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NOTÍCIA DO SEQÜESTRO
Ou escondem ou manipulam
Meu nome é Giovano, trabalho em Brasília e tenho interesse em acompanhar os caminhos da mídia por vários motivos, entre eles, o de que ela tem decidido o destino do país com seu poder, elegendo e derrubando presidentes, por exemplo. Tamanho poder tem que ser observado.
Causou-me espanto hoje, após perguntar a dezenas de colegas de trabalho, o fato de que ninguém sabia de nada sobre o seqüestro do publicitário mais famoso do pais. Meu sentimento foi da incredulidade à ira em poucos segundos, e por isso trago a linha de debates deste programa algumas perguntas:
** Como pode ser suprimido da massa de forma tão perfeita o direito de acompanhar o seqüestro de uma personalidade?
** Como saber de hoje em diante se a mídia é mais prejudicial do que benéfica, pois se pode suprimir informação pode também criar, manipular e, enfim, fazer o que quiser com um país de cultura televisiva e evasiva tão forte?
** Como não acreditar que a mídia é corporativista ao extremo, e portanto perigosa porque tudo ao extremo é danoso?
** Se tem tanto poder a mídia, por que permite tanta barbárie na política, por exemplo?
Por fim gostaria de poder perguntar a cada jornalista, repórter, apresentador, colunista e principalmente empresário do ramo: onde fica a vergonha na cara? Porque jurar lealdade à verdade também é um juramento, e se juramentos não valem nada é melhor voltarmos às cavernas, sem papel, canetas, jornais.
Giovano Marcos Mazetto, assessor técnico em C&T
Como os abutres
Muito inspiradoras as palavras de Alberto Dines no artigo "Cascata sobre um seqüestro", publicado no Observatório. Acredito que maior angústia que o desfecho de um seqüestro não existe, não só para a vítima, mas para os parentes. Notícias sobre a situação do seqüestrado podem (ou não) aliviar tal sentimento.
Acredito que a imprensa não deva ignorar tal fato. Mas dilacerar a notícia como os abutres fazem com a comida, isso é antiético e desumano. Não penso que nossa categoria profissional seja a mais pura e inocente dentre todas. O que desejo realmente é que se faça jornalismo de forma séria, competente e principalmente responsável.
O que se vê em alguns órgãos de imprensa é a banalização da notícia. Mas, como a esperança "demora a cair na real", ou seja, é a "última que morre", espero que o jornalismo brasileiro torne-se mais atuante e menos cafajeste.
Ana Paula de Oliveira, jornalista
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