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LUÍS NASSIF
Ventríloquo do poder
Sobre a coluna de Luís Nassif (Folha de S.Paulo de 9/7/02): já não é mais surpresa, e torna-se indisfarçável, ou incontrolável, o quanto o jornalismo econômico do Sr. Luís Nassif se faz ‘ventríloquo do poder’. Em sua defesa de uma elite dominante, da qual faz parte, esmera-se em atacar a tudo e a todos que possam ousar questionar os mandos e desmandos dos representantes de uma política nociva imposta à população desta nação. Elogia o espírito democrático do Sr. FHC, como se fosse um favor ‘autorizar’ o Ministério Publico a atuar.
Para ele, todo aquele que não seja um candidato governista é ‘risco de um candidato voluntarista no poder’. Para o Sr. Nassif, ‘paira no ar a incômoda sensação de que não se tem uma democracia consolidada’. Para mim, no ar, no ambiente, no país existe não a sensação, mas a triste realidade de um sistema financeiro (tão venerado pelo Sr. Nassif) que enriquece, enquanto a nação padece, a triste realidade do aumento brutal do desemprego em parceria com uma queda vertiginosa da renda. Se há o espectro de denunciados crescendo nas pesquisas, isso se dá em boa parte, Sr. Nassif, pelo legado deixado pelo Sr. FHC, como bem abordado na coluna de hoje da Sra. Eliane Cantanhêde. Sugiro ao Sr. Nassif que assuma de vez o seu jornalismo ‘chapa-branca’, seria no mínimo mais coerente.
Também sugiro que desça de seu pedestal e viva um dia que seja como um simples mortal, que ‘usufrua’ dos benefícios sociais tão propagandeados pelo governo que defende. Matricule seus filhos em escolas públicas, recorra à saúde pública para tratar do senhor e dos seus, valha-se da segurança pública para defendê-lo, dispute o mercado de trabalho com milhões.
São só algumas sugestões, Sr. Nassif, para constatar a realidade em que a grande maioria da população é obrigada a conviver diariamente. É, Sr. Nassif, sei que seria pedir-lhe demais, pois tais sacrifícios só devem ser impostos a cidadãos (se é que o são) de segunda, terceira ou quarta categoria, jamais a alguém que se utiliza de espaço diário na mídia para defender (dissimuladamente) interesses de poderosas minorias.
Alexandre Othero
Luis Nassif responde
Prezado sr. Alexandre. No final dos anos 80 fui processado pelo Ministério Público, a pedido do então consultor geral da República Saulo Ramos. O processo foi encaminhado a um bravo procurador, que opinou pelo seu arquivamento. O procurador foi afastado e o caso entregue a outro procurador pelo douto Procurador-Geral da República, Sepúlveda Pertence. Portanto, sei o que significa a interferência do Executivo no MP.
Quanto ao seu raciocínio, se consegui entender, é o seguinte: como eu elogiei o espírito democrático do presidente da República, logo sou a favor da ciranda financeira, da exclusão social, dos erros da política econômica. Seria o mesmo que dizer que, como o senhor é contra o "legado de FHC", logo o senhor é a favor de Hugo Chavez, da invasão das cidades pelo MST e da ação social praticada por traficantes. O senhor iria gostar dessas ilações?
Como não me prendo a esquemas mentais e políticos, sugiro analisar o conjunto da obra antes de tentar me rotular. Há anos e anos, desde 1995, para ser mais preciso, tenho sido crítico ferrenho da ciranda financeira internacional, da política econômica que privilegiou essa ciranda, e do aumento brutal da dívida nacional, fruto dessa política. Sugiro, por exemplo, consultar os arquivos da Folha de S.Paulo, no mês passado, onde desminto o ex-ministro Maílson da Nóbrega e a Secretaria do Tesouro Nacional, demonstrando que o aumento da dívida não foi fruto da incorporação de dívidas estaduais, mas da própria política de juros do governo FHC. O que não me impede de considerar FHC um democrata, defender o modelo das telecomunicações e temer que um presidente voluntarista ateie fogo ao combustível deixado por ele.
