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JOÃO KLEBER
Crueldade na TV

Produtores, apresentadores e demais organizadores de programas devem reavaliar o que está sendo apresentado nos auditórios nas emissoras de TV - que formam público - num país em que a educação não é prioridade. A falta de referência de si mesmo nos lares faz com que milhões de brasileiros fiquem à mercê de verdadeiras maldades televisivas. Segunda-feira (6/01) à tarde, o programa de João Kleber abordava o envolvimento de uma senhora com o cantor Cristian - ela diz ter uma filha dele, rejeitada pelo pai. Dá ibope, mas não é lugar para confrontos como este, que expõe pessoas. Mãe e filha – pessoas simples, com dificuldades para administrar suas dores emocionais - foram instigadas a falar de suas mágoas, enquanto Kleber pedia a todo instante desculpas ao suposto pai, lembrando que Cristian é seu amigo, elogiando-o muitas vezes. Instigou a mãe a dar o nome da cantora Gretchen, que estava casada com Cristian quando a menina nasceu.

Gretchen e a assessora do cantor entraram em linha. A cantora foi de uma "bondade" maquiavélica - educada na aparência. Só mesmo quem tem malícia pôde perceber o massacre que mãe e filha sofreram no programa. A assessora do cantor foi de uma prepotência constrangedora. Comportou-se como se fosse uma autoridade máxima dando de dedo no nariz dos outros. Televisão não é lugar para agredir cantor, nem mãe, nem filha que não conhece pai. Assuntos como este devem ser debatidos em mesa redonda sem expor pessoas que já são vítimas de relacionamentos mal-acabados. Fazer ibope em cima de vítima de pai ausente e levá-la à TV para ser humilhada por amigos do próprio apresentador é no meu entender crueldade. A corda pendeu para o lado mais fraco. Mãe e filha ficaram confusas, não perceberam a diferença entre elogio e maldade, ou não reagiram por fragilidade emocional.

É assunto para o Ministério Público, com urgência. Sou a favor de uma discussão mais arrojada sobre a liberdade de imprensa com responsabilidade, do contrário o pão e o circo, vergonha exposta na história dos romanos, me parece, ficará também na história dos brasileiros do século 21.

Salete Delourdes, jornalista, Blumenau SC

 

MÁRCIA DENSER
Voz do asfalto

Parabéns pela entrevista com a escritora Márcia Denser, realizada por Deonísio da Silva. Tenho grande admiração pela obra e a ideologia dessa mulher, a qual estudo e defendo como precursora de uma nova faceta literária, nascida no asfalto das grande metrópoles, abordando a solidão e os conflitos humanos, a literatura urbana.

Fábio Fabrício Fabretti

 

CADERNO DE SÁBADO
Nova baixa na cultura

Gostaria de ler alguma coisa sobre o desaparecimento do Caderno de Sábado do Jornal da Tarde. Eu era colaborador do Caderno de Sábado, e fiquei sem espaço na mídia para os meus artigos (resenhas de livros e entrevistas com autores). Agora, sou só colaborador do suplemento Das Artes Das Letras do jornal O Primeiro de Janeiro, do Porto, Portugal www.oprimeirodejaneiro.pt. Parece que falar de livros (e cultura) é cada vez menos importante neste país.

Adelto Gonçalves

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