
LEI ALDO REBELO
Sexo na cabeça?
A propósito da discussão sobre a propriedade ou não da Lei Aldo Rebelo de defesa/engessamento da língua portuguesa no Brasil, existe um detalhe curioso em caso de aprovação: nossos tradutores estão preparados?
Senão, vejamos: na página do UOL que reproduz matérias do jornal americano USA Today lê-se: "A busca por células de estame (grifo meu) que possam um dia regenerar os órgãos humanos e curar as doenças mais comuns pode se encaminhar a uma direção inesperada depois da publicação de um relatório no qual cientistas alegam terem conseguido recuperar células viáveis de cérebros humanos até 20 horas depois da morte dos pacientes doadores. Genética pode utilizar cérebros de cadáveres www.uol.com.br/usatoday/us0405200101.htm).
Células de estame no original era "stem-cells", que em tradução literal e comumente empregada no jargão científico tupiniquim significa célula-tronco. "Estame" em inglês é "stamen", e não "stem".
São recorrente as anedotas criadas pelas traduções literais de termos estrangeiros na tradução para o português (da qual o texto em questão não está livre, como veremos logo mais adiante), mas quando se escorrega até mesmo nesse recurso primitivo e comete-se um erro grosseiro como esse o que podemos concluir?
Por hora, apenas uma observação inquietante: "estame" são as estruturas sexuais masculinas das plantas com flores. O que elas estariam fazendo em nossos cérebros? Freud explica? Nesse mesmo texto, o tradutor não hesita diante da expressão "embryonic cells", tasca logo a expressão "células embriônicas", desconhecendo que o termo em português é "embrionário", e não o inexistente "embriônico".
O texto-base em inglês do artigo comentado pode ser lido em: "Stem-cell alternative: Cadaver brains" www.usatoday.com/usatonline/20010503/3286619s.htm.
Roberto Takata
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GAL DESAFINOU
E Gerônimo também
Ainda que bem-informado e, principalmente, bem-intencionado, o Observatório da Imprensa, por intermédio de um dos seus brilhantes articulistas, nos dá a conhecer um aspecto da notícia carente de veracidade. Estou me referindo ao texto em que o compositor baiano Gerônimo é citado como um não-aliado ao mais conhecido moleque-do-campo-da-pólvora, que também identificado pela sigla ACM.
Convicto da vida ilícita do citado senador, desejo informar que o compositor Gerônimo, ao contrário de bastião da legalidade, da integridade, da respeitabilidade, da resistência, é conhecido autor de jingles-exaltação que – segundo suas próprias palavras – praticamente elegeram ACM. Esta declaração do autor de "É d’Oxum" deu-se em encontro de compositores realizado pela Amar (Associação de Músicos, Arranjadores e Regentes, no Hotel da Bahia, há, aproximadamente, 6 anos, e pode ser comprovada pelo deputado José Genoíno, que lá estava para falar sobre a nova lei do direito autoral.
Além do mais, Gerônimo, comum e repetidamente, participou dos eventos patrocinados pelo governo do estado, principalmente no Pelourinho, com temporadas em que recebia um cachê bem acima do destinado a artistas outros, participantes do mesmo projeto. As contratações sempre foram feitas sem outro critério que não a subserviência. A exemplo da senhora Gal Costa – que recente e finalmente esclareceu um aspecto obscuro acerca de sua origem (ACM é o pai!) –, Gerônimo, covarde ou canalhamente, apoiou, sim, o meliante maior das terras de Gabriela.
Convidado pela TV Bahia, Gerônimo compareceu a uma gravação em que explicita a sua conivência, trazendo a tiracolo o mesmo instrumento usado pelo ex-presidente do Senado: um trombone. Na ocasião, Gerõnimo tocou o trombone. Este, também, desafinado.
Áureo Brasil
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