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MÍDIA GAÚCHA
Espaço para sandices
Estou chocado com o Observatório da Imprensa. Sou gaúcho, estudante de doutorado em Psicologia, e estou fazendo estágio em Genebra. Leio diariamente os principais jornais da capital de meu estado (Zero Hora, Correio do Povo, Jornal do Comércio), mais uma porção de sites de informação: Vermelho.org, Primeira Página, Agência Carta Maior, Jornal do Brasil, Folha Online e, obviamente, o Observatório da Imprensa, às quartas- feiras. Já tenho esse hábito há mais de ano.
Por que estou chocado? Como pode o OI ter aberto espaço para a direita reacionária do RS? Como pode o OI ter um artigo do Percival Puggina publicado em seu espaço? Como pode o OI dar vazão às sandices que diz essa pessoa e o grupo que ela representa? Estou chocado...
Marcelo Eichler,
Genebra, Suíça
Onde você estava em 70?
Sem dúvida nenhuma, a página do Diego Casagrande é puro lixo. O adjetivo não se aplica às "contundentes" críticas que faz ao PT, ao FSM, ao MST, a CUT, CNBB, ao governo gaúcho, às prefeituras do PT, à UNE, ao PSB, enfim... ao povo. O ponto-chave é, a meu ver, a "qualidade" deplorável das intervenções e dos articulistas, bem como dos "e-mails de leitores" que empestam o visual da tela. Me parece que a direita tem, ou já teve, articulistas bem mais inteligentes do que os Pugginas e Lorenzonis da vida.
Por falar em liberdade de imprensa, me parece que um dos pressupostos de tal condição seria não só a liberdade de expressão, mas também a liberdade de impressão, ou seja, a possibilidade de que nós, simples mortais, também tenhamos acesso ao jornal. Acesso de escrever, não só de comprar.
E gostaria de saber onde estava boa parte dos "defensores da liberdade de imprensa", lá pelos idos de 70, início da década de 80.
Mirian e Ary Kosby
A mídia inquestionável
Digamos que, se eu chamar o Sr. Percival Puginna de incompetente, vagabundo, e irresponsável (como foi dito a respeito do governo gaúcho), eu estou apenas usando da minha liberdade de expressão, certo? A mais pura verdade. Agora, imaginem, senhores donos da verdade, se eu resolvesse fazer isso no maior órgão de imprensa do estado? Ora, isso é mera liberdade de expressão, condenar-me seria uma nefasta censura! Por favor, não sejam hipócritas! Tudo que foi dito pelos jornalistas Marcelo Rech (diga-se de passagem, nome de respeito no jornalismo gaúcho) e Jose Barrionuevo (conhecido por ser pago para defender determinados interesses – seguramente vocês, que estudam imprensa, sabem disso – está escrito lá. Se fosse dito contra eles, seguramente haveria processo. A qualidade de jornalistas como Marcelo Rech é inquestionável – mas a liberdade de expressão, como tudo, tem certos limites.
Atacar instituições democráticas, como o Poder Judiciário, simplesmente porque suas decisões lhes são desfavoráveis é próprio de fascistas – como referiram os militares após o golpe de 1964, afirmando que a Constituição Federal (democraticamente promulgada em 1946) era um instrumento dos "inimigos do regime", usada pelo Poder Judiciário. ou será que a imprensa nunca erra? Ou será que as atitudes de jornalistas não são questionáveis, porque sempre corretas?
Milton Drumond Carvalho
Não sejam hipócritas!
Pelamordedeus! Que pluralismo é esse que, ao publicar um artigo criticando o Observatório da Imprensa (no qual o esquerdismo é notável, e por conseqüência, o petismo é quem dá o padrão das críticas), logo abaixo segue-se um adendo refutando com uma "Nota do editor" [ver remissão abaixo] o artigo. Suponho que, sempre que o "editor" discordar do conteúdo do artigo publicado, virá o mesmo acompanhado de uma "Nota do editor" refutando-o em meia dúzia de linhas com argumentações escorregadias e malandras que, postas assim, impossibilitam a continuação do debate e desacreditam, tendenciosamente, o artigo lido. Plural é mais de um: dois, três, quatro ou cinco opiniões de diferentes pontos e tendências. No momento em que as poucas opiniões que saem do padrão normal das críticas ao mercado, do sectarismo petista e do esquerdismo constante publicadas no tal Observatório vêm acompanhadas de "Notas do editor", transformamos o pluralismo num rótulo falso, num engodo sem-vergonha de quem não é capaz de ser plural.
