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OBSERVATÓRIO ELEITORAL
Devolvam a minha cédula
Estou intrigada com o que li na coluna de Janio de Freitas na Folha de São Paulo em 8/10. Houve erro na totalização dos votos e o Lula apareceu, em um determinado momento, com aproximadamente "41.000 votos abaixo de zero", e o excelentíssimo Nelson Jobim não explicou nada. Na ânsia de ver os resultados publicados, a mídia não fez barulho sobre este fato. E agora só nos resta imaginar o que terá acontecido para que o Lula tivesse menos votos do que o previsto pela pesquisa de boca-de-urna. Socorro, eu quero a minha cédula eleitoral de volta!!
Eliana Moura
Plantão cívico
Gostaria de sugerir que este OI faça algo como um plantão neste crucial intervalo entre o primeiro e o segundo turno; noticias com ênfase capciosa, como a de hoje no Jornal do Brasil, com um titulo que sugere mais que o fundamental a respeito de um editorial do New York Times, poderiam ser criticadas em tempo quase-real, o que poderia ser de enorme importância para a critica, antes do fato consumado, ou seja, o resultado do processo.
Marco Santos
Sem terno e despenteado
Se Lula faz questão de usar ternos na campanha, por que a Globo põe a foto dele sem terno e despenteado? Com a crise econômica que passamos, por que será que o Boris Casoy vem perguntar do eixo Fidel-Chávez-Lula? Será que a Salete não poderia ter formulado alguma pergunta de economia para ele fazer? O Armínio reúne a imprensa sem acrescentar nada, e nem perguntam por que o Banco Central está de mãos amarradas, ou por que tantos títulos cambiais estão vencendo no período eleitoral? Será porque ele é o " gênio da lâmpada" do mercado?
Gregório de Matos, médico de Belo Horizonte
Estamos anestesiados
Li o artigo "O dia em que a farsa apareceu" [ver remissão abaixo] e fiquei pensando se as autoridades que amam nosso país não estão sentindo o mesmo que senti hoje mesmo ao ver criancinhas largadas na rua. O que fazer? O problema é tão absurdamente grande que estamos totalmente anestesiados. Que pena, penso eu, vidas desperdiçadas com superficialidades. E então me lembro da aposentada que recebe R$ 700 por mês e sustenta 45, isso mesmo, quarenta e cinco crianças desamparadas e ainda soltou essa pérola: "Quem não vive pra servir não serve pra viver".
Acho que o medo é a única emoção que ainda sentimos.
Sandra.Ferreira
Leia também
O dia em que a farsa apareceu – Said Barbosa Dib
Chega de debate
A revista Veja defendeu em sua Carta ao Leitor o argumento de José Serra de que são necessários mais debates para sabermos o que realmente pensam os candidatos. A idéia do debate único – como defende Luiz Inácio Lula da Silva – é interessante, mas sinceramente, mesmo que este não ocorra, nada perderemos, pois não há mais nada para se discutir. Os presidenciáveis já passaram por três debates, foram sabatinados por Folha, Estado de S.Paulo e O Globo, entrevistados pelo Jornal Nacional duas vezes, pelo Jornal Hoje, pelo Jornal da Globo, pelo Bom Dia Brasil, pelas demais emissoras algumas vezes, pelo Boris Casoy de uma a duas vezes, pelas principais revistas semanais e até mesmo pelo Jô Soares. Lula foi além, e ainda passou por entrevistas coletivas com à imprensa internacional.
São horas e mais horas de entrevistas e debates. O que falta discutir? Um debate agora só serviria para ataques pessoais por parte de quem está atrás nas pesquisas, e de baixaria já estamos saturados.
Alex Pires de Camargo, São Paulo
RODA-VIVA
Faltou perguntar a Serra
De início gostaria de dizer que assisto, diariamente, aos programas da TV Cultura, e não perderia meu tempo em colocar as questões abaixo para Boris Casoy ou muitos outros jornalistas de outros meios de comunicação.
A campanha presidencial para o segundo turno começou na TV Cultura com o candidato José Serra, no programa Roda-Viva. Assisti a toda a entrevista. Infelizmente, o candidato ficou o tempo todo lamentando o fato de o candidato Lula não participar de debates. E dizendo que a imprensa fica o tempo todo olhando pelo retrovisor, e não discute o futuro do país. A longa entrevista não ofereceu condições de sabermos quais as medidas que o candidato José Serra tomará, caso venha a ser nosso presidente.
Gostaria de ver algum jornalista da revista CartaCapital participando do Roda-Viva e perguntando o seguinte:
** O candidato Joaquim Roriz tem alguma ligação com a grilagem no Distrito Federal?
** O deputado federal Francisco Dornelles teve alguma relação com fraudes do INSS no Rio de Janeiro?
** O governador Marconi Perillo e a senadora Lúcia Vânia têm alguma ligação com as censuras sofridas por Jorge Kajuru, diretor da Rádio K, em Goiânia? Estas autoridades têm uma noção do que é democracia?
** Publicada no Diário Oficial da quarta-feira, 2/10, a MP que regulamenta a participação do capital estrangeiro, até o limite de 30%, nas emissoras de televisão e rádio do país e nas empresas de mídia impressa não é uma forma de usar a máquina estatal?
Para finalizar: os quatro principais candidatos participaram de debates e entrevistas em todos os meios de comunicação, no primeiro turno. A candidatura Lula optou por fazer comícios e tentar estimular os brasileiros, ao vivo, para as possibilidades de superação das dificuldades que não são poucas em nosso país.
É cômodo para os meios de comunicação receber os candidatos no estúdio. Mas também é arriscado: por exemplo, o cientista político Carlos Novaes disse na sexta-feira, dia 3 de outubro, analisando a candidatura de José Genoíno, que o petista não iria para o segundo turno porque não se confrontou com Paulo Maluf.
Ficar no estúdio pode levar a erros, pois é na rua que as coisas acontecem.
Uma sociedade sadia requer a convivência de duas, três ou mais idéias diametralmente opostas.
Ricardo Lemos Muller, editor do Jornal do Mural
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