16/09/2003

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Edição de Marinilda Carvalho

O tema em destaque é o Provão. E algumas cartas são de partir o coração.

** Nos querem "quietinhos", respondendo à chamada, pagando em dia e nada mais. Se teremos chance de disputar um bom trabalho depois de formados parece não interessar. (Carlos Leandro Macedo Gaseta, da Unisuam, RJ)

** Estão em jogo os meus objetivos profissionais, e o que parece é que as universidades particulares não se preocupam muito com isso. (Max Santos, da Universo, PE)

Seja qual for a saída, que ela seja urgente. Os alunos estão pedindo socorro!

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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. E se reserva o direito de solicitar ao remetente o número de seu telefone para eventuais checagens de informação. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.

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AVALIAÇÃO IMPLODIDA
Alunos sem saída

Sou estudante de Jornalismo da Unisuam, no Rio de Janeiro, Bonsucesso. Estudo para me formar jornalista, e para isso me dedico extremamente, e preocupo com o conteúdo que recebo, pois não quero ter um diploma "inutilizável". A instituição não demonstra, porém, o mesmo entusiasmo em me preparar para o mercado de trabalho. Falo em nome de todos os alunos, meus colegas, do curso de Comunicação Social. Falta-nos laboratórios para desenvolver nossos projetos e pesquisas; as idéias que nascem em nossas reuniões são aniquiladas pela falta de apoio e orientação; sabemos das nossas qualidades e da nossa capacidade para produzir, mas não somos encorajados a fazê-lo. Como devem agir os alunos nesta situação?

Deveríamos, nós, provocar um esvaziamento em massa? Deveríamos sair do curso, ou ameaçar apenas, para demonstrar à coordenação nossa insatisfação? Já tentamos de tudo para provocar uma mudança na postura dos coordenadores, sem sucesso. Queremos ser desafiados, provocados, testados... Na verdade, o que nos parece é que somos ignorados. Nos querem "quietinhos", respondendo à chamada, pagando em dia e nada mais. Se teremos chance de disputar um bom trabalho depois de formados parece não interessar. Qual seria a postura mais adequada dos alunos que se encontram nesta situação?

Carlos Leandro Macedo Gaseta, estudante de Jornalismo

 

Futuro em jogo

Sou estudante da Universidade Salgado de Oliveira em Recife. Minha turma está no sexto período de Jornalismo, ou seja, prestes a entrar no mercado de trabalho, e a universidade não tem um estúdio sequer de audiovisual. Para aproximadamente 12 turmas de Jornalismo, existem 5 câmeras fotográficas e cinco filmadoras handycans (até parece que somos turistas). A coordenação e a direção alegam que as determinações dependem da matriz da universidade, no Rio. Acreditei na Universo quando chegou a Recife, e agora estou preocupado quanto a minha qualificação futura. Estive no ultimo Intercom, em Minas, e pude perceber pelos trabalhos apresentados que infelizmente estamos em outro nível em relação aos demais centros acadêmicos. Estão em jogo os meus objetivos profissionais, e o que parece é que as universidades particulares não se preocupam muito com isso.

Max Santos, Recife

 

O Provão não ajudou

Já discuti em vários ambientes, universitários ou não, o problema da avaliação. Num primeiro momento, só a área de jornalismo, e com o interesse ampliado em benefício do meu país, os demais cursos. Quanto ao jornalismo, na escola e na vida profissional, é uma área extremamente exposta à avaliação imediata e permanente, do colega ao lado e pela sociedade, quase que imediatamente após o trabalho estar publicado, irradiado ou "internetado". Somos treinados a receber a avaliação com um sorriso ou um esgar. Mas, é a vida!

Considero, porém, que deveria ser acrescentado um item à pergunta da urna proposta pelo OI, eliminando ou complementando a opção "pela sociedade". Que grupo representativo da sociedade estará capacitada a avaliar um curso universitário? A pergunta agora vale para todos as carreiras de 3º grau. Este levantamento poderá levar à situação hoje existente no chamado Provão, no qual, por exemplo, um curso de Medicina mantém um aluno entre 6 e 8 anos ligado à universidade. No final, sua vida profissional e o curso que o formou podem ser detonados por uma prova de quatro horas, com 10 ou 20 questões. E quem vai provar que estas questões são as essenciais?

O Provão não melhorou em nada o ensino do país. Creio que as visitações do MEC para analisar as condições de oferta e a obrigatoriedade de qualificação acadêmica dos professores, sim. Neste último quadro é possível que a qualidade da avaliação venha a ganhar pontos se fossem incluídos na equipe profissionais reconhecidos de cada área, e não só professores que, muitas vezes, só têm a visão acadêmica do curso a ser avaliado.

João Brito de Almeida, professor de Jornalismo na PUC-RS

Leia também

Algo de podre no reino do Provão – Alberto Dines

O "liberou geral" da educação – Victor Gentilli

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