15/07/2003 3/9

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CASO SILVIO SANTOS
Credibilidade (mais) abalada

É incrível a incompetência da imprensa nacional em publicar a verdade. Movidos pela sede de vender, não se dão ao trabalho (premissa básica do jornalismo) de investigar as fontes e confirmar a veracidade das informações prestadas. Abrem mão da investigação para dar um "furo" de reportagem. Exemplo disso é que todos os jornais do país "comeram mosca" e publicaram o incompetente trabalho da revista Contigo!, vítima de uma "gozação" de Silvio Santos.

Pior para a já abalada credibilidade no quarto poder, a imprensa, que deveria preservar sua força, evitando que mentiras fossem publicadas como verdades. Se um episódio iniciado pela incompetência de um único profissional e sua equipe repercutiram em todo o país, num efeito-dominó, provando que toda a imprensa nacional vendeu pelo preço que comprou, ou seja, tomou como verdade o que leu e reproduziu, o que esperar desta mesma imprensa em casos polêmicos envolvendo os destinos de todo o país?

Pior, o que podemos esperar da imprensa, que publica mentiras por engano, quando seus líderes resolverem publicar mentiras de propósito?

Que este triste exemplo de como não se fazer jornalismo sirva de aprendizado para todos os que fazem a desacreditada imprensa nacional. Que a terra lhes seja leve...

Aldo Ferreira

 

Imprensa de piada

Vimos a imprensa "invadida" pelas notícias sobre a doença mortal do Silvio Santos e a venda do SBT (se é que a revista Contigo! pode ser classificada como imprensa). Confesso que também acreditei, mas como não era do meu interesse não dei muita atenção. No dia seguinte, os jornais diziam que se tratava de "pegadinha" do apresentador. É muito mais do que isso. É a prova de como estamos diante de uma mídia que, mesmo não confiando na fonte (a própria repórter diz desconfiar da entrevista, dada por telefone), faz matéria de capa para atrair atenção dos que acreditam em tudo o que lêem. Só para vender mais!

Como de costume, acessei o sítio de humor Cocada Boa <http://www.cocadaboa.com> e eles afirmam que inventaram a história. O pessoal do sítio já esteve por trás da "morte do Bussunda" – como eles mesmo dizem: um sítio 100% mentiroso –, e o que me impressiona é a quantidade de matérias que ganham força na imprensa com base em piadas.

Thiago Costa

 

CRISE NA MÍDIA
Leitor pergunta...

A pergunta, aparentemente cretina, foi formulada tendo em vista os problemas graves que se colocam diante do simplismo com que, normalmente, se tem abordado o tema da atividade jornalística. Sem quaisquer quixotismos de minha parte, a questão se colocou porque se a liberdade de expressão e manifestação do pensamento, hoje, não sofre qualquer objeção no plano teórico – o papa Pio VI, contemporâneo da Revolução Francesa, considerava esta uma liberdade "monstruosa" –, contudo, pode-se dizer dela o que se costumava dizer acerca da Justiça inglesa, isto é, aberta a todos como o Hotel Ritz. A idéia da imprensa como tribuna livre mostrou-se expressão de um modelo puramente abstrato. A segunda pergunta tinha que ver, justamente, com o sujeito da liberdade de expressão e manifestação do pensamento e, com efeito, até mesmo o jornalista, que, normalmente – mas não com exclusividade –, era quem mais fazia uso de tal franquia constitucional, ficou reduzido, na lógica puramente empresarial do tratamento da informação como simples mercadoria, à dimensão de mero assalariado, qual o que consta em sua resposta.

O interessante é que esta aparente obviedade passou ao largo das atenções da maior parte dos juristas que se debruçaram sobre o tema, com a notável exceção do professor Mário Lúcio Quintão Soares, da PUC-MG, que, em artigo publicado na Revista de Informação Legislativa do Senado Federal, nº 115, tocou na verdadeira ameaça que consiste à atividade informativa do jornalista a possibilidade da dispensa imotivada pelo desagrado ao titular do controle sobre a empresa que explora o meio de comunicação. Preferem, quando se trata da imprensa, versar os "tempos heróicos", quando "tiranos mandavam fechar as redações", em vez de a tratar na dimensão que hoje assume, de instrumento efetivo do poder econômico, apta a alterar, inclusive, a própria seqüência dos fatos, tornando inocorrente o que efetivamente tenha ocorrido e ocorrente o que não tenha ocorrido, de acordo com as conveniências de quem livremente determina o que deve ser expresso.

Sem entrar na indagação de Pilatos, prendendo-me ao conceito aristotélico de correspondência entre a proposição e a situação nela referida, volta à baila aquela questão suscitada por um correspondente de guerra quanto a ser a verdade a primeira vítima na guerra, inclusive mercadológica. Portanto, é importante que fique bem claro que tão-somente levantei as questões que os fatos narrados suscitavam para o fim de demonstrar a necessidade de uma atualização, por parte daqueles que se debruçam sobre o tema, acerca da distinção entre a aceitabilidade no plano teórico e a efetividade mesmo do que seja, em princípio, consensual.

Ricardo Camargo

 

... autora responde

Prezado Sr Ricardo Antônio Lucas Camargo, Estranho... De repente, logo depois de ler rapidamente sua mensagem, lembrei de uma antiga frase que meu avô recitava em alta velocidade. Ele era um senhor uruguaio que se divertia muito com as línguas. Ofereço-a gentilmente. "Não pelo valor intrínseco do galináceo, mas pela ousadia do larápio, de ultrapassar os umbrais de minha residência e raptar a dita cuja, a qual, pretendia eu, imolá-la em meu alcoice natalício." E depois li atentamente suas palavras. Parece que de maneira geral não discordamos em nenhum ponto importante a respeito do assunto tratado. Que por sinal cheira mal, o que sequer nos dá o direito de ficar perfumando a flor. Atenciosamente,

Cláudia Rodrigues

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