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FOTOS CHOCANTES
Insulto ao leitor
Mais uma vez, um veículo de comunicação apela para o sangue para conseguir leitores. O site do jornal Folha da Região, de Araçatuba (SP), publicou, em 28 de junho, uma "matéria" sobre acidente com fogos de artifício com fotos simplesmente grotescas. Para ver essa barbárie e analisar o quanto nosso jornalismo afundou, veja a "matéria" no seguinte endereço: http://www.folhadaregiao.com.br/noticia.php?19249. Reproduzo abaixo o e-mail que enviei ao jornal e a resposta que recebi de seu "editor-chefe". Leiam os textos e tirem suas conclusões, caros observadores.
Murilo Hildebrand de Abreu, jornalista
"É um insulto ao leitor a publicação da foto da mão dilacerada da pessoa atingida por um morteiro. Ao divulgar imagem tão grotesca, a Folha da Região não só provoca ânsias de vômito em seus leitores como se mostra covarde e suja com o acidentado. Murilo Hildebrand de Abreu"
"Prezado leitor, insulto é a venda e o uso indiscriminado de artefatos, sem um esforço preventivo dos fabricantes e autoridades no sentido de evitar vítimas como essa, que se repetem a cada ano; insulto é a corrupção, a fome; um fato em si pode ser um insulto à inteligência, ao bom senso, à democracia, etc., mas nunca a notícia, seja ela qual for, pode ser considerada um insulto; a corrupção é um insulto, mas a notícia sobre ela não, ao contrário, é necessária; os que pensam como você também rejeitam cenas de corpos abatidos nas guerras, como se a sua não exposição resolvesse todos os dramas da humanidade, e se enfastiam com as notícias diárias sobre todos os tipos de violência e injustiças. É uma pena que, como jornalista, você tenha visão sobre a função jornalística tão estreita e equivocada. Wilson Marini, editor-chefe"
muriloha@ig.com.br
MORTE DE CLAUDINHO
De volta à exploração
Sugiro que o Observatório da Imprensa na TV trate de um tema que há muito vem me preocupando como jornalista. Estou falando da exposição nos programas vespertinos de parentes de pessoas mortas. O caso mais recente, aliás, quentíssimo, se deu no SBT, no programa Falando francamente, apresentado por Sônia Abrão. Neste sábado, horas depois de a imprensa ter noticiado o acidente que matou Claudinho, da dupla Claudinho e Buchecha, Sônia Abrão colocou a viúva do cantor no ar em seu programa. A apresentadora tentou transmitir que estava triste e chocada (e poderia estar) com o fato, mas nada disso apaga o mau jornalismo praticado pelo programa. Antijornalismo puro.
Está na hora de o Observatório discutir essa questão. Sônia Abrão, que prega conceitos éticos em seu programa, deu show de sensacionalismo e falta de respeito com o telespectador e, sobretudo, com a viúva, que ainda estava sob efeito da má notícia. Até onde vai o limite de entrar na privacidade, no íntimo, no lar de parentes como a viúva do cantor Claudinho? Não vi os demais programas do dia, mas parece que isso tem sido uma constante nesses programas vespertinos. Há limite para tudo.
Antonio Carlos Teixeira, jornalista em Brasília
VEJA
Pravda tupiniquim
A Veja parece realmente primar pelo jornalismo de resultado, ou seja, pelas matérias quase sempre ideológicas, vide últimos exemplos: as asneiras da entrevista com publicitário Martin Sorrel, as sempre difamantes colunas do "jornalista" Mainardi, que agora vê perigo no Teatro do Oprimido; as eternas matérias sobre Cuba, China, Lula, com as cantilenas sexagenárias de que comunismo é ruim e "democracia" é bom. Maniqueísta, pequena e de extremo mau gosto, Veja vai cumprindo seu papel de Pravda tupiniquim.
Alberto José de Camargo, São José dos Campos
TV, INTERNET, CRIANÇAS
Não tão culpadas nem tão inocentes
A entrevista de Elza Dias Pacheco ao JB foi lida por mim com muita atenção. Conheço e aprecio o esmerado trabalho de pesquisa da autora, ao qual já recorri várias vezes no decorrer da pesquisa de mestrado que estou realizando sobre a criança e a TV. Alguns aspectos levantados por ela ainda são pouco debatidos principalmente pelos pais de alunos e dentro das escolas. Um deles é o referente ao poder da TV. Sempre se fala na influência da TV sobre a criança e quase todos expressam esse discurso corrente. No entanto, ninguém sabe muito bem o que fazer com ela.
Assim, ela fica parecendo sempre mais poderosa. Mas não é. As crianças não são tão influenciáveis assim, produzem conhecimento, brincam e criam a partir do que vêem na TV. No entanto, uma questão deve ser lembrada: a TV não é nada inocente como é ironicamente apontado no título da reportagem do JB. A TV é sim responsável pela sua programação e pode dar contribuições tanto positivas quanto negativas à formação da criança. Com certeza, quem estabelece esse limite não é a própria TV, nem a própria criança, mas os pais e a relação com o ambiente em que vivem.
