2/6

Envie para um amigo  Procure no arquivo

OBSERVATÓRIO ELEITORAL
Margem de erro, 15%

As divergências entre os números das pesquisas eleitorais e os revelados nas urnas merecem alguma análise séria por parte dos jornalistas políticos e esclarecimentos dos institutos que estiveram mal-apetrechados – ou mal-intencionados – e erraram feio. Novas pesquisas já estão sendo impingidas ao eleitorado. Aos institutos sugiro alargar os índice de erro, dos usuais 2,5% para cerca de 15%, para mais ou para menos. Fica mais adequado às suas técnicas de pesquisas.

José Renato M. de Almeida, Salvador

 

Desvio de votos de 10%

Estudamos o comportamento do eleitor utilizando a urna eletrônica e o voto tradicional. Em 1998 as eleições foram nos dois sistemas, uma parte do eleitorado votou em urna eletrônica e a outra ainda no sistema tradicional. Encontramos diferenças enormes, que influenciam o resultado final. Há um desvio na intenção de voto de pelo menos 10% do eleitorado. Os resultados até agora foram os seguintes:

** Em 1998, 5% dos deputados estaduais e 4% dos deputados federais (no país) foram eleitos por estes desvios; influência no resultado do primeiro turno na eleição de governador em São Paulo.

** Em 2000, aproximadamente 6% dos vereadores e 98 prefeitos foram eleitos em razão dos mesmos problemas.

** Em 2002, ainda estamos avaliando, porém, em razão de um erro (novo) na eleição para o Senado, que já havia sido anunciado, podemos afirmar preliminarmente que na Paraíba e Piauí os resultados podem ter sido alterados por este erro.

Verifiquem estes estudos no site <www.histel.com.br>, onde detalhamos e comprovamos com os números oficiais estas afirmações.

Luiz Carlos Carmona, engenheiro, analista de sistemas e professor

 

Condenados ao esquecimento

Tem me causado incômoda curiosidade o fato deste Observatório vir tecendo inúmeros elogios à forma com que a imprensa tem tratado as eleições majoritárias (principalmente para presidente da República) neste ano. Não entrando no fato de que os espaços dedicados aos quatro principais concorrentes ao governo tenham sido relativamente semelhantes, o que é realmente louvável, quero deter minha crítica em outro ponto, que a meu ver compromete toda a cobertura jornalística que se pretendeu fazer.

A questão que me incomoda é que, em vez de apenas quatro concorrentes, tínhamos este ano seis postulantes à Presidência. Se a mídia cobriu com sensatez quatro candidaturas, a mais elementar matemática mostra que duas delas não receberam a atenção dos meios de comunicação.

Recorro ao OI na tentativa de aprofundar a discussão sobre esse fato, pois já tentei, em um primeiro momento, levantar essa discussão através do serviço de cartas de O Globo. Recebi como resposta e-mail no qual o jornal se justificava alegando que seria ridículo cobrir a campanha de alguém com apenas 0,4% das intenções de voto, e que o espaço para esse tipo de candidatura deveria mesmo ficar restrito ao horário eleitoral gratuito.

Essa justificativa me pareceu bastante insatisfatória, pois aparentemente não leva em consideração o papel que a mídia tem na escolha dos candidatos. Esse tipo de postura midiática leva a candidaturas do PSTU e do PCO a entrarem em um ciclo vicioso: têm 0,4% das intenções porque não aparecem na mídia, e não aparecem na mídia pois têm 0,4% das intenções.

Além disso, a justificativa não resiste sequer a ao crivo de uma análise puramente racional, pois se as intenções de voto fossem o determinante para o tipo de cobertura a ser dado, Luiz Inácio Lula da Silva deveria ter o dobro do espaço de José Serra e o quádruplo de Ciro Gomes, o que (alívio) não aconteceu.

A imprensa tem se vangloriado de uma cobertura coerente e democrática, mas não percebe que passou longe disso ao condenar 1/3 dos candidatos à Presidência ao esquecimento.

Luiz Mors

 

Globo favoreceu o PT

A Globo não operou com isenção, pois durante os oito anos de FHC, fez questão de achincalhar a imagem do representante da nação, através do programa Casseta e Planeta, em nenhum momento ironizou os verdadeiros bandidos, como ACM, Jader Barbalho e muitos outros. Sempre que podia a Globo fazia questão de nomear o governo por não ter obtido resultado nas votações de projetos e, muitas vezes, dizia que o governo saiu derrotado no Congresso de projetos que não eram de interesse do governo. Sempre esqueceu-se de dizer que quem saiu perdendo foi a nação.

