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ELEIÇÕES 2002
Cuidado! Roseana... é Sarney
Um novo ingrediente tem agitado a corrida presidencial, o fenômeno Roseana Sarney. Segundo pesquisa do Datafolha, Roseana aparece com 21% das intenções de voto no primeiro turno. E no segundo, venceria Lula por 46% a 40%. Esta façanha foi conseguida após longa exposição no Programa Eleitoral Gratuito do PFL, seu partido.
Analisando as imagens deste programa, nota-se uma tentativa clara de mostrá-la como uma mulher bonita (a imagem feminina é destacada) e dinâmica (por isto está sempre em movimento em carros, navios, caminhando, em obras...), qualquer semelhança com Fernando Collor, talvez, não seja mera coincidência. Ele também queria passar a imagem de uma pessoa dinâmica, jovem, praticante de atividades esportivas, honesta e, é claro, de boa aparência.
O mito da mulher bem-sucedida, que modifica as velhas caras desgastadas de políticos, já está sendo criado pela mídia assim como o mito daquele homem jovem que se autodenominava o caçador de marajás foi criado e sustentado. O que ocorre é que esta tentativa de personificação excessiva de uma campanha presidencial é uma coisa preocupante. Esvazia a discussão e despolitiza a campanha, valorizando cada vez mais as aparências e cada vez menos os projetos.
Ora, Roseana pertence a uma das maiores oligarquias ainda existentes no Brasil, e representa, por trás de uma bela aparência, tudo de mais conservador das elites brasileiras. A família Sarney é dona de vários canais de televisão no Maranhão e do maior jornal do estado, o que justifica a alta aprovação de seu governo mesmo tendo aquele estado um dos piores índices de desenvolvimento humano e de qualidade de vida do Brasil
Roseana é mais do mesmo. Ao contrário do que se prega, colocá-la no poder não representa ruptura com o atual modelo, perverso e causador de fome e miséria; representa, sim, concentrar mais poder nas mãos da família Sarney, de ACM etc. Afinal não se pode esquecer que Roseana... é Sarney.
Fred Carvalho
Roseana, democracia ou marketing?
Não creio que somente a Globo esteja fazendo campanha para Roseana. As revistas IstoÉ, Época e Veja são bastante irritantes também. O interessante é que nenhum projeto de nação foi apresentado. Nenhum dos candidatos aparece falando sobre assuntos como economia, meio ambiente, desenvolvimento social. São apenas fenômenos de mídia. Isto posto, como se pode analisar e escolher um candidato e inclusive afirmar (selffullfiling prophecy? Será?) que X venceria Y no segundo turno? Creio que o que vivemos não é uma democracia. Quando lemos o jornal, o que está escrito ali é a opinião do editor, com jornalistas que têm que trabalhar com a visão da empresa.
É realmente difícil escapar do establishment. Veja a quantidade de recursos que será investida na campanha do candidato do governo e veja quanto as oposições conseguirão. Ao que parece, o financiamento público das campanhas e o tempo de exposição na propaganda partidária igual para todos os partidos é um caminho democrático.
Porém, o que funcionaria mesmo é se a política fosse resultado de discussões das comunidades. As lideranças deveriam emergir do direito democrático e cidadão de discutir idéias e caminhos, e não de seguir rotas já conhecidas e desenhadas por marqueteiros ou adotar opiniões pré-concebidas dos nossos "formadores de opinião". Deixem que nós decidamos o que "é uma vergonha", ou se a "liberdade duradoura" é mesmo liberdade. O que queremos é pensar e planejar nosso futuro, e não viver a liberdade de consumo, que, por enquanto, é a única que o establishment nos deu (Só para quem pode, também).
Márcio Luiz da Silva Gama
Um ou dois fatos sobre Roseana
Foi com prazer que "descobri" o Observatório da Imprensa há 3 meses. Há muito tempo eu comento as "notícias por trás das notícias" no Brasil, e neste espaço encontro muitas opiniões semelhantes e, melhor, muitíssimo embasadas. Por isso, uma dúvida atroz, que me persegue já há meses, sobre as pesquisas de intenção de voto do DataFolha, que há muito vêm se comportado de modo, digamos, bisonho. A Sra. Roseana Sarney tem recebido destaque na Folha, mas alguns pontos obscuros escorregam pelas folhas do jornal: apesar de toda "preferência" por ela, no estado do Maranhão seus colegas de legenda e de grupo político NÃO têm recebido tal apreço do eleitorado local.
Ela não conseguiria fazer um sucessor... Conseguiria ser presidenta?
Claro, os fatos de que pessoas do calibre de ACM a apóiam e a seu sobrenome e de o marido ser o "maior" empreiteiro do estado foram até comentados, mas sumiram da pauta. Fatos intrigantes...
Leonardo T. de Carvalho
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