Edição de Marinilda Carvalho
Está animada esta última edição do Caderno do Leitor sob a barra do UOL. Os temas das cartas são tão variados que destaco vários: a Globo "abrindo" ao público, segundo o leitor Walland Silva, suas técnicas para distrair a atenção do país; uma crítica arrasadora a um colunista da Gazeta de Vitória, do leitor Fernando Almeida; uma paulada na cabeça do normalmente festejado Boris Casoy, de Ney Pereira; e o famoso kit midiático dos políticos do interior, também do Ney.
Aproveitem, boa leitura.
E antes que eu me esqueça, bye bye, UOL.
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DENÚNCIA
O expediente da IstoÉ
Gostaria de denunciar a maneira desonesta como a revista IstoÉ tentou me induzir a ser assinante. No Botafogo Praia Shopping, Rio de Janeiro, há (ou havia até 16/6) um quiosque no qual, pretensamente, são angariadas contribuições (sic) para o Instituto Ayrton Senna. A contribuição sugerida (literalmente) é de R$ 12, posteriormente debitados do cartão de crédito. Uma fita de vídeo com imagens de Senna e quatro exemplares de IstoÉ, a serem enviados depois, são oferecidos como brinde.
Ida Moritz Cavalcanti
ASSESSORIA & RP
Desconfiem, desconfiem
O artigo de Cláudia Rodrigues, "Desconfiem, desconfiem", equivoca-se quando a jornalista coloca todos os "coleguinhas" que trabalham em assessoria de imprensa na mesma vala comum, ou seja, todos não prestam. Ela deveria respeitar o trabalho dos jornalistas de assessoria, principalmente, pela importância que esse segmento representa hoje para o jornalismo. Torço para que a "coleguinha" receba um convite para trabalhar em assessoria de imprensa, para melhorarmos o nível dos assessores.
Carlos Magno
Desrespeito ao RP
Fiquei extremamente chateado com a reportagem publicada por uma revista que se diz séria e imparcial. A Veja de 3 de maio mancha imagem do relações públicas. Afirma entre outras coisas que o RP é um fazedor de festinhas, um beócio encantado com a high society. Esta afirmação é extremamente leviana e provoca em nós, estudantes e profissionais de RP, imensa revolta, pois são quatro anos de estudo em faculdade e muito dinheiro investido para que um jornalista irresponsável nos chame de promoters.
Ricardo Luiz Almeida Pinto Ferreira
CRÍTICA
Que atraso, Gazeta!
Ao ler o Observatório, encontrei uma crítica bem feita a uma coisa que por aqui, em Vitória, chamam de Uchôa de Mendonça. Nada mais do que um elemento deplorável que não sabe escrever, tão pouco coordenar suas idéias – lança mão de expressões indignas e não se cansa das suas tolices.
Fernando Almeida
PITTA NA MIRA
A Globo não tem umbigo?
Enviei a mensagem abaixo à TV Globo.
Walland Silva
"Prezado editor-chefe,
Curioso e surpreendente quando a Rede Globo, na defesa de seus interesses, ajuda a população brasileira a entender como são ‘trabalhadas’ as ideologias.
No Bom-Dia do dia 12, matéria sobre a votação do impeachment do prefeito de São Paulo, Celso Pitta, mostrou claramente as armas usadas pela equipe do prefeito para desviar a atenção da população sobre o assunto. Perfeito.
Só que essas mesmas artimanhas são usadas cotidianamente há 35 anos pela própria Globo, e de forma sábia, quase imperceptíveis à grande maioria dos brasileiros. O que dizer da postura da Globo na época do fim do regime militar, quando tentou esconder até quando não podia mais o clamor popular por eleições diretas para presidente?
O que dizer então quando hoje os telejornais da Globo, exponencialmente o Jornal Nacional e o Fantástico, dedicam boa parte de suas pautas jornalísticas à divulgação de banalidades, cenas de animais, procurando esconder os graves problemas socioeconômicos gerados pela política neoliberal do governo federal, e também pela festejada globalização?
Sim, mas dirão que há matérias-denúncia nesses programas. Claro, mas por que será que depois da exibição de matérias desse tipo os telejornais sempre exibem outras de cunho mais ameno, fútil, tipo romance de animais no zôo etc.? Qualquer psicólogo pode explicar que isso nada mais é do que uso de técnicas para confundir o subconsciente. Não serão essas as mesmas armas poderosas às quais o prefeito de São Paulo esta usando agora também na defesa de seu interesse? Walland Silva"
GREVES
Movimento desprezado
Greve de professores e funcionários das universidades públicas estaduais. Por que a imprensa reserva apenas alguns segundos ou linhas ao tema? Manifestações, protesto, paralisação... A sociedade tem a dimensão do que isso tudo representa? Numa era em que todos defendem de peito inflado a educação?
Nós, estudantes de Jornalismo da Unesp (Bauru, SP), preparamos um site com informações atualizadas sobre a greve <www.jornalunesp.cjb.net>.
