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DIPLOMA EM XEQUE
A revolta dos gaúchos

É com profundo sentimento de indignação que eu envio esse e-mail a vocês. Faço parte da turma de formandos (2001/2) da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Unisinos, da cidade de São Leopoldo, RS, e no dia 19 de janeiro teremos nossa colação de grau. Pois bem, recebi dois e-mails de colegas que já estão trabalhando na área e resolvi encaminhar a vocês para terem uma idéia da revolta dos jornalistas gaúchos.

Vanessa Girardi

E-mail 1

"Escrevo para desabafar sobre uma cena que presenciei hoje pela manhã na Redação do jornal NH. Pessoas que nunca foram a uma universidade ou que pararam no começo da universidade receberam suas carteiras de trabalho com o seguinte registro: Jornalista Profissional. Isso mesmo, graças àquela maldita liminar, foi aberta uma brecha e, mesmo sendo um registro precário (nome técnico), pois foi conseguido com uma liminar, tem o mesmo valor que o registro que será conseguido por nós. Não questiono a competência das pessoas que ganharam o registro (são bons amigos meus).

Sei que toda a minha bagagem, de seis anos, ninguém me tira e que, um dia, ela terá o seu valor. O que me revolta e me deixa com vontade de vomitar é que um investimento de R$ 25 mil, R$ 30 mil, em um primeiro momento, não tem o mínimo valor, pois pessoas que nada fizeram para receber esse diploma também são consideradas jornalistas, com os mesmos direitos. Estou realmente de cabeça cheia e assim está o pessoal do NH já formado ou que está em vias de se formar. Estão pensando em procurar um advogado para recuperar o dinheiro investido, tendo em vista que o curso de Jornalismo não tem a mínima validade para se conseguir um registro.

Se este movimento aumentar, aviso a vocês. Onde estão sindicatos, instituições do setor? Tô meio atordoado. E soube que em outras redações está acontecendo o mesmo fenômeno. E as pessoas que estão começando Jornalismo agora? Para que o estudo se a universidade não será mais pré-requisito? É o nivelamento por baixo. Chega de chorar e valeu. Precisava desabafar com as pessoas que realmente entendem do que estou falando. O que me conforta é que algumas amizades que fiz em seis anos não têm preço que pague. Mas, num primeiro momento, a situação é revoltante.

Onde estão as pessoas que defendem o jornalismo? Onde? Martin Herz Behrend"

E-mail 2

"Eu vi esta cena que estás descrevendo no dia que saiu a tal liminar, e a alegria (destas pessoas) lá na redação foi geral. Quanto ao investimento, eu já havia pensado em pedir os 20% que paguei de volta, e agradecer ao governo pelos 20 e poucos mil que ele me emprestou, enfatizando que não têm mais serventia, e por isso não considero necessária a devolução. Eu vi o sindicato fazer um auê, e enquanto tudo isso acontecia eu olhava em volta e via uma categoria (ou futura), bem desunida. Tu sabes como foi o dissídio, tu sabes como são as coisas. Não me arrependo da graduação porque tudo que a universidade me trouxe foi muito válido, mas essa rasteira faz com que eu me sinta como uma criatura sem rumo, sem passado e com uma perspectiva profissional inquietante. Acho que tudo isso me faz hoje pensar que o último lugar aonde quero chegar é uma redação de jornal. A decepção foi grande.

Acho que, além de confraternização, deveríamos nos unir para fazer um protesto (e mandar, por que não, um penico não só ao ministro da Educação, como também àquela juíza paulista. Vera Lúcia Fernandes"

 

Entre a cruz e a espada

Apesar de não concordar com a atitude, no mínimo leviana, da juíza Carla Rister, em permitir que o diploma de jornalismo não seja elemento obrigatório para o exercício da profissão, me tornei um fã obcecado pela tal "carteirinha" do MTb. A curto prazo, acredito que os esforços da Fenaj e da AGU em anular a tal decisão judicial serão em breve aceitos, pois não se faz jornalismo apenas por curiosidade ou "curtição", como diriam os mais antigos, mas sim com competência e, no mínimo, um vasto conhecimento que mescle técnica e background, tão perseguidos por reitores e difusores dos provões da vida.

Em nome de milhares de alunos de Jornalismo, carrego uma dúvida crucial quanto à posse da carteirinha do MTb: é ou não é necessária a posse deste documento antes da formação acadêmica? Estou no 4º ano, e não sei bem o que fazer. Peço um conselho ao Observatório: será que eu devo ou não me preocupar agora com o MTb?

Bruno Guilherme Garcia Bersano, São Paulo

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