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Edição de Marinilda Carvalho

Aos amigos leitores um aviso: o endereço <obsimp@ig.com.br> foi alvo, no início da semana passada, de um ataque maciço dos vírus Yaha e BugBear, quase 500 mensagens contaminadas. O computador, protegido por antivírus, não foi afetado. Entretanto, por "excesso de zelo" – se permitem a licença quase poética em se tratando de um software –, o programa de proteção acabou impedindo o acesso aos e-mails sadios da caixa postal, tamanha a quantidade de cartas "bichadas".

A única solução foi apagar todo o conteúdo da Inbox. Foram perdidas, assim, duas dezenas de cartas que seriam publicadas nesta edição.

Pedimos desculpas a todos que não encontrarem suas mensagens aqui neste Caderno do Leitor.

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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.

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OBSERVATÓRIO ELEITORAL
Gaspari e o vinho do candidato

O jornalista Elio Gaspari nos brindou (trocadilho inevitável) com uma aula de preconceito contra um ex-operário na iminência de se tornar presidente da República. Em matéria publicada em vários jornais, Gaspari ironizou o fato de Lula e sua equipe festejarem a vitória no primeiro turno das eleições com o vinho Romanée-Conti, safra de 1997, cujo preço é de R$ 6 mil. Foi Duda Mendonça quem presenteou Lula e sua equipe com o vinho, e juntamente com eles festejou a retumbante vitória no primeiro turno.

Seria aceitável que se discutisse o fato se apenas o seu simbolismo estivesse no centro da discussão. Se Lula, cinicamente, quisesse de fato afrontar os pobres do país que não podem tomar vinho. Contudo, apesar do esforço de Gaspari em ser crítico e imparcial, saltou aos olhos sua vertente pequeno-burguesa, sua vesguice ideológica, dando ressonância à voz e ao pensamento de milhões de brasileiros que ainda não admitem ver um ex-metalúrgico vencendo todas as barreiras de uma sociedade assentada em valores discutíveis, porque superficiais, próximo de uma vitória justa e democrática.

Vai ver, quando da produção da matéria, Elio Gaspari tenha se inspirado nas imagens de um Lula despreparado intelectualmente, bronco, que não sabe falar corretamente nosso idioma, que não cabe bem dentro de um Armani, que não ficaria bem na foto ao lado de políticos geniais que dirigem as grandes nações. Lembram-se da família Buscapé? Talvez ele tenha pensado em um Lula assim, caipira, que não saberia se portar num ambiente sofisticado, com pessoas de alto nível, tipo George W. Bush, por exemplo...

Dizer que Lula, sendo ainda candidato, deveria leiloar a garrafa de vinho para dar o dinheiro aos pobres só não é mais cínico, hipócrita e irresponsável do que a idéia sub-reptícia que se deduz da afirmação: um presidente pode esnobar a população, pode não ligar a mínima para a miséria do povo, entregando-se a luxúrias nababescas com o dinheiro público, viajar o mundo todo em passeios turísticos que nenhum benefício trazem à população – isso não é condenável. Condenável, sob a lógica de Gaspari, é alguém, sem as vestes do poder, aceitar de presente uma garrafa de vinho, e com ela festejar uma vitória pessoal, a vitória de um projeto de vida que inclui outras vidas.

Lula estava feliz porque a maioria do povo o quer presidente. Elio Gaspari, conforme declarou em sua matéria, preferiu enfatizar os fogos de artifícios das comemorações, o fato secundário, por não compartilhar da alegria comum em um ambiente de vitória, o fato principal.

Clóvis Luz da Silva, estudante de Letras da UFPA, Ananindeua, PA

 

Gaspari e o vinho do candidato – II

Após ler a crítica do Elio Gaspari, jornalista que tem de mim o mais profundo respeito e admiração, sobre o vinho oferecido por Duda Mendonça a Luiz Inácio Lula da Silva, gostaria efetivamente de saber o propósito do artigo. Acredito que tenha sido nobre, uma atitude de indignação ante o discurso de Lula e a prática.

Se esta não era a hora de Lula tomar Romanée-Conti – do que discordo, fazer rifa para doar aos "sem Romanée-Conti" seria uma atitude piegas, típica de um candidato populista –, também não era a hora de tão infeliz artigo que, querendo ou não, trouxe o tema à baila e ajudará a criar preconceitos nas cabeças mais obtusas. A quem interessou a publicação deste artigo? Certamente não foi ao Lula, aos seus eleitores nem mesmo à ala radical do PT. A hora é de união e mudança, e não de procurar fatos que possam causar distúrbios ao processo eleitoral; mudança não é o que ocorrerá com a eleição do candidato do governo.

Mas o que está feito está feito. Talvez Lula ainda não saiba, já que tem origem humilde, que tomar vinhos caros é coisa de políticos de países pobres, portanto, merece ao menos o benefício da dúvida. Gostaria de ver nesta coluna a opinião do Gaspari sobre os 1,5 bilhão de reais recém-saídos das torneiras do governo federal, fora do orçamento, a título de "gastos extras" no apagar das luzes e às vésperas do segundo turno.

Gostaria de ver também a opinião do Gaspari sobre a Medida Provisória nº 70, de 2/10/2002, com validade de 120 dias, que socorre as empresas de comunicação, também às vésperas do segundo turno; MP que só tem chances de ser ratificada por um possível governo Serra. Em tese, poderia essa MP influir num processo de manipulação da informação prejudicando o processo eleitoral?

Diz a revista Carta Capital de outubro de 2002:

"Óleo na máquina

Lula e Serra vão ao segundo turno. Alguns dias antes, o governo edita MP que socorre os grandes grupos da mídia. A Medida Provisória permite a participação de fundos de pensão no capital das empresas. O mecanismo é uma espécie de PROER das companhias de comunicação que, em parte, estão quebradas.

A Medida Provisória nº 70, assinada por FHC, publicada no Diário Oficial da União do dia 2/10/2002, tem validade de 120 dias, descontando o recesso parlamentar de 15/12 a 14/02. A partir daí, se não for votada, tranca a pauta do congresso, Ou seja, antes da posse dos novos parlamentares, valerá o que está escrito por FHC."

O ministro das Comunicações, Juarez Quadros, diz que o Executivo optou pela MP em razão da relevância e urgência da regulamentação. De fato, há urgência nisso, e relevância. Perceba-se toda a extensão do movimento. O governo, cujo candidato é Serra, discretamente, em meio à algazarra eleitoral, anuncia que a salvação para as empresas de comunicação está próxima. Isso, claro, se depender deste governo e de seu sucessor – desde que alinhado. Com Serra terão, pelo menos, o já anunciado. Com Lula, chi lo sa? A matéria é enorme e deve ser lida e discutida com atenção.

Sergio Fonseca, Rio de Janeiro


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