A Globo nunca, nunca mostrou com a ênfase merecida como este presidente foi considerado importante no exterior. O PT vencerá, pois a cobertura da ausência do PT em aprovar determinados projetos, como foi a reforma do INSS, por exemplo, passou ao largo da mídia. Toda a mídia brasileira está nas mãos de somente um veículo de comunicação. É cientificamente impossível que os jornais escritos e televisionados noticiem a mesma matéria e com o mesmo teor crítico. Assim, a isenção de hoje, alardeada por Ricardo Setti, é o colhimento de frutos plantados em anos anteriores. A Globo é assim, um chacal, uma víbora profissional, não dá ponto sem nó, sempre trabalhando pela águia e defendendo os interesses desta.

Edson Lilva

 

Se ganhou tem que levar

Os políticos Ronaldo César Coelho, Eider Dantas e Arolde de Oliveira (RJ) se candidataram a vagas na Câmara (federal e estadual). É um livre exercício do direito democrático. Vimos outdoors imensos pela cidade, enxurrada de propaganda e as célebres frases "Juntos, mudaremos o Brasil, peço o seu voto" etc. E para quê? Os três eram secretários do governo Cesar Maia, se desligaram de seus cargos, para se entregar à campanha. Agora, após o pleito, ficamos sabendo que estes políticos (?) "assumem de volta suas secretarias". O que é isso? Como ficam os eleitores otários que acreditaram nas promessas e no cumprimento do mandato?

Como vão ficar as vagas deixadas por estes senhores? Serão preenchidas por cunhados ou sobrinhos suplentes? Ou seus votos irão para a legenda, abrindo espaço para os demais candidatos do partido, no famigerado quociente eleitoral?

Essa manobra é mil vezes pior do que a eleição do deputado paulista do Prona, que teve míseros 250 votos, em virtude do efeito Enéas. Pior, porque é uma manobra premeditada. É preciso uma profunda mudança da lei eleitoral. E um dos pontos principais é: se for eleito, têm que assumir, salvo em casos extremos de impedimento (morte, invalidez e afins).

É como se eu passasse em um concurso público e tivesse poderes para indicar um primo no meu lugar. O eleitor enganado poderia (e deveria) entrar com uma ação no Procon, e solicitar ressarcimento por propaganda enganosa. Vale lembrar que o Sr. Ronaldo Cesar é o relator da Lei de Responsabilidade do Esporte, que livrou a cara de confederações e federações (leia-se Ricardo Teixeira, Farah e Eduardo Viana), deixando obrigações e seriedade apenas para os clubes.

O irmão do Arnaldo César, infelizmente, não vê que "a regra é clara".

Luiz Antonio de S. da Silveira, Rio de Janeiro

 

A guerra e os eleitores de Bush

As manchetes têm-se mantido ocupadas com a guerra do Iraque, competindo com o interesse do povo em suas eleições para a Presidência. É claro que não se pode dissociar as coisas num mundo globalizado. Mas é como se o capital estivesse interessado em atrair a atenção dos eleitores de Lula para as aflições dos eleitores de... Bush.

Então, têm-se que pensar, simultaneamente, em ambas as coisas.

E o que fica muito evidente, ao meu ver, é a incapacidade de o presidente americano adaptar-se à natureza de sua guerra. Desde uma das campanhas de Reagan, lembro-me disso, falava-se da ameaça do terrorismo nuclear. Mas, só agora, depois do 11 de setembro, percebe-se a iminência de seus riscos devastadores. Sem falar nas armas biológicas, não menos perigosas.

A proposta de Bush é a de uma guerra convencional, como a do Afeganistão, que como informa a malfadada CIA só acirra os ânimos dos terroristas. Parece que os EUA, heróis do planeta até 1945, mesmo quando no Vietnã, pensam a guerra em termos da gloriosa luta contra Hitler e Mussolini. Assemelham-se a certos esquerdistas passionais e arcaicos que querem, ainda hoje, a revolução de 1917 na Rússia.

A guerra contra o terrorismo não é igual aos "combates singulares" da liça de 39 a 45. Haveria duas coisas a considerar: o risco imediato e a solução a longo prazo.

O primeiro item debate-se nos EUA. O segundo... menos. Porque este último envolveria o desenvolvimento econômico-político dos países árabes, fundamentalistas porque miseráveis, e explorados em seu petróleo.

A questão é se não podíamos começar logo pelo segundo item e resolver de vez o problema, contornando a voracidade daqueles que lucram com o petróleo e as armas em detrimento de todos.

Fernando Dias Campos Neto, médico

Mande-nos seu comentário


Observatório | Índice da edição | Busca
Objetivos | Purposes | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe