15/07/2003 9/9

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JORNALISTA & ASSESSOR
Parceria necessária

O título do artigo de Bárbara Hartz, na verdade, deveria ter sido "Assessor e jornalista, uma parceria cada vez mais necessária". Pelo menos é o que deve ser buscado quando falamos de assessoria no Brasil. A importância das muitas experiências de países da Europa e nos EUA estão bem relatadas por Chaparro, Amaral, Moutinho, Sousa e Duarte (Assessoria de Imprensa e relacionamento com a mídia, 2003, págs 33-99). E são distintas, assim como as histórias e as conquistas específicas do jornalismo e das relações públicas em cada um desses países.

Tão importante quanto o entendimento da evolução histórica é o respeito mútuo nas relações, calcado no exercício ético, independente do lado do balcão que se esteja num determinado momento. E o reconhecimento de que na verdade ambos dependem de práticas cada vez mais profissionais e conscientes, facilitadoras de seus compromissos públicos e privados. E outra coisa: em vez de se lutar para o licenciamento daqueles que optam pelas assessorias, é racionalmente concebível lembrar aos 50% dos jornalistas brasileiros atuantes (esse é um dado estimado de profissionais, jornalistas-assessores vinculados às estruturas de comunicação organizacional no Brasil) que observem com muita atenção o Código de Ética (concebido desde 87 pela própria categoria para estabelecer seus direitos e deveres), já que ele é razoável na sua totalidade e muito explícito em seu Art. 10, onde diz que o jornalista não pode: e) exercer cobertura jornalística pelo órgão em que trabalha, em instituições públicas e privadas, onde seja funcionário, assessor ou empregado. Infelizmente poucos o conhecem. E outros tantos "fingem" não conhecê-lo, desrespeitando-o em prol da "sobrevivência".

Se Noblat, citado por Bárbara e respaldado em sua tarimbada trajetória, afirma que "assessor de imprensa não é jornalista porque não tem a autonomia necessária para praticar o jornalismo", podemos simplesmente perguntar: será que existe autonomia necessária para se praticar jornalismo em algum canto do mundo? Difícil responder. As experiências de Fallows (1996), Ramonet (1999), Marcondes Filho (2000), Chomsky (2003), Arbex Jr. (2001), Abramo (2003) e Kovach & Rosenstiel (2003) demonstram o contrário. É ler para crer, duvidar, ou refletir.

Sobre o "julgado do TST" citado por Bárbara, e que tem norteado segundo ela posições de advogados trabalhistas, vale esclarecer que está bem adiantado – já nas mãos do presidente da República – o trâmite do anteprojeto do Conselho Federal de Jornalismo que prevê entre outros pontos importantes, em seu Art. 5º que as funções desempenhadas pelos jornalistas serão assim classificadas:

XXII – Assessor de Imprensa: o encarregado do planejamento estratégico de ações de comunicação, da redação ou divulgação de informações destinadas à publicação jornalística e que presta assessoria ou consultoria técnica na área jornalística e de comunicação a pessoas físicas ou jurídicas, de direito privado ou público, incluindo a preparação de textos de apoio, sinopses, súmulas, fornecimento de dados e informações destinadas a veículos de comunicação, edição de periódicos internos e externos e de outros produtos jornalísticos.

Vale lembrar que o anteprojeto foi concebido com a participação de profissionais de praticamente todos os estados e reúne toda a nova regulamentação profissional, ampliando as categorias existentes, diante das transformações que vêm acontecendo nas últimas décadas e definitivamente estabelecendo e reconhecendo as funções de assessoria de imprensa como atividades jornalísticas.

Boanerges Lopes, jornalista e professor da Ufal

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Assessor e jornalista, separação necessária – Bárbara Hartz

Informação vs. besteira e Bárbara Hartz responde – Caderno do Leitor

 

HIPÓLITO E SEU TEMPO
Debate antigo

O texto do professor Paulo Roberto de Almeida traz uma contribuição importante, no sentido de revelar um manancial para o estudo do pensamento econômico no Brasil. Há, entretanto, um ponto que gostaria de destacar. O debate concernente à dicotomia "protecionismo x livre-cambismo", no que toca ao Brasil, estava posto já em meados do século 18, porquanto, como demonstrou Washington Peluso Albino de Souza em seu livro Minas do ouro e do barroco, Belo Horizonte, Barlavento, 2000, pp. 114-115, podem ser destacadas as objeções feitas por Alexandre de Gusmão, nascido em Santos, protagonista da elaboração do Tratado de Madrid e irmão do "Padre Voador", ao Tratado de Methuen, fundadas em que a introdução das manufaturas têxteis inglesas nas possessões do reino de Portugal "foi um obstáculo que se atravessou sempre contra a ereção de novas fábricas nele, e uma causa irremediável de extinção das que houvesse, como mostrou a experiência, sendo visível que como a obra que se faz em manufaturas novas sai carregada com maiores despesas que a que se fabrica nas que têm já antigo estabelecimento".

