STF E RACISMO
Ódio entre povos
Prezado Sr. Dines, achei seu artigo sobre o "anti-semitismo" do ministro Carlos Britto bastante, digamos, precipitado. Não é considerado correto, e até hoje não li nada que declarasse que o terrorismo islâmico segue os preceitos de nazistas ou fascistas do passado. O Sr. está querendo misturar alhos com bugalhos por quê ? Para defender a atual situação na Palestina, provocada única e exclusivamente por judeus que invadiram as terras daquele povo, tão sofrido quanto eles foram? Digo "foram" porque hoje em dia o que se passa é exatamente o contrário, e todos nós sabemos que os israelenses são apoiados integralmente pelos Estados Unidos... O Mossad, serviço secreto israelense, que muitos intelectuais consideram tão terroristas quanto os fanáticos islâmicos, que venha à luz do dia nos explicar o que seus agentes fazem pelo mundo provocando o ódio entre povos de etnias diferentes, e inúmeras injustiças flagrantes em terras palestinas.
Gostaria que o Sr. pensasse duas vezes antes de escrever seus artigos considerados sérios, pois a emoção não deve se sobrepor à razão (sejamos cartesianos, ao menos) quando se trata de assuntos delicados como estes do racismo e do anti-semitismo! Atenciosamente,
Eliana Barroso, Estrasburgo, França
Alberto Dines responde
Escrever com emoção é ótimo, oxalá nossos jornalistas colocassem o melhor deles em suas matérias. Ruím é capitular ao preconceito, render-se ao ressentimento e, junto, fingir discernimento.
O terrorismo islâmico foi incluído no artigo junto com o grupo dos mais ferozes anti-semitas contemporâneos. Imagino que a missivista não ignore as ameaças de bin Laden contra os judeus de todo o mundo.
Mas como ela precisa desqualificar aqueles que se levantam contra o nazismo, obviamente recorreu à conhecida tática da generalização – "vocês" não podem reclamar do nazismo porque o Sharon também é nazista.
O Sharon é um idiota que está combatendo o terror com o terror, nada mais do que isso. Israel é um Estado democrático onde 60% do eleitorado aprova a criação de um Estado palestino. A missivista faz parte daquele grupo que acha que um jornalista judeu, só porque é judeu não pode ser isento nem independente. Isto sim é preconceito.
O que chama a atenção é que vivendo num país civilizado como a França a missivista poderia defender posições mais inteligentes. (A.D.)
RÁDIOS COMUNITÁRIAS
A tentação é grande
Sou diretor do programa Dimensão, da Sociedade dos Poetas de Itacoatiara, Amazonas, única rádio comunitária da cidade. Ratifico as funções citadas de uma rádio comunitária. É impressionante a tentação de ceder ao poder. Essa "globalização" é pertinente ao capital. Algumas rádios não se sustentam, e cedem. Trabalhamos com um programa voltado para a cultura e para educação. Breve, dependendo de parcerias, estaremos implementando um projeto que leve crianças e jovens de nosso bairro ao programa, para recitais de poemas e outras atividades que possam incentivar seu crescimento pessoal.
Manoel Domingos
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INVENÇÕES DA FOLHA
Já se hasteava a Bandeira
Enviei à Folha a carta abaixo.
Paulo Marcos Gomes Lustoza, capitão-de-mar-e-guerra da reserva
Cumpre-me notar, como cidadão que fez o primário, na década de 50, em colégio público de Curitiba, que a afirmação da repórter Gabriela Athias, na Folha, de que o costume cívico de hastear a Bandeira Nacional nas escolas era prática da época do regime militar (1964-85), não corresponde aos fatos, pois havia, todo sábado, na minha escola, o cerimonial de hasteamento da bandeira, acompanhado do cântico do Hino Nacional. Claro, era um tempo em que a Bandeira Nacional se escrevia com iniciais maiúsculas, e era um símbolo sagrado da pátria, não apenas simples peça ornamental, como é usada após a redemocratização, sem qualquer sinal de respeito. Penso que o decreto do Lula, restabelecendo o costume, tenta resgatar os bons tempos.