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MÍDIA & GUERRA
Do outro lado da lente

Excelente o comentário de José Colucci Jr.. O tema desperta em nós, jornalistas, cada vez mais, interrogações e mais interrogações acerca da imagem verdadeira que existe do outro lado da lente de uma máquina fotográfica.

César Rasec

 

A forma de quem cria

Muito bem observado pelo J. Colucci Jr. que a verdade é relativa, que o objeto da comunicação toma a forma de quem o cria ou divulga, que a interpretação depende de que lado o observador está... Isso nos deixa apreensivos, pois à medida que temos à nossa disposição meios tecnológicos mais eficientes de forjarmos propostas, versões etc.... Até quando os meios de comprovação da "verdade" serão aceitos como tal? Por exemplo: hoje acreditamos que uma cadeia de moléculas no DNA de uma pessoa a delate como a autora de um determinado crime. E se esse DNA fosse alterado de alguma forma e no local do crime colocado, já caminhamos para isso, não é?

Como nos disse o autor do artigo, só resta mesmo "cruzarmos" muitas informações de diversas fontes, além de levarmos em conta a credibilidade e a vida pregressa do autor. De qualquer forma, achei muito interessante a questão levantada, com relação à hipocrisia que domina o pensamento dos que não param ou, não querem parar, para analisar as situações que nos apresentam para serem consumidas e, dos que as geram ou distribuem. Parabéns.

Gerson Luiz Spiandorelli

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Tecnologia e hipocrisia digital – José Colucci Jr.

 

Chechênia esquecida

Enquanto a coalizão anglo-americana manda ver no Iraque a propósito de remover do poder um ditador sanguinário, o governo Vladimir Putin prossegue as operações de "limpeza" na Chechênia, sem que uma só imagem seja mostrada pelos jornais televisivos brasileiros. Por que a Casa Branca também não tenta remover Putin do poder? Medo, cinismo, acordo ou um pouco dos três? Por que as redes de televisão brasileira declararam guerra aos chechenos?

Fabio de Oliveira Ribeiro

 

Jornalistas, à luta

Vejo que estamos numa verdadeira guerra, uma guerra que envolve todos os meios. E o mais impressionante é que os jornalistas se mostram incapazes de ver aquilo que eles mesmos ajudaram e ajudam a criar. Criticam as emissoras que dão apoio ao governo ditatorial dos Estados Unidos, mas são as primeiras a continuar a mostrar os fatos, as imagens da guerra, para terem audiência. Comem os restos da carniça. O que adianta levantar tanta indignação, se emissoras, jornais, revistas etc., por pouco que seja, são parciais? Afinal, elas precisam sobreviver, e para sobreviver nesta guerra urbana não se pode ser anjo. Criticamos os Estados Unidos, vamos às ruas, quebramos Mcdonald’s, explodimos nossa revolta... cadê nossa revolta contra a empresa de papel que fez um desastre ecológico, cadê a nossa procura por justiça no Brasil, cadê nossa ajuda a quem passa fome, cadê o nosso grito nas ruas para que se faça paz em países em que morrem muito mais inocentes do que nesta guerra no Iraque, cadê estes manifestantes na hora em que os políticos aumentaram seus salários... cadê?

Em toda a história sempre existiram guerras por interesses, por que agora deveria ser diferente? Vocês, jornalistas, se acham os precursores da verdade, do idealismo, da imparcialidade... mas vocês não vêem ou não querem ver que estão no mesmo barco: todos precisamos manter uma família, temos que trabalhar para isso, e se você abrir a boca demais pode não ter mais trabalho amanhã.

Está certo que a mídia tem um papel muito importante numa sociedade, mas depois de ver tanta sujeira, que não é pouca, gostaria de ver os senhores da mídia realmente fazerem alguma coisa para mudar esse país que está cada vez mais no buraco. O que adianta expressarem suas idéias num semanário a que poucas pessoas têm acesso, e pior, no qual a maioria tem as mesmas opiniões?

Temos que fazer uma guerra mesmo é contra a ignorância, temos que começar pelos nossos filhos, na escola onde ele estuda, temos que tentar fazer com que as pessoas usem seus cérebros. Vocês não querem ser idealistas? Então, vamos à luta. Se não fizermos algo não vão adiantar tantas criticas aos EUA, pois continuaremos a comer na mão deles.

Alessandro Gomes

 

Festa, Farc, Fidel...

Praticamente não se viu nos jornais brasileiros, tanto nos impressos quanto nos televisionados, a festa iraquiana em Bagdá e em outras diversas cidades. Milhares de pessoas cantavam, beijavam bandeiras e soldados americanos, e gritavam "No Saddam!" e "Thank you, Mr Bush". Agora, é obvio que essa notícia desagrada tanto a nossa mídia quanto aos nossos jornalistas, o que inclui vocês do Observatório.

Não dá mais para esconder, ontem todo mundo notou o antiamericanismo velado da imprensa. Os jornalistas brasileiros quase choraram com a morte de Saddam, e não escondiam a surpresa e o desapontamento com a felicidade com que o povo iraquiano recebia a liberdade.

Como reação, a mídia deu um show de parcialidade. O Jornal Nacional censurou a voz do povo iraquiano e agradecia pela liberdade. Como se chama quando a mídia esconde a verdade e manipula as noticias de acordo com o sabor ideológico? Não é exatamente essa conduta que a organização de vocês tenta coibir?

A mídia brasileira é completamente antiamericana. Só perde, e por pouco, para a al-Jazira. Mas, ao contrário, tem-se a ousadia de dizer que a mídia brasileira é pró-EUA? Mesmo após ela esconder todas as imagens de apoio aos EUA da população iraquiana? Com o devido respeito aos que não compartilham dessa conduta, tenho que dizer que é vergonhoso!

E tem mais: o deputado federal Alberto Fraga, do PMDB do Distrito Federal, voltou a acusar o PT de ter recebido dinheiro das Farc na campanha presidencial. Afirma ter documentos que comprovam este fato, e que já reúne mais da metade das assinaturas necessárias para o estabelecimento de uma CPI. A despeito da severidade das denuncias, esta passou desapercebida da grande mídia. Fosse outro partido que não o PT, a mídia estaria dando estertores jornalísticos. E vocês, do Observatório, outros. Mas, como é o partidão, ai vocês fazem vista grossa, fingem que não vêem, perdoam tudo. Ou seja, cometem a mesma conduta que prometem coibir.

Ora, pergunto: o Observatório da Imprensa é um instrumento pela isenção e a ética da imprensa ou um órgão de patrulhamento ideológico e propaganda política? São duas atividades absolutamente excludentes. Caso defendam realmente a ética, cumpram o que prometem e denunciem a censura da mídia contra a verdadeira e legítima voz do povo iraquiano, que dança nas ruas em agradecimento aos EUA, bem como a vista grossa feita em relação às denúncias do deputado Alberto Fraga. Integrantes do governo Lula já classificaram os terroristas das Farc como "parceiros do Brasil", e o PT tem com eles um convênio político, através do Foro de São Paulo, no qual ambas as organizações têm status de "membros", junto com o Tupac Amaru e o MIR chileno.

E, por último, enquanto o mundo se distrai com a guerra no Iraque, a ditadura cubana aproveitou para prender, acusar e condenar, em "julgamentos-relâmpago", sem direito a defesa, dezenas de dissidentes políticos. Um escândalo totalitário de opressão. A mídia brasileira deu a isso uma cobertura mínima, possivelmente para não arranhar a imagem de nosso presidente, um aliado declarado do ditador cubano.

Vinicius Dardanus

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