Durante muito tempo a TV foi totalmente culpada por essa "má" influência sobre a criança. Atualmente as pesquisas descobrem o lado crítico da criança, não tão sujeita à TV como se acreditava.
Temos, no entanto, que tomar cuidado para não cairmos no lado oposto da questão. Ela não é totalmente culpada, mas também não é tão inocente assim. É preciso termos cuidado para não esquecer que ela continua tendo seus "podres". O que se percebe é que o telespectador pode reagir a eles. O que muda é que o uso do meio pode revelar uma atitude mais ou menos crítica em relação a ele. Acredito que o mesmo possa ser dito em relação à internet.
É muito complicado começarmos agora a passar a antiga culpa atribuída à TV diretamente para a internet. A criança que assiste muita TV sem troca com os pais, sem conversa, sem acesso a outras formas de lazer e cultura terá menos possibilidade de crítica da mesma forma que aquela que navega muito na internet. Tudo depende do uso que se faz dos meios e do contexto que ocupam na vida da criança. É importante que ela tenha espaços de troca além destes meios, e conversa sobre eles. É preciso lembrar que nos tempos iniciais da TV se falava dela o mesmo que hoje se fala da internet: isola as pessoas, diminui o diálogo.
Hoje, isso já é mais relativizado. Acredito que não há um meio que seja totalmente culpado sozinho de determinado fato, são muitos e variados os fatores que confluem para que determinados usos se tornem problemáticos e isolem a criança. E estes podem agir em relação à TV e em relação à internet. Podemos ter crianças que fazem um uso saudável da TV e da internet e crianças que não o fazem.
Cuidados sempre são necessários. Quando os pais acreditam que estes meios os ajudarão a ocupar os filhos o que percebemos é que tais meios criam novos desafios aos pais na educação dos filhos. É preciso saber o que eles estão vendo e fazendo com estes meios.
Adriana Hoffmann Fernandes
IMPUNIDADE APROVADA
Só Bauru ficou sabendo
Por que vocês não promovem uma discussão urgente sobre a aprovação do Projeto de Lei n.º 6.295/2002, que prevê foro privilegiado para autoridades públicas no exercício ou fora da função ou mandato? A imprensa passou batida neste episódio. O autor do projeto é o deputado Bonifácio Andrada (PSDB-MG). O substitutivo é assinado por André Benassi (PSDB-SP). Andrada abriu caminho para a retomada do foro especial e Benassi estendeu o privilégio aos casos de improbidade. Ambos justificaram as proposituras como recomposição de garantias e direitos. Só vi a notícia no Jornal da Cidade, de Bauru, na terça-feira, 9 de julho de 2002.
Weder
PROPAGANDA
Mais homossexualismo e preconceito
Concordo em gênero, número e grau com a opinião do senhor Eugenio Pacelli com relação à propaganda contra Aids do governo federal, em detrimento da carta publicada no último Observatório da leitora Grace Melo. A propaganda do governo é de muito mau gosto, e essa história de ver preconceito em tudo é um neomodernismo de comportamento que está afetando muita gente.
Alexandre Soares Cavassin, Curitiba
Leia também
Homossexualismo e preconceito – Eugenio Pacelli, no Caderno do Leitor (rolar a página)
Preconceito contra homossexualismo – Grace Melo, no Caderno do Leitor (rolar a página)
A selvageria da Peugeot
O novo comercial do Peugeot 206 é uma vergonha. Entre a civilização e a barbárie, os publicitário da Peugeot – e os diretores da empresa que aprovaram o "comercial" – escolheram a barbárie. Não bastassem os seqüestros-relâmpago, a escalada da violência motivada pelo desnível de nossa economia, agora os "publicitários" da Peugeot, desesperados para vender um carro, "apelaram" feio. Na porta da igreja, noivo e noiva se despedem. O noivo – irado! – percebe que seu novo "carro" está sendo maculado, e vira fera, animal. Ataca um dos convidados. Usa outro ser humano como trapo para limpar o vidro. A noiva, possuída por seu lado proprietária, usa artes marciais para chutar a cara de uma convidada.
Quanta bestialidade para vender um carro. Só aquele "troço" de lata tem valor e deve ser defendido com a vida. Que vergonha, senhores jornalistas. Todos calados. Claro, os anúncios precisam ser preservados. A vergonha na cara, a dignidade, bem... Que vergonha, senhores publicitários. Criatividade, sempre. Apelação, nunca! Ou, dependendo do orçamento do cliente, os senhores fecham os olhos e "mandam bala".
Sei que vou ouvir besteiras do tipo "chamou a atenção". Pondero que mau gosto e bestialidade sempre chamam atenção.
Jose Edward
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