Daniel Bergamasco
JORNALÕES
Podres escondidos
Gostaria que o Observatório escrevesse alguma coisa sobre como os jornalões estão tratando os escândalos do governo FHC. É uma vergonha a maneira como eles não divulgam os podres deste governo. Deram uma cobertura muito superficial aos casos Sivam, Fonte-Cindan, Telegang, Ilhas Caymán, Eduardo Jorge/FHC etc., e agora estão divulgando o que tinha de ter sido divulgado há muito tempo. Fica claro para os (e)leitores a declarada proteção que os jornalões do Sul estão dando a um presidente paulista "arrodiado" de um baita "paulistério". Já imaginou se esses escândalos fossem num governo de um presidente eleito pelo Nordeste ou saído de um estado como Alagoas?
Os jornalões cairiam de pau, matando o meliante. Hoje acho que Collor não mereceu ser deposto por causa de uma simples Fiat Elba e das declarações do seu Alucinado Irmão. Parece que ele foi reprovado no Curso de Meliantes e Descuidistas que atua até hoje no Congresso.
Lenierson Austrilino Silva, Maceió
CASO GAMA
Direitos esquecidos
Sugiro ao Observatório da Imprensa um programa sobre o caso que envolve o clube de Brasília, Gama, e a CBF/Fifa. A imprensa brasileira, com exceção da Folha e do Lancenet, tem tido uma postura bastante parcial. O Gama foi roubado pela CBF ao ser rebaixado para a segunda divisão injustamente e, por isso, foi à Justiça comum à procura de seus direitos. Isso lhe custou uma punição imposta pela Fifa, que o impede de jogar até mesmo o campeonato brasiliense. O Jornal Nacional e outros, até o presente momento, só falam das punições que o Brasil pode sofrer se o Gama continuar com as ações na Justiça (não jogar a Copa do Mundo, por exemplo). Ninguém fala que o time de Brasília está repleto de razão e quer apenas o que lhe é de direito.
Alfredo Ribeiro Neto
OMISSÃO DA MÍDIA
Relatório ignorado
Não sei qual o motivo de a impressa não ter até a presente data explorado o relatório da Comif (Comissão Ministerial de Incentivos Fiscais) que, acredito, não foi feito por brasileiros.
Edvaldo Aguiar
MÍDIA & CIGARRO
E a propaganda da bebida?
Tá certo, cigarro é uma droga. Não é o meu caso, não fumo. Mas quero saber é quando vão começar a pegar quem bebe e dirige veículos. A bebida mata tanto quanto o cigarro, e o pior, mata quem não bebe.
José Rosa Filho
PAUTAS
Falta prognóstico
Nos jornais, lemos editoriais, críticas, crônicas, colunas, debates, reportagens e muitos diagnósticos de problemas do país. Diagnosticar fatos ocorridos é papel da imprensa, mas não muda a realidade que é problemática. Os jornais devem continuar exercendo essa função, primordial à liberdade e à democracia. Não estou sugerindo que os jornais "escondam" o Brasil. Minha sugestão é a de que os jornais abram espaço para prognósticos dos problemas brasileiros, editando cadernos especiais com artigos exeqüíveis. Com um caderno semanal ao longo de um ano teríamos boas idéias práticas. Precisamos e queremos construir um país e acredito que os jornais poderiam dar sua contribuição.
Ney José Pereira, São Paulo
IMPRENSA REGIONAL
O kit midiático dos políticos
Nas cidades do interior do Brasil, os políticos ou grupos políticos geralmente têm um kit midiático composto de jornal, rádio e fundação. A fundação é para receber verba governamental e sustentar juridicamente o jornal e a rádio. O jornal e a rádio (geralmente clandestina) servem para falar bem deles e ofender seus adversários. O jornal e a rádio são dirigidos por jornalistas! Os grandes jornais, das capitais e do interior, são suscetíveis à invasão desses políticos por meio de agências e correspondentes.
Ney José Pereira
BORIS CASOY
Tratado como Deus
A imprensa dá tratamento diferenciado e privilegiado ao jornalista Boris Casoy. Ele trabalha para o bispo, mas é tratado como Deus. Boris Casoy sabe que seu salário milionário provém de pessoas pobres, humildes ou incautas, clientela de seu patrão. É ético vender "credibilidade" a quem não a tem? Boris Casoy é um "paramoralista", ou seja, moral só para os outros! Isto é uma vergonha! Ou não?
Ney José Pereira
OBRIGADO, OBRIGADO
Imprensa-verdade
Gostaria de elogiá-los pelo que fazem em favor da imprensa-verdade neste país. Confesso que realmente "não consigo mais ler jornal do mesmo jeito", e tudo graças ao trabalho competente que fazem. Não que eu seja facilmente convencido do que me dizem, mas que aquilo que vossos apresentadores e editores dizem vem ao encontro de muitas de minhas expectativas. Sou estudante, programador, técnico em informática e tenho 18 anos.
Thiago
"Estou bestificado"
Bestificado. É esta a palavra, estou bestificado com o Observatório. Bestificado de tanto espírito crítico e iniciativa. Sou de BH, faço parte do grêmio do meu colégio e tenham certeza, as idéias aqui serão retransmitidas e amplificadas em alta freqüência. Achava que já não existiam pessoas como vocês. Parabéns,
Tiago Guerra
Um raro prazer
Subtraindo a péssima imagem da TVE, as falhas técnicas, o próprio ritmo do programa meio que lento, ainda assim é bom ver que existem programas na TV brasileira como o Observatório.
Walland Silva
Leia também
Desconfiem, desconfiem – Cláudia Rodrigues
Ouro maldito – Victor Gentilli
Continuação do Caderno do Leitor
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