15/07/2003 5/9

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OMISSÕES E EXCESSOS
Cartas maquiadas

Com relação à falta de informação sobre o destino das cartas enviadas pelos leitores às redações dos jornais, tenho a acrescentar que essa parece ser conduta geral na mídia brasileira, incluindo-se aí as revistas femininas. Há meses, escrevi à revista Cláudia, protestando contra as mudanças ocorridas na revista, que sabotaram sua identidade, tornando-a idêntica – assuntos abordados, fotos, narrativa e diagramação – à revista Nova, da mesma editora Abril. Não só a minha, mas nenhuma carta abordando o assunto foi publicada, pelo contrário: a seção Opinião do Leitor do mês seguinte veio abarrotada de elogios fáceis e inconsistentes. Será que eu fui a única voz dissonante contra a clonagem? Não acredito. Levando-se em conta que a editora estreante na referida revista era a ex-diretora de redação da Nova, e que sua antecessora no cargo havia sido demitida de forma um tanto traumática – fato comprovado pela sua carta de despedida publicada na revista –, fica a questão: maquiaram a seção, com muito pancake.

Raquel de Carvalho, estudante de Jornalismo

 

Israel com a razão

O articulista Luiz Weis, no texto "Sharon castiga a BBC", ao comentar a reação do governo israelense a um documentário daquela estação de TV sobre armas de destruição em massa das forças armadas de Israel, elogia a referida estação pela qualidade, "que se distingue pelo rigor e a busca da objetividade de suas matérias". Não se pode afirmar, entretanto, que tal fato ocorreu no referido programa. O documentário faz pesadas acusações ao governo israelense, sendo que mal se percebe a preocupação de ouvir o que as autoridades do governo tinham a dizer.

Numa cena, talvez a mais chocante do programa, aparece a grande prova da utilização de armas de destruição em massa: uma criança palestina com convulsões, sendo atendida num hospital palestino e um médico afirmando tratar-se um gás diferente. Ora, não há um trabalho sério de pesquisa, apenas a acusação. Trata-se realmente, de uma acusação grave. Após alguns anos, seria oportuno saber o que teria acontecido com as vítimas (180, segundo o documentário)? Quantas morreram? Quantas ficaram com seqüelas? O que o exército israelense afirmou na época do evento? Era verdade? Esta foi a grande "prova" da utilização de armamento químico. No Oriente Médio, Egito (na guerra contra o Iêmen), Iraque e Irã são os países que utilizaram armas químicas contra populações civis, e não Israel.

Israel não é signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (a exemplo da Índia e do Paquistão), e portanto não está sujeito a inspeções por parte da comunidade internacional. Nada disso foi citado no programa. Lamentavelmente, o tom do documentário foi acusatório, sensacionalista, sem rigor e nada isento.

Boris Wurman

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Os presentes da mulher do presidente – Luiz Weis

 

Jornalismo que mata

Parabéns pelo artigo. É lamentável que fatos como este ponham uma nódoa na ferramenta mais poderosa do mundo – a informação, venha de onde venha. A imprensa é responsável por moldar milhões – quem sabe, bilhões – de pessoas, no tocante a alimentação, vestimenta, manias, gostos, literaturas e "n" atividades do ser humano. O profissional que utiliza tal ferramenta deveria sempre se perguntar: "Eu gostaria desta matéria, se fosse escrita a meu respeito?" Bom, é uma questão de consciência... talvez muitos não a tenham, quem sabe?

Paulo Martins

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O jornalismo pode matar? – Leneide Duarte

 

Anúncios idiotas

Assistir televisão hoje em dia se tornou um martírio devido à péssima programação, em que se salvam apenas os telejornais e o futebol ao vivo. Para piorar, há algumas propagandas idiotas, que irritam o telespectador, como duas entre tantas: Fiat e Kaiser. A do automóvel diz que "ou você tem um Fiat ou você não tem". Que profundidade! A da cerveja diz "pitbull no futebol não merece uma Kaiser". Que riqueza de detalhe! O péssimo gosto tomou de assalto não somente a programação das emissoras, como também a propaganda exibida. Vou comprar um Gol e tomar uma Brahma.

Fernando

 

Sem meias palavras

Achei o artigo do professor Leandro Marshall ótimo, porque faz reflexão aprofundada do caos comunicacional que estamos vivendo. Se temos meios de comunicação prostituídos, desprovidos de qualquer ética e personalidade, muito se deve as questões levantadas pelo professor. Cadê o Conselho de Imprensa, que seria o fiscalizador dos meios de comunicação? Cadê a seriedade na notícia? Até quando programas desqualificados e jornalismo de má qualidade farão as honras em nossas casas? Infelizmente, o quadro que está aí é mais sério do que muitos jornalistas gostariam que fosse, mas fica aqui o meu voto de louvor para o professor, que teve a coragem de dar a cara pra bater, e não fazer do seu discurso apenas um jogo de meias palavras.

Jeancarlos Marmentini, estudante de Jornalismo, RS

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Quinto poder e jornalismo transgênico – Leandro Marshall

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