16/09/2003 3/8

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DOMINGO NADA LEGAL
Gugu passou dos limites

Venho há algum tempo defendendo medidas contra programas como o do Ratinho. Mas o Domingo Legal passou dos limites. Colocar dois "bandidos" e dizer que são do PCC é uma vergonha. Gugu fez o telespectador de bobo. E sua expressão de vítima no fim do programa? Exigem-se providências urgentes. Onde estão os órgãos responsáveis pelo conteúdo nas emissoras? Vergonha.

Alisson Cassol Dozza, estudante de Jornalismo, RS

 

Preconceito do OI?

Pelo que pude observar, não citou-se aqui o episódio da falta de ética do "jornalismo" do SBT, que teria entrevistado, supostamente, integrantes do PCC. Nomes foram citados, famílias aterrorizadas. Será que o Observatório não divulgou essa palhaçada com os telespectadores do Brasil todo por preconceito ao tipo de jornalismo feito em programas como Cidade Alerta, Repórter Cidadão ou Brasil Urgente? Marcelo Rezende foi muito correto ao demonstrar seu "luto", com relação aos veículos de informação atuais, que por pontos no ibope falam o que querem, e aceitam ser comparsas nesta "máfia" da informação.

Não é possível que devido a preconceito essa discussão não tenha sido aberta aqui, neste veículo, tão respeitado por mim e por muitos. Espero que o SBT seja, como deve ser, punido, pela falta de ética e por deixar que nomes de pais de família fossem expostos daquela maneira. Espero que o Observatório não seja mais um comparsa desta irresponsável divulgação de nomes e supostos líderes

Karina Retamales

Nota do OI: O Observatório nada publicou a respeito na edição anterior por duas razões: 1) nenhum observador comentou o assunto e, 2) as evidências da fraude só começaram a aparecer na terça-feira (9/9), quando os textos da edição nº 241 do OI já estavam fechados e preste a ir para a rede. Nesta edição, leia os comentários sobre o assunto na rubrica Imprensa em Questão.

 

Vocação para a salada

Uma mentira repetida a exaustão pode tornar-se uma verdade – pelo menos para aqueles que queiram comprá-la sem questionamento algum. O método remonta à Segunda Guerra, todos o sabem, e tornou-se o artifício da propaganda. Há um tipo de jornalismo (se assim se pode nomeá-lo) que tem lançado mão dos artifícios propagandísticos – e tem sido recorrente o tema neste Observatório sobre a maneira de se vender notícias: ora embalada em tragicidade, ora em entretenimento.

Em virtude do 11 de setembro, o assunto da semana não poderia ser outro, uma vez que na quinta-feira a tragédia (anunciada?) completou dois anos. E assim o Fantástico ("30 anos, show da vida") da Rede Globo inaugurou a semana – quem o assistiu no domingo 7/9 pôde constatar – veiculando entrevista com um especialista americano (tirado não se sabe de onde) para declarar a iminência de novos ataques terroristas aos EUA. (Tão óbvio! Como não pensaram antes que para "comemorar" um ataque terrorista estejam planejando outro para a mesma data? E justamente quando a popularidade do caubói Bush está caindo...).

Com todo o aparato de matéria jornalística – se bem que o Fantástico sempre demonstrou vocação para misturar pseudo-reportagens, diversão, enquetes, quadros humorísticos etc. –, exibiu um resumo dos acontecimentos que envolveram a referida data e seus desdobramentos. Mas o melhor ainda estava por vir – e veio com a entonação de sir Cid Moreira (e se você esperava mais revelações do tal especialista, decepcionou-se) apresentando o pacote 30 anos de Fantástico, no qual se encontram reunidos os melhores momentos de todo esse período. Aí se misturaram na telinha imagens de várias tragédias, é claro, num verdadeiro imbróglio.

Esvazia-se assim a notícia, também a reflexão, criando um jogo de espelhos em que a propaganda reflete a notícia e esta aquela. Vendem-se fatos televisivos como notícias relevantes (até mesmo jornais e revistas como no caso da personagem da novela das oito, baleada no centro do Rio) e a propaganda muitas vezes se reveste de caráter jornalístico para angariar maior credibilidade.

O telespectador realmente deve ter se sentido tentado a comprar as fitas, ou DVDs, que sejam. Esse o tipo de televisão que se pratica aos domingos, quando muitos não têm outra opção senão a caixa de ilusões. Acredita-se na verdade que se quer acreditar – mesmo que seja uma boa mentira.

Afonso Caramano, funcionário público

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