CRIME DO SACOPÃ
Só ouviram o assassino
Há 50 anos ocorreu um dos mais bárbaros crimes que o Rio de Janeiro já conheceu. Ele foi batizado pela crônica policial de "Crime do Sacopã". O bancário Afrânio Arsenio de Lemos foi morto com requintes de crueldade pelo então tenente Jorge Alberto Franco Bandeira. Todos que viviam naquela época se lembram da enorme repercussão do crime. O criminoso foi julgado, condenado e cumpriu pena.
Alegando inocência, o criminoso conseguiu no início dos anos setenta que o julgamento fosse anulado. Novo julgamento foi marcado, e desta vez o acusado sumiu, só reaparecendo quando o crime estava prescrito.
Considero normal que a mídia se lembre do crime por ocasião do seu aniversário, mas estranho o fato que essa mesma mídia abra espaço para um assassino, sem que seja apresentada nenhuma prova da sua inocência. O programa Olhar 2002, da TV Educativa, entrevistou Bandeira em 1º de julho, e o jornal O Globo apresentou reportagem no mesmo dia.
Na qualidade de irmão da vítima, fiquei estarrecido e indignado com a parcialidade com que o assunto foi tratado pelos dois órgãos de imprensa. Encaminhei correspondência eletrônica a ambos, e não recebi qualquer retorno.
Pergunto: a imprensa afinal está do lado da lei ou dos bandidos? Por que não me deram a chance de rebater as alegações mentirosas do assassino? A justiça concedeu a ele duas oportunidades para provar sua inocência. Na entrevista da TV Educativa, o criminoso finalmente admitiu seu crime, conforme está demonstrado abaixo.
Senhores, estou com 75 anos e sou bisavô. Será que vou passar os anos que me restam tendo que engolir as palavras mentirosas de um assassino?
Aluizio Arsenio de Lemos
"TV Educativa, Programa Olhar 2002, A/C Lúcia Leme
Prezada senhora,
Na qualidade de irmão de Afranio Arsenio de Lemos, barbaramente assassinado por Alberto Jorge Franco Bandeira, assisti, estarrecido, parte da entrevista que o mesmo concedeu a esse programa. Muito me estranha uma TV que se diz educativa abrir espaço para um assassino, em uma época em que a preocupação maior de todos é, justamente, combater a violência urbana. Assassinou, fria e covardemente, um homem de bem, funcionário do Banco do Brasil, com folha funcional ilibada; um patriota, que foi para a Itália combater com a Força Expedicionária Brasileira como soldado; um desportista amante da velocidade, de competições automobilísticas e de motocicletas, que gostava da vida saudável ao ar livre, praticando montanhismo e alpinismo.
O assassino saiu da Urca, onde morava, armado, para interpelar meu irmão, quando soube que sua namorada Marina mantinha também um relacionamento amoroso com Afranio. Esta, desesperada, conhecendo o temperamento agressivo de Bandeira, seguiu para o local do encontro, em frente ao portão do Iate Clube do Rio de Janeiro, na tentativa de interceder e apaziguar. Infelizmente chegou tarde. O assassino e sua futura vítima já haviam partido em direção da Lagoa Rodrigo de Freitas, onde pararam para conversar perto do Clube Caiçaras, local onde praticou o homicídio, com requintes de perversidade, pois, além de disparar sua arma de fogo por diversas vezes, ainda desferiu com a coronha de seu revólver diversos golpes na cabeça da vítima, que agonizava.
Como qualquer criminoso frio e cruel, tratou quanto antes de se desfazer do corpo, assumindo a direção do carro, abandonando-o em local ermo na Rua Sacopã, fugindo em seguida. O criminoso foi processado, julgado e condenado pelo Tribunal do Júri. Preso, cumpriu pena, tendo sido, tempos depois, o julgamento anulado por filigranas jurídicas. Marcado novo julgamento, o acusado desapareceu e escondido ficou até a prescrição do processo. Quem se diz inocente tem tanto medo de ir a novo julgamento?