Ricardo Antônio Lucas Camargo

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O nascimento do pensamento econômico brasileiro – Paulo Roberto de Almeida

 

JORNAL E ORTOGRAFIA
Os vilões da escrita

Os vilões da escrita são o cansaço e a ortografia, que tem seu lado de pura convenção, como é o caso de x, ch, j, g e outros. Eu li um artigo da lingüista Míriam Lemle, minha querida professora de lingüística, que mostra os dramas da alfabetização pela diversidade de critérios: alega-se o critério etimológico mas, nos tempos em que poucos escreviam (a língua é oral por natureza), onde quer que o latim caísse virava uma língua nova, com os hábitos fonéticos de cada local ou falante; daí vieram os dialetos, que com o prestígio social seriam línguas de novas nacionalidades; quanto à grafia, ela difere até no português de Portugal e do Brasil, pois é uma questão de convenção, ou mesmo de etimologia (?), em geral falsificada; ou é a interferência da oralidade na escrita, que são usos em contextos diferentes e mil justificativas mais para infernizar jornalistas e alunos do Mobral. Eles perguntam: "Tia, por que "jiló" é com j e não com g? Por que xícara não é com ch?" E assim por diante...

O que não pode é apelar para o latim, pois este foi espalhado pela boca dos soldados ou bárbaros que falavam outras línguas, possuíam outros hábitos de pronúncia, e cada neolatina é um latim de 21 séculos já, espalhado em cada lugar! O que acontece até dentro de um mesmo espaço como o Rio de Janeiro: são as mil variantes, podem ser sociais ou de situações diversas, como os internautas massacram a sua língua (ou a minha, que eu massacro também, de vez em quando. Que fazer?) O melhor é consultar o dicionário, o pai dos burros, mas é o melhor modo de unificação ortográfica. E considerar que as escolas de hoje nunca têm bibliotecas, exceto as do meu tempo, mas mudaram a ortografia e inventaram outras regras de acentuação. A minha escola pública era melhor que os melhores colégios de hoje! Pelo menos tínhamos hábito de ler, pois as bibliotecas escolares eram fartas de livros.

O fato é que falamos como os outros de nosso meio falam e escrevemos conforme o nosso grau ou tipo de leitura; a língua escrita é um subproduto natural da fala, quando nascemos demos o grito primal, não houve condições de se passar um e-mail! Ou telegrama! Gente, eu, que sou professora aposentada, morro de pena de nossos alunos. A ortografia é tão arbitrada que minha mãe aprendeu a escrever com ph, em vez de f, e nunca se sabia quando era um ou era outro! Eu tenho o Aurélio aqui na minha mesa; mas como pesam os dicionários! E aquelas letras miudinhas ao longo de nossa idade? É fooogooo! Este assunto pode render uma tese de Mestrado ou Doutorado, mas de uma verdade não se pode fugir e não é pecado: ortografia é convenção, seja com s ou ç; conforme o caso, o melhor é ir ver o pai dos burros! A transcrição da modalidade oral para a escrita deve ter regras, sim! Se optássemos por convenções fonéticas a dispersão seria muito maior, conforme cada lugar.

O jeito é adquirir o hábito da leitura e recorrer sempre ao bom dicionário. Depois a gente se acostuma e fica craque. Mas se parar de ler/escrever vai se dar mal. Isso tudo dá teses e teses, e o pior é que nossa cultura é de imagens da TV do cinema ou de ouvir rádio. Agora, todos estão aflitos por causa de "record" ou "recorde": será esta palavra que a rádio CBN está mudando? É coisa parecida,mas estão buscando aportuguesar a palavra; nós,brasileiros somos muito sem cerimônia e na minha faculdade um grande lingüista português se espantou por eu dizer: "Pode deixar que vou xerocar esta folha para o senhor!" Como era um sonhador apaixonado por desempenhos lingüísticos (embora em Portugal a aceitação seja muito mais severa), ele elogiou a nossa "criatividade lingüística", que ultrapassa os limites da criatividade para a abagunçação da linguagem, para não dizer outro nome que não pega bem nem no jornal e nem na minha idade, nem em qualquer botequim! Desculpe o neologismo! E que dizer se uso ou não uso o hífen? E olha que nem me aventurei nos caminhos da sintaxe!

