MATÉRIAS PAGAS
Atrelados ao governo
Se existe algo que representa a evolução política, cultural e social de uma determinada população é a imprensa deste lugar. Sendo assim, podemos afirmar que o Estado de Goiás é um dos lugares mais atrasados do planeta. Não que a imprensa deste estado não tenha bons profissionais e estrutura técnica. O que a imprensa deste estado não tem é identidade. Ela é atrelada ao governo estadual de tal forma que apenas a ele atende. Omite e engana. Por isso, não tem identidade, é pau mandado e ponto.
Imprensa de verdade não tem preço, não se vende. O verdadeiro jornalismo é feito de fatos e verdades, e não de notícias plantadas, e maquiadas, para atender a quem paga as contas. Não se compra a opinião de pessoas íntegras. Compra-se de mercenários que vendem a própria alma. A credibilidade e o respeito só são obtidos com honestidade e transparência. Números de vendas, e de audiência, representam a quantidade, mas não especificam a capacidade intelectual de quem lê, escuta ou assiste. E para finalizar: mais vale contar uma verdade a uma única pessoa do que mentir e omitir a milhares.
Certo estava Tim Maia, que brigou com toda a classe de produtores, donos de TVs e outros mais. Não aceitou a cultura do jabá das gravadoras que reinava, e que hoje reina ainda mais. Acabou sozinho, e ganhou muito menos dinheiro do que seus colegas cantores da época, que aceitavam o trambique. Será sempre será admirado, porém, por sua autenticidade e coragem de enfrentar a mentira. Como diria ele mesmo: chama o síndico!
Wilton de Paula Soares Jr., diretor da revista Camera3
Com chamada na primeira
Muito pertinentes as colocações de Alberto Dines em relação às interferências do poder público e do comércio em geral nos veículos de comunicação. Trabalho numa empresa que, descaradamente, está vendida ao governo do estado. Outro dia tivemos que fazer chamada na primeira página do jornal de uma matéria paga. Vê se pode! Seria muito bom que a ANJ tomasse medidas para evitar esses abusos.
Arão Azevêdo
Direito atropelado
Também considero isto imoral, e um desrespeito com o leitor. A liberdade de informação do veículo não pode atropelar o direito de ser bem-informado do leitor.
Marta Guerra
Ainda ilegais
Embora, conforme o repórter da Folha destaca no texto, as matérias pagas tenham sido feitas por meio de agências de publicidade e com notas fiscais, isso não as torna legais. A Constituição proíbe a promoção pessoal de ocupantes de cargos públicos à custa do erário. Portanto, essas peças publicitárias divulgadas como reportagens são ilegais e merecem providências por parte do Ministério Público.
José Rosa Garcia, jornalista
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