No seu próprio programa, Bandeira confessou seu crime. Ao ser argüido por um advogado sobre a estratégia da defesa, disse que discutira com seu advogado qual seria a melhor: negativa de autoria ou legítima defesa. Como um acusado que nega ter cometido um crime de morte pode debater com seu advogado sobre uma legítima defesa?
Enfim, decorridos 50 anos, a confissão que faltava. Torna-se necessário dizer, ainda, que com a repercussão do caso na imprensa, muitos testemunhos importantes foram perdidos, porque ninguém gosta de ser exposto ao noticiário e outros tantos nos chegaram em mãos depois da prescrição do processo. Nossa família houve por bem jamais conceder entrevistas ou procurar qualquer órgão de imprensa para fazer comentários sobre o assunto. Contratamos um advogado para ser assistente de acusação, pois sendo o homicídio um crime de ação pública, cabe ao promotor a tarefa da acusação. Esta é a primeira vez, decorrido todo esse tempo. Não posso admitir que um criminoso frio e cruel, mesmo depois de condenado e de ter cumprido pena, queira se passar por bom moço, assim agindo para obter vantagens pecuniárias.
Lastimo, mais uma vez, que um programa da qualidade do Olhar 2002, tenha levado ao ar uma entrevista dessa natureza. Aluizio Arsenio de Lemos"
"Jornal O Globo – Seção de cartas
Prezados senhores,
Estarrecido e indignado, li a reportagem da última segunda-feira sob o título ‘Tenente Bandeira tenta provar sua inocência’. Estarrecido e indignado ao ver um jornal da categoria de O Globo dar guarida a um assassino frio e cruel. Na atual conjuntura em que todos temos a obrigação de combater a violência, esta reportagem não me parece apropriada. Qual será o próximo entrevistado? Fernandinho Beira-Mar? Uê? Elias Maluco? Eles também tentam provar que são inocentes. Será recomendável abrir espaço para eles? Todos sabemos que Bandeira foi processado, julgado pelo Tribunal do Júri, preso e cumpriu pena. Posteriormente, o julgamento foi anulado por falha no processo. Marcado novo julgamento, o criminoso desapareceu e permaneceu escondido até a prescrição do processo.
Existe, porém, um fato que talvez não seja do conhecimento do jornal: no mesmo dia da reportagem, no programa Olhar 2002 da TV Educativa, apresentado por Lúcia Leme, o criminoso confessou o crime. Vejam a fita. Ao ser argüido por um advogado sobre a estratégia de defesa a ser adotada no julgamento, disse que discutira com seu advogado qual seria a melhor: negativa de autoria ou legítima defesa. Legítima defesa? Será que entra na cabeça de alguém que não é uma confissão explícita, no ar, para quem estivesse vendo e ouvindo? Quem nega um crime não pode admitir a hipótese de discutir legítima defesa. Decorridos 50 anos, enfim a confissão que faltava.
Na qualidade de irmão da vítima, espero, por questão de justiça, que este jornal retifique a reportagem mencionada, acrescentando as informações aqui prestadas. Aluizio Arsenio de Lemos."
TV PAGA
Por que comerciais?
Uma pergunta sempre me retorna quando o assunto é TV por assinatura: se pagamos (não é meu caso) para ter uma TV por assinatura, por que somos obrigados a assistir comerciais?
Claudio Cros
Prestes a cancelar
Estou prestes a cancelar minha TV por assinatura, pois todos os anos o preço sobe, e meu salário estagnou. Assino mesmo pertencendo à classe C, pois adoro cinema e canais instrutivos como Discovery, National Geographic e os jornais 24 horas. No meu caso é a Globo News. Tenho em minha grade de programação 45 canais, pois assino a Net e nunca vejo os outros canais; e me pergunto: por que pagar por algo a que não assisto?
Mas, lendo artigos recentes e o de Nelson Hoineff vou esperar. Se a coisa não melhorar e nós assinantes não pudermos escolher nossos canais, cancelo no outro dia e volto para a velha locadora.
Valéria Marques
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