LINGUAGEM ANTICIDADÃ
A Colômbia não é pedra
Assistindo ao Jornal Nacional no sábado 6/9, o jornalista Carlos Nascimento disse a seguinte frase: "O Brasil preparado para a sua primeira pedra rumo à Copa do Mundo". Fiquei pensando: por que colocar o outro como uma pedra? Por que tratar assim o adversário, que também tem legítimas razões para participar de uma competição? Por que tratar profissionais, pais de família, esportistas colombianos, como pedras, algo que incomoda, que machuca, que deve ser destruído para não atrapalhar a vida? Será que colocações como essa contribuem para uma boa relação com o outro? Diante de um quadro tão violento que encontramos em nossa sociedade, jornalistas tratam o outro como um problema, como um empecilho... Não teríamos outro caminho?
Fontayny Kleber
ARMAS NA NOVELA
Malvados e bonzinhos
No sábado dia 6/9/2003 assisti a um capítulo da novela Mulheres apaixonadas, de Manoel Carlos, o dramalhão da vez no horário nobre da Rede Globo. Vejo novela muito raramente, não acompanho nenhuma já faz anos, e normalmente esqueço o que se passou num capítulo que eu tenha assistido assim que ele acaba, mas nesse dia em especial algo me chamou atenção. Numa cena, a professora Santana (se é esse mesmo o nome) abordou em sala de aula o desarmamento civil e ressaltou a importância da pressão sobre os congressistas para a aprovação de uma lei nesse sentido. Uma das alunas – justo uma que carrega o estigma de "malvada" na história – lembrou o óbvio: que as pessoas têm o direito de se defender e, claro, precisam de meios para tal.
Mas, como o objetivo do autor, ao que parece, nunca foi levantar a questão para um debate sério e imparcial, não tardou e a malvadinha foi refutada de forma categórica por um outro aluno – esse, um dos "bonzinhos" da trama. Para coroar a cena, a professora chamou à sala os pais da jovem Gabriela Prado Maia Ribeiro, morta no dia 25 de março de 2003 por uma bala perdida durante uma troca de tiros entre assaltantes e policiais no metrô do Rio. Ficou evidente, pelo menos para mim, a intenção de apelar para a emoção dos telespectadores, criando uma vinculação forçada, uma vez que o caso de Gabriela, ainda que muito triste, não tem nada a ver com a posse de armas legais por parte da população.
A forma tendenciosa como a questão do desarmamento civil foi tratada na novela de Manoel Carlos nos revela o mais novo consenso da grande mídia: é preciso desarmar o cidadão brasileiro, ou não há como debelar a violência que grassa no país. Rara é a defesa de um ponto de vista contrário na imprensa escrita, e acredito que absolutamente inexista na televisão. E o rolo compressor midiático, pelo que pude perceber em várias fontes, tem um alvo já estabelecido: o Congresso Nacional. Seja denunciando um "poderoso" lobby da indústria de armamentos ou criando uma distinção entre os que "são da paz" e os que não são, seja apelando para a imagem de famílias sofridas que perderam entes queridos em episódios violentos ou apresentando propagandas ridículas onde mulheres ficam repetindo o bordão "ou ela (a arma) ou eu", o que se pretende com toda essa campanha é constranger os congressistas e eliminar toda a possibilidade de debate racional.
E tempo: tenho visto várias enquetes na internet sobre o tema desarmamento civil. Pois em todas as que já vi, à exceção de uma, a maioria dos que votaram são contra. Isso não é algo que deva causar estranheza a ninguém: qualquer pessoa com mais de um neurônio é capaz de perceber que o desarmamento civil só vai desarmar os cidadãos que têm armas legalizadas. Os bandidos, claro, vão continuar armados até os dentes.
Roberto-Gomes Aguiar-Veiga, funcionário público e estudante de
TV A CABO
Desrespeito também em Friburgo
Também estou indignada com a TV por assinatura de Nova Friburgo (RJ), CATV. Mudam canais da grade sem aviso prévio e não aceitam reclamações, alegando que o contrato prevê isso. Recentemente trocaram o bom Eurochannel pelo fraco Rede 21 e a excelente TV Cultura pela chatíssima TV Câmara. Sem contar a enxurrada de canais ruins que empurram. E ainda cobram R$ 3,50 pelo guia! Minha esperança é o dia em que pagaremos apenas pelos canais que queremos assistir.
Teresa Silva