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OBSERVATÓRIO ELEITORAL
Calote em novilíngua

A expressão do Economist é hilária: calote da dívida interna vira "reestruturação voluntária da dívida". È a novilíngua, sem dúvida. Aquela que transforma publicidade em "informação à população" etc. Ah, Orwell! Bem que você alertou...

Solange Campos

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A boca torta e os celulares

Os anos de fácil manipulação da vida nacional, deturpando e moldando a mente do contingente de idiotas e ingênuos da nação, com maior efeito e significância dentre a intelectualidade e a burguesia, entortaram a boca do folhetim O Globo e da chusma que o apóia financeira e moralmente, de tal forma que, na edição de hoje, mais um crime contra a democracia é praticado.

É noticiado que a recém, e legitimamente eleita, futura governadora do estado do Rio de Janeiro pensava em suspender o uso dos bloqueadores de celulares no complexo prisional de Bangu. Mais uma absurda manipulação, grave mentira e desserviço praticado pelo jornaleco. Ouvi a entrevista e a futura governadora Rosinha, em nenhum momento, afirma ou dá margem a que se levante a hipótese de unilateral e precipitada suspensão daquele recurso tecnológico. Ao contrário, admitia estudos no que se refere à lesão do direito da população lindeira de uso dos seus celulares.

E agora? Será que alguém vai verificar se por trás dessa matéria não se esconde algum interesse escuso de assegurar a qualquer preço a percepção de vantagens vinculadas à instalação acelerada e "emergencial" daquele recurso, provavelmente isenta de concorrência pública regular, apesar de toda a justificação da sua necessidade? Será que alguém vai comprovar a imediata organização de conspiração odienta para tentar tirar a eloqüência e a legitimidade da eleição da futura governadora por mais da metade da população do estado? Ou será que existe dinheiro dos Marinhos ou de comparsas aplicado na aquisição dos equipamentos e respectiva instalação?

Sergio S. Lopes

 

Voto nada secreto

No dia 6/10 assistimos de forma frenética à chegada de informações sobre as eleições nos diversos meios de comunicação. Entre essas imagens que nos chegam, muitas são do ato de votar propriamente dito, seja ele de pessoas comuns ou de candidatos.

Entretanto comecei a ficar espantado quando percebi, na imagem do candidato Garotinho, que havia uma pessoa em cima do muro observando como o candidato votava. Pior que essa cena foi uma outra, na qual a câmera filma todo o processo de votação de uma anônima.

O que será que vem acontecendo no interior do Brasil, se nem um candidato a presidente tem direito ao voto secreto, e que nem o diretor-chefe de um telejornal percebe que colocou no seu programa imagens de um crime cometido pelo câmera (filmando "o voto" do eleitor). Será que apenas eu vi estas cenas, ou não existe mais o voto secreto!

Vinicius Maia Barreto de Oliveira

 

Proficiência cobrada

Ao Sr. Josias de Souza, da Folha de S.Paulo: poderia o senhor nos fornecer relatórios tão detalhados como os que produziu sobre o M$T, relativamente a todas as fraudes do sistema financeiro? Dos bancos? Dos monopólios e oligopólios comerciais e industriais? Dos latifundiários de todo o país? E desses tubarões que estão associados aos cofres públicos e ao uso de nossos tributos? E que ainda financiam as campanhas dos senhores presidentes, governadores, senadores, prefeitos, deputados, vereadores et caterva?

Gostaria demais que o senhor fosse tão proficiente quanto está sendo com o M$T. Aguardo, ansiosamente, suas formosas contribuições e esclarecimentos.

Geronimo Wanderley Machado

 

Repressão injustificada

Meu nome é Ricardo Lemos Muller, moro em Campanha, Sul de Minas, e criei o Jornal do Mural, a busca da cidadania (o jornal que dispensa patrocinadores, por questão de principio), em <www.jornaldomural.hpg.com.br>. Ele não é periódico, nem preso a uma única linguagem. Pode ser impresso ou digitalizado.

Decidi, em 6 de outubro, fotografar a festa da democracia, ou seja as eleições, em nosso município. Por acreditar desnecessário não me credenciei na Junta Eleitoral. Como a maioria dos brasileiros, enfrentei fila para votar. Na fila era possível, através de um vidro, visualizar a seção. Coloquei a webcam direcionada para a seção e fiz uma foto.

O presidente da seção entrou em contato com a Justiça Eleitoral e obteve autorização para apreender a câmera. Até aí tudo bem, paguei pela falta de conhecimento. O que considerei estranho foi o fato de o presidente da seção vir à fila de votação, aos gritos, para questionar minha atitude. Mesmo tendo cometido o equívoco, acredito ser prepotente a atitude.

Um detalhe: sou simpatizante do PT; desde 89 este sujeito sempre quis atrapalhar nosso trabalho, na fiscalização da apuração. Fico perplexo por ter que conviver com pessoas que pensam ser donas da verdade e usam da falta de respeito como método de restrição.

Ricardo Lemos Muller

 

Nos tempos de Chatô

Alberto Dines, gostei muito de sua "análise fria", se é que podemos chamá-la assim. Sou estudante de Jornalismo e me irrito muito com essa gente que insiste em "cacificar" a política brasileira em benefício próprio (e institucional também) em prejuízo da democracia e da pluralidade de opiniões. Lendo a biografia de Assis Chateaubriand, tenho a impressão de que algumas pessoas nesse país parecem querer fazer política e jornalismo como se fazia 60 anos atrás.

Ana Paula Andrade dos Santos

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