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Edição de Marinilda Carvalho

Este é um especial Caderno do Leitor. Há cartas instigantes, com idéias originais, que incentivam a reflexão.

O inglês do leitor Herberth Lima pode até ser cambaleante, como ele próprio anuncia, mas conhecer a língua de Rumsfeld & Rice não lhe parece fazer falta alguma na compreensão de certos tabus nacionais: a imprensa brasileira fala pouco da imprensa brasileira. Como se temesse levantar seu próprio véu, critica ele, fazendo eco a uma das queixas mais antigas do editor-responsável do OI, Alberto Dines.

Outro leitor, Alessandro Gomes, mostra compreensão com os jornalistas que trocam verdades por emprego, conclama a imprensa a combater o bom combate e acaba por decretar, num jeito sincero e gentil, a inutilidade do Observatório: "O que adianta expressarem suas idéias num semanário a que poucas pessoas têm acesso, e pior, no qual a maioria tem as mesmas opiniões?" Choveram dúvidas: devemos fechar as portas? Ou apenas batê-las na cara de observadores que eventualmente pensam de modo parecido?

Um terceiro leitor, Vinicius Dardanus, também educadamente, pega a festa de boas-vindas dos iraquianos às tropas dos EUA, junta o complô satânico entre o PT e as Farc colombianas, acrescenta a condenação em massa de dissidentes cubanos, bate bem e cobra do Observatório que cumpra o que "promete" e denuncie "a censura da mídia contra a verdadeira e legítima voz do povo iraquiano, que dança nas ruas em agradecimento aos EUA", e a "vista grossa" em relação às denúncias contra as Farc e à ditadura cubana.

Puxa, Vinicius, o Observatório não é o Pentágono! Não é sequer uma empresa! Isto é, não somos um corpo unívoco em torno de uma ideologia, um interesse de Estado ou corporativo. Somos uma ONG pluralista de crítica da mídia. Cada observador escreve sobre o que lhe aprouver – quantas vezes precisaremos repetir isso?

Agora, "a nível" pessoal: quem ficou de olhos grudados na TV vendo a estátua do Saddam cair reparou que as câmeras jamais abriam a imagem... você reparou? O que não impediu que se visse muita gente parada na calçada em frente, ar de estupefação... você reparou? Vozes da imprensa em todo o mundo deram a dimensão exata da tal "festa". Para esclarecimentos, ver <http://globalresearch.ca/articles/NYI304A.html>

Ao segundo ponto: acredite, a imprensa brasileira voará no pescoço do PT no primeiro gesto do partido em direção a esse "eixo do mal" com a guerrilha colombiana – delírio recorrente da extrema-direita americana. Até lá, tenhamos paciência. Quanto a Cuba, o Observatório vêm publicando todos os relatório a respeito, seja dos Repórteres sem Fronteiras, seja do Instituto Prensa y Sociedad. O que mais deveria fazer o OI? Uma nova Baía dos Porcos?

Amigos, a cada um sua tarefa, certo? Boa leitura!

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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.

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O OFF TEM LIMITES
A essência do caso

Mestre Dines, se eu por acaso tivesse alguma ínfima (e nunca tive) dúvida sobre o que fizemos, o teu texto me deixa gratificado, recompensado, orgulhoso. Com a perspicácia digna de um grande jornalista, você resumiu a essência de todo este caso e a dimensão que ele pode ter para a nossa atividade. Fico feliz que esta percepção tenha sido feita por alguém com a qualidade, a relevância e a história de Alberto Dines na imprensa brasileira. Vou imprimir uma cópia e mandar pra minha mãe. A outra eu vou gravar no fundo do coração. Um forte abraço,

Luiz Cláudio Cunha

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Grampo acaba com grampo – Alberto Dines

 

MÍDIA & GUERRA
Matança de jornalistas

É assunto a se discutir o fato de tanques americanos voltarem, deliberadamente, seu fogo para o hotel que, todos sabiam, hospedava jornalistas. O local de transmissões da TV al-Jazira, apesar de ter sido bem informadas, antecipadamente, latitude e longitude, foi bombardeado como se os pilotos, e suas bombas, não tivessem equipamentos de localização extremamente sofisticados.

