Indice Jornal de Debates A imprensa em questao Caderno da Cidadania O circo da noticia Entre aspas

Edição de Marinilda Carvalho

DENÚNCIA
O expediente da IstoÉ

Gostaria de denunciar a maneira desonesta como a revista IstoÉ tentou me induzir a ser assinante. No Botafogo Praia Shopping, Rio de Janeiro, há (ou havia até 16/6) um quiosque no qual, pretensamente, são angariadas contribuições (sic) para o Instituto Ayrton Senna. A contribuição sugerida (literalmente) é de R$ 12, posteriormente debitados do cartão de crédito. Uma fita de vídeo com imagens de Senna e quatro exemplares de IstoÉ, a serem enviados depois, são oferecidos como brinde.

Achando que o referido instituto faz um belo trabalho, decidi colaborar. Qual minha surpresa quando, algumas semanas mais tarde, recebi carta assinada pelo diretor de assinaturas de IstoÉ, Edgardo Zabala, convidando-me a continuar assinante da revista, pois, já tendo adquirido a preço promocional quatro exemplares, certamente gostaria de continuar assinante. Caso não o desejasse, deveria telefonar (ligação interurbana!) me manifestando. Não o fazendo, a assinatura estaria automaticamente confirmada por valor NÃO mencionado.

Fiquei revoltada com tal procedimento desrespeitoso e desonesto, ainda mais partindo de um órgão de imprensa que está sempre pronto a atacar, criticar e denunciar. Não só liguei para lá desautorizando qualquer débito em meu cartão, como escrevi ao tal Sr. Zabala expressando meu profundo repúdio a tal expediente. Preveni-o também de que estaria denunciando esse procedimento a outros órgãos de imprensa. Creio que o Observatório é o foro adequado.

Ida Moritz Cavalcanti




CRÍTICA

Que atraso, Gazeta!

Ao ler o Observatório, encontrei uma crítica bem feita a uma coisa que por aqui, em Vitória, eles chamam de Uchôa de Mendonça. Nada mais do que um elemento deplorável que não sabe escrever, tão pouco coordenar suas idéias – lança mão de expressões indignas e não se cansa das suas tolices.

Há alguns anos leio o jornal A Gazeta, mas já nem faço questão de me ater às estripulias que aquele "fétido cadáver vivo" escreve. Quero qualidade e, como o próprio redator da crítica disse, há crônicas plausíveis que merecem o conhecimento de todos, embora sejam trocadas por textos fúteis como o de Uchôa. Aliás, o jornal no todo é bom, o que acaba com a história é aquele lixo diário.

Uchôa disse em um de seus artigos: "Se oração valesse alguma coisa, os negros teriam pedido para nascer brancos." Símbolo da irracionalidade, da mais pura ignorância. Depois de coisas desse nível nada mais se pode esperar.

Fernando Almeida




OMISSÃO DA MÍDIA

Relatório ignorado

Não sei qual o motivo de a imprensa não ter até a presente data explorado o relatório da Comif (Comissão Ministerial de Incentivos Fiscais) que, acredito, não foi feito por brasileiros, pois os que o elaboraram não pensaram nas cidades que sobrevivem e recolhem de qualquer forma imposto para o governo. Deixando de existir uma instituição financeira federal (sim, porque as privadas jamais se estabeleceriam em pequenas cidades), estas cidades simplesmente se transformariam em verdadeiros desertos, façam a pesquisa e comprovem. O próprio governo perderá arrecadação. Não é que eu seja contra a privatização, acho que devem ser privatizadas certas empresas, mas aquelas que servem para o desenvolvimento e que podem ser consideradas estratégicas para o governo não deveriam ser privatizadas.