Alice Franca Leite

 

JORNAL ESPÍRITA
Coluna censurada

Fui dos primeiros colaboradores do Jornal Espírita, lá escrevia há mais de 25 anos, desde a época em que era editado pela Lake. No segundo ou terceiro ano de existência, sua diretoria convidou-me para abrir uma coluna a fim de atender a perguntas doutrinárias dos leitores e, desde então, esta minha coluna tornou-se permanente, virando uma página, ante o número elevado de consulta dos leitores. Até então, sempre mereci dos diretores do jornal a máxima consideração. Por isso, quando, recentemente, abri minha página e vi que ela estava toda adulterada, não contendo a exata opinião minha, imediatamente protestei, por e-mail, ao responsável pelo jornal. Foi um qüiproquó enorme, que gerou uma série de divergências, polêmicas e ofensas por parte dos novos responsáveis à minha conduta jornalística.

Para meu espanto, o presidente da Feesp telefonou-me convocando-me para que fosse a SP receber ordens dele a fim de que eu me enquadrasse no novo regime do jornal, ou seja, seguir a linha roustaingista. Evidentemente, no ato, respondi-lhe que não era seu empregado e que, como jornalista, não recebia, sequer, um centavo pela minha colaboração, que o fazia de boa vontade, a serviço da doutrina espírita e, com 72 anos, estava muito velho para receber ordens de como escrever. Não admitia censura aos meus textos, muito menos adulteração de conceitos para satisfazer à nova linha que a atual diretoria segue.

Evidentemente, minha página foi excluída. Um direito do jornal. O que não procede, porém, é o presidente da Feesp sair dizendo que o jornal não é responsável pela exclusão da minha coluna porque há, lá na redação, matéria inédita para mais 12 exemplares, só que, para publicá-la, eles exigem que eu me submeta à censura. E eu sou jornalista há muito tempo para admitir que meus textos sejam modificados por pensadores que poluem o conceito kardecista do Espiritismo. Deixo bem claro que meu afastamento se deve ao fato de eu não aceitar o roustaingismo e não acatar a decisão de ser a seu favor.

Carlos de Brito Imbassahy, Niterói, RJ

 

MÍDIA & RELIGIÃO
Preconceito e proselitismo

Gostaria de fazer uma enquete: quantos leitores não obtiveram um emprego por causa de religião, mesmo tendo todas as qualificações necessárias para preencher a função? Quantos leitores já sofreram discriminação no trabalho, ou em outros grupos sociais, pelo fato de não serem religiosos, ou pertencerem a algum grupo religioso que não é visto com "bons olhos"? Eu já senti na carne esse tipo de preconceito, em três ocasiões. Em todas elas, os donos das empresas ou gerentes de RH apenas contratavam pessoas que comungassem das mesmas crenças religiosas que os donos e funcionários da empresa.

Nessas empresas, na ficha de cadastro aparecia um campo para preencher a religião. Como preenchi "Ateu", fui questionado sobre esta minha escolha, como se isso tivesse a ver com a competência para ocupar a vaga oferecida. Prefiro não citar qual era o grupo religioso destas empresas. Agiram de maneira aética (e burra) comigo, mas isso não me autoriza a dizer o nome do grupo religioso ao qual pertenciam. Coincidentemente, hoje estas empresas já não existem. Embora isso tenha acontecido há muito tempo (entre 1996 e 1997), não chega a ser surpreendente. Na época, o novo fundamentalismo religioso (aquele que diz aos crentes que para alcançar as graças desejadas devem colaborar com a igreja) estava despontando. Hoje em dia, eu até cometeria a temeridade de dizer que são quase maioria da população. E, com toda certeza, isso ainda, desgraçadamente, deve ocorrer.

Por isso, gostaria de saber dos leitores se eles já passaram por isso alguma vez. Este foi mais um dos motivos pelos quais fiquei tão indignado com o texto publicado pelo Estadão: as pessoas podem começar a achar "normal" "chutar" o ateu. Elas vão pensar: aquele texto do Estadão falava tão mal dos ateus... por isso, devo ter razão em recusar-lhes emprego.

É um preconceito tão terrível quanto os de cor, sexo, opção sexual, raça e outros que devem existir por aí. Poderia ser comparado ao preconceito dos nazistas, ou da Klu-Klux-Klan, ou dos defensores do apartheid na África do Sul de antigamente. Claro que o alvo do preconceito é distinto; mas a essência continua a mesma. Uma essência que me causa engulho e indignação.

Uma observação final a todos que gostam de fazer proselitismo ou converter pessoas: vocês podem viver a vida de outra pessoa? Não. Então deixe esta outra pessoa fazer as escolhas dela, e não tentem enfiar-lhe idéias, crenças e sentimentos "pela goela abaixo". Cada um deve saber o que é melhor para si.

Daniel Fernandes

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