Pergunto eu, será que o comando de guerra americano não tem a real pretensão de destruir toda e qualquer possibilidade de informação que não seja aquela que deseja ver informada? Com o desenvolvimento das novas tecnologias de comunicação, o vencedor não mais pode escrever a história conforme sua ótica.

Izabel Delmondes

 

Aqui, questões veladas

Como o meu inglês é cambaleante, não acompanho na fonte o que se passa pelas bandas do Iraque. Porém, vem a Folha e nos empanturra de informações sobre a imprensa, especialmente o que acontece com TVs e jornais dos "coalizados". Nelson de Sá, especialmente, mas acompanhado-o Clóvis Rossi, Janio de Freitas, os editoriais... Estou vendo o seguinte diagnóstico: a imprensa americana coloca a perder anos de credibilidade, deixando de ser modelo (aquela TV árabe já havia sido bastante saudada tanto cá como lá), perfeito. Mas a questão seria: o que há, ou melhor, o que motiva a autocensura da mídia americana, a "foxização", como escreveu o editor da Ilustrada? Como sempre dizem que é a economia, estúpido, pergunto: sendo as questões financeiras a explicarem o padrão seguido pela mídia americana, o que poderá acontecer com o Brasil, com uma democracia mais recente, uma mídia que ainda tenta desligar-se do conluio inicial, para alguns, e permanente, para outros, com o regime militar relembrado por estes tempos de abril, e mais a franca adesão às "eleições colloridas"? Falo isso pois são bem sabidas as dificuldades da imprensa brasileira, que disso, como já lembrou Eugênio Bucci, pouco fala. Os impressos só gostam de comentar os sobressaltos das Organizações Globo.

Gilberto Dimenstein, no seu espaço Pensata, comentou o "jornalismo chapa-preta do PT". E o governo Lula fez circular interna indicando a existência de um certo "colunismo do tucanato"; e mais, "afirma, explicitamente, que colunistas fazem ‘leasing’ de suas colunas". São questões não discutidas, pois a violência que nos aflige aqui e voa pra Bagdá não deixa e não há tempo para tudo.

Quando Clóvis Rossi, dono de espaço nobre, colunista político, repórter de questões bem específicas e integrante do Conselho Editorial nos diz que o melhor analista político se chama Zé Simão, e quando sabemos que o mesmo Zé Simão nos repetia sempre "vamos privatizar a Míriam Leitão", e ainda quando a CartaCapital confirma a figura da colunista econômica da Globo como uma das marcas do poder tucano, ao lado de Higienópolis, Gianotti e outros, o que mais salta aos olhos é que no jornalismo brasileiro existem questões veladas, não discutidas, pois assim será melhor.

Lembra da família que finge não ver a homossexualidade do filho.

Herberth Lima, estudante universitário, Natal

 

Vietnã esquecido

Belo artigo sobre os exageros "politicamente corretos" da imprensa brasileira. Eu acrescentaria à lista a matéria do Bom Dia Brasil do Marcos Uchôa, na qual ele diz que o exército profissional americano é muito mais violento do que o exército profissional britânico, e que se o exército americano fosse "não-profissional" os civis estariam mais seguros. Creio que o Uchôa nunca ouviu falar na Guerra do Vietnã....

Rodrigo Carvalho

 

Insanidade do império

"A população iraquiana está pagando um preço muito alto pela insanidade de Saddam Hussein." Por que, senhor jornalista, que a insanidade é de Saddam? Saddam tem culpa no cartório, mas a maior insanidade foi do império comandado por Bush Jr. Atenciosamente,

João Bosco de Almeida Souza

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