e no primeiro dia de férias no Rio fomos assaltados. Sei que a situação de criminalidade no Brasil não se restringe somente à capital carioca, por isso prefiro as pequenas cidades do Nordeste, onde ainda é possível sair à noite sem o pavor de sofrer algum tipo de violência.

Veronica Fernandes

 

Muitíssimo azarado!

Puxa! Eu devo ser muitíssimo azarado mesmo! Já fui assaltado enquanto dirigia, por duas vezes. Uma vez em Olaria (seqüestro-relâmpago), outra em Jacarepaguá (o carro apareceu no dia seguinte). Um outro carro foi furtado em Botafogo, em frente a minha residência. Já presenciei um assalto num ônibus. Já fui vítima de outro. Já fui cercado por um bando de pivetes em Botafogo, mas consegui fugir. Um primo foi assassinado, mas era marginal. O apartamento do meu pai em Olaria já foi invadido. Moradores do mesmo prédio já foram assaltados no mínimo duas vezes em casa. Um amigo meu já teve a casa invadida duas vezes em Jacarepaguá. Além disso, conheço inúmeras histórias de conhecidos envolvidos em assaltos e seqüestros-relâmpago. Isso além do fechamento da Linha Amarela várias vezes por ano devido a tiroteios.

Eu acho que não estou imaginando coisas! Concordo que no Rio a violência é democratizada, por outro lado, a beleza e o fascínio desse lugar também. Mas decididamente as coisas têm que melhorar por aqui, não dá pra relaxar mesmo. Antes uma paranóia preventiva do que uma acomodação ao estado de coisas!

Marco Antonio Monteiro

 

Contra o mal, guerreiros

Nem todo este palavrório justifica tanta violência, em qualquer lugar que seja. Assim como todos os responsáveis pela descontrole da segurança, este texto também está "cheio de dedos" para explicar o problema.Vontade política e principalmente decisão firme é o que vai resolver a questão. Problemas como estes só se resolvem de uma única forma: uma só "cacetada" e pronto. Estão querendo resolver uma questão produzida por "lobos" escolhendo um amontoado de "ovelhas e galinhas" para enfrentá-la. Ora bolas! Usemos a natureza: no corpo humano, quando um mal virótico começa a se desenvolver rapidamente grupos de células guerreiras se multiplicam, isolam e destroem o mal. Se assim não for, adeus corpo!

João Sergio Donega

 

É fácil minimizar

Entendo que seja fácil minimizar o que ocorre no Rio de Janeiro, pois o autor vive num estado que raramente figura nas estatísticas quando o assunto é violência. Só quem vive aqui nesta cidade sabe o que é estar sempre com medo. Não estou falando de homicídios (no artigo, há índices de homicídios em outras cidades, maiores que os do Rio ). Ora, estes índices são generalizados, pois homicídios acontecem em qualquer lugar e por razões diversas: brigas entre vizinhos, discussões no trânsito, motivos passionais etc. Estou falando de um bem que nos está sendo tirado violentamente: o direito à liberdade. Liberdade para ir e vir, pois os bandidos é quem ditam quando, como e onde podemos andar, somos reféns em nossa própria casa.

Podemos estar numa condução e, de um minuto para outro, sermos retirados por homens armados, para que o ônibus seja incinerado; podemos acordar para trabalhar e ver com surpresa que os bandidos tiraram os ônibus de circulação e deram "ordens" para que fosse fechado o comércio de toda a cidade; ou podemos estar andando pela rua, num shopping ou estação do metrô (ou até mesmo dentro de casa) e depararmos com tiroteios, e sermos "achados" por uma bala perdida (já ouviu falar de alguém que morreu de bala perdida em outro estado do Brasil que não fosse o Rio de Janeiro?).

Portanto, discordo quando o autor diz que "o Rio não é essa violência toda". Só nós, cariocas, é que podemos avaliar a situação, porque estamos vivendo no meio da guerra!

A Baixada Fluminense é composta por mais de 10 municípios, que pertencem ao Estado do Rio, e a Cidade do Rio de Janeiro é outro município (a capital). Os índices de violência na Cidade do Rio de Janeiro, hoje, são maiores do que na Baixada.

Uberto Góis

Leia também

O Rio não é essa bandidagem toda – Vitor de Brites

Mande-nos seu comentário


Observatório | Índice da edição | Busca
Objetivos | Purposes | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe