16/09/2003 6/8

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"MEDICINA" ALTERNATIVA
Excelente

Excelentes os dois textos sobre as reportagens da IstoÉ a respeito de "medicina" alternativa.

Jorge Valentim Filho Rio de Janeiro

 

Arrogante

Com a arrogância característica dos que se pretendem donos da verdade e da ciência, o autor investe de forma leviana e irresponsável contra o que considera tratamentos médicos "alternativos" ou "complementares". É tão arrogante que, mesmo sem pesar criticamente seus próprios argumentos, passa a atacar o Conselho Federal de Medicina e outros órgãos por terem reconhecido a homeopatia como uma especialidade médica. Esqueceu-se de citar organismos oficiais similares, na Europa e nos Estados Unidos, que também adotaram a mesma medida. Do alto de sua pretensa sapiência, o autor lista uma série de argumentos que, se fosse realmente bem-informado, saberia que também são compartilhados por médicos homeopatas e praticantes responsáveis de outras especialidades clínicas alternativas.

O ceticismo arrogante dos pretensos defensores da ciência os faz ignorar o falacioso jogo de interesses que eles ajudam a acobertar. Não foi nenhum folhetim alternativo ou boletim de esquerda que demonstrou, há pouco tempo, que as grandes multinacionais farmacêuticas despendem muito mais verbas em campanhas publicitárias e ações de marketing do que em pesquisas científicas. Foi o vetusto Wall Street Journal, sempre de olho na flutuação das ações mais rentáveis do mercado global. Chamar de ignorantes os que se utilizam de terapias alternativas é não só agredir o bom senso, é ofender a dignidade de quem busca minorar o sofrimento de milhões de seres humanos em todo o mundo. Pelo sobrenome do ilustre engenheiro-agrônomo, autor do leviano comentário, parece ser de ascendência alemã. Pois bem, na Alemanha, atualmente, mais de 30% da população fazem uso de terapias alternativas. E foi lá, não por acaso, que na primeira metade do século 19 o médico Samuel Hannemahn descobriu os princípios que até hoje fundamentam a homeopatia.

Orlando Maretti, jornalista

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TRIPÉ SATÂNICO
A favor ou contra?

O webmaster Rogério Gonçalves fala da força dos grandes e dos provedores-laranja como testas-de-ferro, meramente fachadas. Depois, do desrespeito com o usuário. Afinal, ele é contra ou a favor dos milhares de provedores-laranja? Sabia que os provedores laranja também poderiam fornecer acesso discado a 128 Kbps, velocidade considerável, se não houvesse pressão dos grandes nas empresas de tecnologia? Sabia que os provedores-laranja são milhares no Brasil, e geram empregos e impostos, e são os que conhecem os clientes, cumprimentam, vão até suas casas, ouvem suas criticas e resolvem seus problemas – e são os que menos ganham? Sabia a intenção das grandes operadoras é concentrar todo e qualquer tipo de usuário como se tivessem um simples telefone? Sabia que o usuário sai prejudicado com isso, pois os preços só aumentam, não existem concorrência, e está cada vez mais caro? Preciso saber de que lado o autor está, pois pode estar prejudicando ou ajudando milhares de micro e pequenas empresas!

André Ott, Medianeira, PR

 

Rogério Gonçalves responde

Oi, André, grato pela mensagem. O que eu tenho a dizer sobre o assunto é que infelizmente os fatos acabaram comprovando que vocês estão sendo descaradamente usados como laranjas das concessionárias de telefonia fixa desde 1995, portanto, antes mesmo de elas serem privatizadas em 1998. Resumindo a ópera, nenhum provedor do Brasil jamais teve a mínima condição de concorrer com as concessionárias de telefonia no mercado de conexões internet e, no fim de 1994, a Embratel já estava com tudo pronto para atuar como provedora, com enorme vantagem para os usuários, que seria a cobrança dos serviços baseada nas tarifas básicas de comunicação de dados (TBCD) controladas pelo governo, ou seja, uma condição na qual o monopólio estatal poderia ser até benéfico para os consumidores, pois os preços da internet seriam equivalentes aos cobrados na rede Renpac, na qual uma assinatura com LP custava aproximadamente R$ 280 por mês, para uma velocidade de 9.600 bps.

Acontece que o novo governo que assumiu na época já estava de olho nas futuras privatizações, e resolveu inventar uma forma de impedir que a Embratel passasse a ter posição dominante no mercado de usuários finais de internet, pois isso complicaria os planos que eles tinham para estabelecer um oligopólio das concessionárias de telefonia nos serviços de comunicação de dados realizados através da última milha. E assim foi editada a norma 004/95, que criava o PSI e o PSCI, dando origem aos provedores de acesso internet, que serviram para embromar o mercado até que as novas concessionárias estivessem em condições de assumi-lo.

A falta de interesse do Minicom em reeditar a norma 004/95 baseando-a na Lei 9.295, de forma a impedir a sua revogação pela LGT, foi o primeiro sinal de que os provedores de acesso já não tinham mais tanta importância no esquema. O segundo sinal foi a concessão de termos de SRTT para todas as concessionárias de telefonia (previsto no artigo 207 da LGT) somente quando faltavam apenas três dias para as privatizações. E aí, como todo mundo já sabe, as novas concessionárias quase que imediatamente passaram a investir milhões em suas redes de dados, para atuarem como superprovedoras de conexão internet, revendendo portas dial up aos provedores de acesso, que gradativamente foram se livrando de seus equipamentos próprios, tornando-se meras fachadas das concessionárias de telefonia, que assim conseguiam passar ao mercado uma falsa idéia de concorrência, que jamais existiu, pois os únicos provedores de fato eram elas mesmas.

A prova de que os provedores de acesso estão sendo utilizados como laranjas, creio que na esmagadora maioria dos casos talvez até involuntariamente, são os inúmeros artifícios utilizados pela Anatel para driblar a LGT e inventar pretextos que tornem imprescindível a existência deles, apesar de qualquer traceroute mostrar claramente que são as concessionárias de telefonia os verdadeiros provedores das conexões. Acontece, que tanto as portas dial up quanto as conexões em banda larga através do aDSL são serviços baseados nos termos de SRTT das concessionárias, que entre outras coisas determinam que qualquer atividade acessória à prestação dos serviços deve ser contratada diretamente pela prestadora, o que, em outras palavras, significa que em vez de sujeitar os provedores a serem cúmplices destas humilhantes vendas casadas as concessionárias deveriam remunerá-los diretamente por serviços como e-mail, ftp, http e suporte técnico, entre outras atividades que agregam valor ao serviço de comunicação de dados prestado por elas.

No caso da Telemar, aqui no Rio, por exemplo, o mesmo tipo de contrato que ela mantém com a empresa que fornece o Velox mail deveria ser feito com todos os revendedores do Velox credenciados por ela. O único problema que poderia surgir no caso de as concessionárias agirem de acordo com a lei com seus provedores credenciados seria o fato de que sem utilizá-los como laranjas ficaria um pouco complicado para elas dizerem que não existe oligopólio também nos seus serviços acessórios. Só para constar: nem tente comercializar o ISDN, pois você pode estar certo que a primeira coisa que a BRT vai fazer é denunciar você por violação do artigo 183 da LGT, que pode dar até 4 anos de cadeia.

Espero ter tirado a dúvida sobre de que lado estou, aproveitando para lembrar que tanto o Comitê Gestor da Internet quanto a Abranet deveriam ter tido o dever moral de esclarecer corretamente os provedores sobre os riscos a que estão sujeitos ao se envolverem neste "modelo de negócios" das concessionárias, pois diversas ações civis públicas ainda não foram julgadas. E, caso a decisão dos tribunais seja favorável aos usuários, além de terem os negócios interrompidos pode ser que vocês ainda precisem devolver em dobro todos os valores recebidos até hoje pelos serviços.

Infelizmente, esta é a realidade, e o recente bombardeio pela opinião pública da consulta 417 serviu para demonstrar que a cada dia está ficando mais complicado para a Anatel inventar novos artifícios para manter o esquema dos laranjas. No que eu puder ajudar, conte comigo. Um abraço. (R.G.)

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username: Kubanacan e laranjas via internet – Rogério Gonçalves

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