Por que, diabos, alguns sites, revistas e livros insistem no seu caráter pluralista é só publicam "esquerdismos"? Não seria mais nobre assumirem-se como esquerdistas e, assim, deixarem clara sua postura ideológica? Já sei: é que o tal pluralismo é um dos engodos mais interessantes aos olhos dos incautos que caem neste conto da carochinha. Ao mostrar todas as tendências de esquerda como "pluralismo" você elimina todo o resto do debate, simplesmente porque finge que o resto não existe. Existe recurso mais eficaz na busca do totalitarismo?
O esquerdismo consciente ou inconsciente dos nossos jornalistas continua contribuindo sempre para a busca da unicidade do pensamento brasileiro.
Pablo Cabistani
Nota do OI: Prezado leitor, a nota não teve o complexo objetivo que sua visão captou. Respondia à afirmação de que o Observatório é petista. A nota mostra que se o OI é petista anda meio sem prestígio na agremiação, que promoveu o banimento político do programa Observatório na TV da TVE gaúcha. (M.C.)
OI se comporta (mais ou menos) bem
O meu artigo "Observatório daltônico", no qual eu criticava severamente o Observatório da Imprensa por omitir-se na defesa dos jornalistas gaúchos perseguidos pelo PT local e por adotar como paradigma ético as lições altamente tendenciosas, a meu ver, do professor de Jornalismo Bernardo Kucinski, foi publicado na última edição desse mesmo periódico <www.observatoriodaimprensa.com.br>, com um breve e educado comentário.
A iniciativa é digna de aplausos, porém não é razão suficiente para mudar a opinião externada no meu texto. A reação às atitudes arbitrárias do PT gaúcho demorou demais e foi tímida, o contrário do que ocorreu quando o ofensor era o ex-governador Garotinho. Vale lembrar que inicialmente o OI publicou apenas uma nota oficial justificando laudatoriamente a conduta de Olívio Dutra. Luiz Antonio Magalhães [editor-assistente do OI] afirma que a divulgação dos textos acima mencionados, o meu inclusive, provam o caráter pluralista do site. Eu acho que o que ficou provado é que o Observatório da Imprensa aceitou a crítica racional e fundamentada e se dispôs a publicar também textos de autores de direita. Oxalá o pluralismo inegavelmente presente na última edição do OI (mas não antes) se torne a norma nas edições futuras.
Esclareço de todo modo que nada tenho a opor a que o veículo publique o que bem entender, no legítimo exercício de seu direito de propriedade. A impugnação, não menos legítima, tinha por meta denunciar a contradição entre a proposta ostensivamente pluralista e a prática concreta sectária do jornal.
Por fim, importa considerar um interessante argumento deduzido por Magalhães em defesa de seu site, em que é enfatizado que o governo petista do RS é o único do Brasil a impedir a transmissão do programa Observatório da Imprensa na TV. Conclui-se que o OI não pode ser um veículo oficioso do PT, uma vez que esse mesmo partido proíbe o programa do OI na TV estatal local. Não é tão simples assim. Como longamente examinado no meu artigo, o OI, na pessoa de seu editor Alberto Dines, subscreve explicitamente a ética do jornalismo declarada por Bernardo Kucinski, que é integrante do Instituto da Cidadania, think tank do PT, e um dos principais colunistas da Agência Carta Maior, também ligada ao PT.
Como é a regra entre os marxistas, para Kucinski o jornalismo e sua ética só fazem sentido num contexto político: "a luta por uma nova ética é também e acima de tudo uma luta política. E portanto essa luta tem que ser condicionada por algumas das leis da política, tais como ser referida a interesses sociais e desenvolver-se através de etapas e objetivos táticos e estratégicos bem definidos. Estar articulada às demais lutas políticas do momento". Ora, se o jornalismo se submete às regras da luta política, então não pode deixar de seguir uma única doutrina política, marchar sob o comando de um único partido político e dedicar-se exclusivamente ao objetivo supremo da política, ou seja, conquistar e manter o poder estatal. Dito de outra forma, o jornalismo tal como o define Kucinski – definição endossada pelo OI – deve ser um instrumento auxiliar da luta política, ou, mais precisamente, propaganda ideológica. Sendo assim, se o partido em questão, que só pode ser o PT, entende que não é politicamente conveniente que o programa televisivo do Observatório seja transmitido, só resta ao jornalista se conformar. Admitida a ética e a lógica enunciadas por Kucinski, não há do que reclamar. A prioridade é a luta política.
Alceu Garcia
Leia também
O cacoete ideológico adquirido – Sandro Guidalli, no Aspas
Dois pesos e duas medidas – Paulo C. Barreto
No mais sereno dos mundos – Percival Puggina
Observatório daltônico – Alceu Garcia
Nota do OI – L.A.M. (rolar a página)
Nova ética para uma nova modernidade – Bernardo Kucinski
Diálogo a partir de uma reflexão muito séria – Alberto Dines
Resposta ao professor Kucinski – Soraia Cury
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