Podemos citar a Petrobras e o BB. A Petrobras poderá ser a salvação nacional daqui a 10 anos, quando as reservas americanas começarem a definhar. O BB tem servido de apoio ao pequeno produtor rural, fixando-o na terra, e tem feito com que haja desenvolvimento comercial, abrindo suas linhas de crédito que jamais seriam abertas por instituições financeiras privadas. Fico triste de ver que o pais caminha para este globalismo que só tem massacrado os pequenos, embora tenha trazidos outras vantagens. Mas está na hora de pararmos para ver o que podemos tirar de proveito, e não entregar as empresas estratégicas que poderão ser úteis no futuro.

Edvaldo Aguiar




MÍDIA & CIGARRO

E a propaganda da bebida?

Tá certo, cigarro é uma droga. Não é o meu caso, não fumo. Mas quero saber é quando vão começar a pegar quem bebe e dirige veículos. A bebida mata tanto quanto o cigarro, e o pior, mata quem não bebe. Mata nas ruas, nas estradas, nos veículos. Mata famílias inteiras: nos carros, nos ônibus, nos pontos de ônibus, nas praças e jardins. Mata à noite, mata durante o dia, mata durante o sono. Propaganda? Gostaria de saber quem faz mais, os fabricantes de cigarros ou os de bebidas. O que espanta é que ninguém fala nisso, pelo contrário, as bebidas fazem propaganda no mundo inteiro, de vinhos, licores, cervejas. Quem não bebe passa por careta, ou coisa pior. Já com o cigarro acontece o contrário, e pelo andar da carruagem vai ser difícil fumar até dentro dos banheiros residenciais.

Qual é? Para fumar basta comprar um maço de cigarros, algo barato. Para dirigir é preciso ter carro. Será essa a diferença? Vamos lá, me ajudem a entender isso, depois prometo participar das conversas sobre cigarros. Façam um levantamento dos óbitos de quem fuma e dos decorrentes de acidentes de trânsito causados por motoristas bêbados. Não precisa citar o número dos que ficam inutilizados para o resto da vida. Façam um levantamento, por exemplo, na cidade do Rio de Janeiro.

Vejam que não estou falando dos que morrem de doenças decorrentes da bebida. Dos bêbados inconvenientes em festas, estádios de futebol e restaurantes. Dos pegajosos e chatos das esquinas da vida. Dos que perdem emprego por causa da bebida. Dos lares desfeitos. Das doenças hereditárias por causa da bebida. Por último, perguntem às mulheres o que é dormir ao lado de um bêbado.

José Rosa Filho




OBRIGADO, OBRIGADO

Um raro prazer

Subtraindo a péssima imagem da TVE, as falhas técnicas, o próprio ritmo do programa meio que lento, ainda assim é bom ver que existem programas na TV brasileira como o Observatório. Talvez, hoje, um dos raros momentos de inteligência nessa profusão de mediocridades que desfilam todos os dias pelas emissoras abertas.

Na verdade, quando existe conteúdo, a embalagem, mesmo sendo apática, pouco importa, mesmo que não deva ser desconsiderada mais para a frente. Particularmente no programa da terça-feira, dia 11, o Observatório mostrou como é importante a presença de uma imprensa séria no Brasil, principalmente quando instituições civis e renomadas saem em defesa, sem argumentos convincentes, de interesses escusos de uma indústria perversa, como é a tabagista.

Parabéns também pelas interpelações de Alberto Dines, sempre bem-articuladas, contra as falácias ditas pelo debochado representante do Conar.

É uma pena que esse debate ainda não esteja acontecendo nas demais emissoras de TV do país. Quiçá ocorram. Afinal, elas também têm interesses comerciais bastante lucrativos para não promover reflexões profundas sobre o tema.

Agora, uma sugestão, em face de sua enorme reputação no meio: por que não aproveitar o talento de seus parceiros de TV e propaganda para dar ao Observatório um formato mais dinâmico, moderno, e com menos falhas? Esses profissionais, creio eu, devem ter dicas de como tornar isso possível, podem até mesmo contribuir para atrair mais audiência para o programa.

Walland Silva, São Luís

 

 




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