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ELEIÇÕES 2002
Dívida com a sociedade

O Datafolha e todos os demais institutos de pesquisa estão devendo muito à sociedade. Escrevo esta mensagem logo após a divulgação de mais uma pesquisa para os candidatos à Presidência da República, em 6/1/2002, quando a empresa de pesquisas do Grupo Folha incluiu o nome do apresentador Silvio Santos, que alcança 16% de intenções de voto e ganha de Lula no segundo turno.

Desde que incluíram o nome de Supla em uma pesquisa, virou tudo uma bagunça total, fato que pode levar ao descrédito este instrumento. Informam tudo, e ao mesmo tempo não informam nada. Por qual motivo em nenhum cenário é incluído o nome do senador Eduardo Suplicy, também pré-candidato, tanto quanto Serra ou Tasso? Outro questionamento é: por que nunca são publicadas as pesquisas espontâneas que, estas, sim, medem o real grau de conhecimento e interesse do eleitor pelo pleito?

É como sempre dizia o velho jornalista Murilo Antunes Alves, aqui de São Paulo: estatística é a arte de se mentir com números. Ele tinha razão.

Rogério Barreto Brasiliense, Santos, SP

 

Mídia e cargos políticos

Um tema que gostaria de ver tratado por Alberto Dines num desses dias em que lhe falte assunto mais relevante ou, talvez, menos angustiante: por que os cargos públicos eletivos não são preenchidos por concurso público, e sim justamente por eleições, se seus titulares são avaliados pela mídia formadora de opinião em termos de competência e incompetência, ou seja, segundo o mesmo critério pelo qual são avaliados os ocupantes de cargos técnicos, que, por isso mesmo, devem passar por concursos públicos para habilitar-se a seu exercício? A linguagem da competência/incompetência posta em andamento pela mídia não parece um tanto fascista, ou estou enganado? O que chamamos Brasil é algo da ordem do sonho e do pesadelo ou é, como os objetos da física e da biologia, uma realidade a ser estudada e a respeito da qual uma relativa mas crescente competência pode ser alcançada? Médicos podem ser acusados de incompetência em matéria de saúde, sacerdotes não podem ser acusados de incompetência em matéria de salvação. E os políticos? São sacerdotes, médicos ou, para a mídia, o que são?

Clauze Ronalde de Abreu

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