Edição de Marinilda Carvalho

Uma carta muito interessante nesta edição do caderno, enviada por Oswaldo Carneiro, de Belém, comenta o jeito segundo o qual são escritos hoje em dia os perfis das pessoas que por um motivo ou outro aparecem na imprensa e merecem ter sua vida contada de forma breve ao leitor.

Ao fazer um perfil, o repórter normalmente apura o vocabulário, nota-se que cada frase é burilada com extremo cuidado, e o texto em geral é uma peça jornalística muito bem-escrita.

Mas vazia. Oswaldo observa apropriadamente que, ao contrário de antigamente, nos perfis atuais não há mais lugar para os desafetos do personagem: só falam amigos e admiradores. Essas matérias "estão ficando um tanto monótonas", diz ele. Verdade pura.

Um abraço, boa leitura.


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PERFIS
Vesguice biográfica

Deixo-me seduzir com facilidade por matérias do tipo "perfil". Acho, no entanto, que elas estão ficando um tanto monótonas na imprensa brasileira de um modo geral. Quase sempre o jornalista "endeusa" o seu entrevistado e, para carregar mais nas tintas dessa linha, se preocupa apenas em entrevistar amigos e congêneres da personagem em foco. O resultado acaba rendendo uma vesguice biográfica.

Não há contraponto, não se abrem espaço para os desafetos, não há uma crítica isenta do trabalho desenvolvido pelo entrevistado, que acaba mais parecendo um ser "mítico", desprovido do "barro" humano. Só se lê confete. É esse viés, por exemplo, que se nota claramente na matéria recente da Veja sobre o arquiteto Oscar Niemeyer.

Osvaldo Carneiro, Belém



JORNAL DA RECORD
Apresentadora alérgica

No dia 7/5, segunda-feira, os telespectadores do Jornal da Record-2ª edição foram surpreendidos por uma bronca da apresentadora, a jornalista Salete Lemos.

Perturbada por uma alergia a produtos químicos, Salete não resistiu ao cheiro do "tinner" usado na reforma do estúdio e mandou um puxão de orelha em pleno ar à turma. Foi interessante. Primeiro ela anunciou que talvez não conseguisse terminar o jornal por causa da alergia. No bloco seguinte saiu-se com essa: "Peço desculpas aos telespectadores porque vocês não saberão das últimas notícias. A reforma em horário inadequado me deixou sem voz e me sinto sem condições de continuar apresentando o jornal de hoje, então vamos terminar. Boa noite."

Onde está o respeito ao telespectador? Por que ela não foi substituída por algum jornalista de plantão? Caso a Salete fizesse questão de apresentar, por que não terminou o jornal sem comentários sobre a reforma, podendo, na edição seguinte, abrir o jornal justificando o "encurtamento" do dia anterior?

Marcelo Araujo, Paulínia, SP



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